Não era amor.


Fotos da Linha do tempo | via Facebook

Pode ter sido carinho, pode ter sido vontade de estar ao lado de alguém, de ir ao cinema no sábado à noite e ter quem segurar a mão. É, pode ter sido só o desejo de segurar uma mão para que parasse de tanta insegurança. Pode ter sido a carência de querer uma companhia para dormir no frio, para espantar a solidão com um abraço de conchinha. Pode ter sido a vontade de dividir a pipoca, o controle remoto, as contas do fim do mês, os problemas. No fundo, talvez, fosse só o querer de diminuir o peso das costas com alguém que não te abandonaria.

Pode ter sido desespero de ter alguém para secar suas lágrimas durante a noite. Um par para aquela música romântica que você adorava. Pode ter sido um par, apenas. Alguém para comprar presentes nas datas especiais, para suportar o mel em excesso do dia dos namorados, para levar aos almoços de família e parar de ouvir que precisa arranjar alguém. Pode ter sido um desejo infantil de ter uma aliança nos dedos e uma esnobação para os amigos. A vida está difícil, mas eu tenho alguém que me ama no fim do dia. Mas não era amor.

Pode ter sido amizade. Pode ter sido companheirismo. Pode ter sido uma boa diversão, alegria, talvez até felicidade de ter alguém. Pode ter sido um número no telefone para se ligar todos os dias. Alguém que não faça seu telefone ser esquecido num móvel qualquer sem nenhuma chamada perdida. Pode ter sido só alguém para brigar quando a vida estivesse tediosa demais. Alguém para implicar com os defeitos quando tivesse só seu reflexo do espelho para encarar. Pode ter sido uns beijos bem dados, umas transas fabulosas –ou nem tão fabulosas assim -, umas toalhas esquecidas na cama, umas histórias para se lembrar pro resto da ida.

Pode ter sido uma paixonite. E por isso você chorou tanto quando acabou, doeu tanto e você achou que ia morrer. Pode ter sido aguda, a paixão. E verdadeira também. Só que paixão é cega. Pode ter sido só ilusão –e não ache que isso é ruim, a ilusão também é muito motivadora quando não machuca –Pode ter sido só um retrato na estante que você não precisou rasgar de raiva no fim.

Mas amor... Amor você sabe, agora que acabou, amor nunca foi.



Fernanda Campos, 21 anos com coração de menina que é sempre capaz de acreditar outra e outra vez. Mineira, mas de coração tão paulistano que se tornou são paulina (fa-ná-ti-ca). Apaixonada por livros, cafés, palavras e sentimentos. Psicóloga em formação, autora do livro Uma Dose de Café, que, quando nada dá certo, senta, respira fundo, toma um café e faz um texto. Twitter |Blog

Não era amor. Não era amor. Reviewed by Vitor Lessa on terça-feira, julho 16, 2013 Rating: 5

2 comentários

  1. Adorei o texto :)

    http://des-conversando.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Concordo, quando acaba não é amor, tem uma coluna no meu blog que pergunta justamente isso.

    Bjus

    José Agenor
    http://www.blogdojoseagenor.com.br/
    Fan Page: https://www.facebook.com/BlogdoJoseAgenor

    ResponderExcluir

Filmes