Sem pausas, e sem vírgulas.


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E que me desculpe a hora a maneira a falta de tato e o dia da semana que bato em sua porta. E que me desculpe esse bafo de cachaça que eu me enchi de álcool para ver se me enchia de coragem. Você deve se lembrar de como eu sou fraco para a bebida e para você. E que me desculpe chegar aqui e derramar todo esse discurso de uma só vez sem pontos sem pausas sem vírgulas sem fôlego sem. Eu corri uma avenida para chegar até aqui. A avenida que nos separou por todos esses anos. A do meu orgulho. E talvez você se lembre que eu já fui inteiro aquele orgulhoso desgraçado que destruiu nosso amor que destruiu tudo que destruiu a gente. A gente.
Tá tudo bem. Eu acho que me perdi na minha própria ladainha. Que me desculpa ter te feito sair da sua cama quente para esse frio de camisola descabelada para me atender. Que me desculpe meus próprios cabelos desgrenhados minha barba não feita essas olheiras de uma semana mal dormida. Eu devia ter vindo mais arrumado, terno gravata umas flores vermelhas e um bom pedido de desculpas.  Só veio as desculpas e essa figura patética aqui que me tornei sem você. E por falar em você. Uau. Você tá linda. Mudou de cabelo de estilo de vida de namorado e de amor. Não foi? Me diz. Tá muito tarde para você ou sempre foi tarde para o nosso amor?
E que me desculpe a invasão a ofensa e as desculpas que já não tem mais sentido. Talvez nunca tenha tido. Me desculpe aquele ponto e essa vírgula, a confusão e minha verborragia. Palavra velha, sabe, hábito novo que aprende desde que tudo aconteceu. Que me desculpe a incoerência a incompreensão e essa inundação de palavras que vieram tarde de mais. Que me desculpe as brigas as crises aquele ciúme doentio que você nunca conseguiu controlar. Que me desculpe as lágrimas os choros as feridas que te fiz. Eu tive minhas próprias lágrimas choros e feridas para suportar. Que me desculpe aqueles gritos e a porta batida. As noites frias e seu desespero. Que me desculpe eu ter te abandonado quando mais precisou.
Que me desculpe a bebedeira a falação e essa madrugada. Que me desculpe todas essas desculpas desenfreadas. Os pontos vírgulas as pausas que não pus. Esqueci com meu orgulho no primeiro andar do prédio antes de subir. Que me desculpa essa merda toda. Eu vim aqui perguntar se ainda resta alguma chance se quer tentar de novo se me aceitaria de volta apenas uma outra vez. Que me desculpe. Só quero saber se você ainda me quer. Se ainda me ama. Se.
E aí? Você ainda pensa em mim? Ou já é tarde demais para essas mil desculpas sem pausas e fins?
Fernanda Campos, 21 anos com coração de menina que é sempre capaz de acreditar outra e outra vez. Mineira, mas de coração tão paulistano que se tornou são paulina (fa-ná-ti-ca). Apaixonada por livros, cafés, palavras e sentimentos. Psicóloga em formação, autora do livro Uma Dose de Café, que, quando nada dá certo, senta, respira fundo, toma um café e faz um texto. Twitter |Blog

2 comentários:

  1. Gostei...
    e quantas pessoas não 'enchem' a cara para tomar iniciativa ou dizer algo importante para alguém kkk conheço um monte =)

    Beijosss!!!

    ==> Blog Mundinho da Pâm

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  2. Que texto incrível!!! Muito bom mesmo...Adorei como a história vai se desenrolando, é repetido a palavra desculpa, mas mesmo assim não é possível parar de ler e ficar sem saber o fim.

    PS: E me desculpa por ter desaparecido do seu blog rs, eu dei uma sumida, mas já estou de volta.
    Beijos
    sonhos-constantes.blogspot.com

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