Amores perdidos, traumas encontrados

Tumblr
Amores perdidos, traumas encontrados
Talvez a gente se encontre aqui ou lá, tanto faz. Ou talvez a gente se perca de vez e nos encontre –em outros braços, em outros abraços, em camas estranhas e em amores mal vividos –Talvez eu fique vendo você ir embora ou talvez eu vá embora vendo você ficar. Essa mania nossa, minha e sua, de fugir para não se machucar. E de medo nos fechamos todo, abandonamos a festa e nos trancamos a sete chaves. Como se fugir curasse todos os nossos traumas, como se ficar resolvesse todos os nossos problemas. Nada disso, a gente sabe. Não com você me deixando para trás nem comigo me escondendo debaixo da minha concha e te fazendo se afastar.  Talvez simplesmente não seja para ser –complicados que somos, perdidos que somos, inconstantes que somos –E aí por isso nos perdemos no meio da rua virando sem direção para um beco qualquer. Ou talvez seja e a gente só vá perceber lá na frente, tarde demais para arrumar as coisas.

É o preço que a gente paga por só tentar com garantias, dinheiro na mão, vai ou racha, oito ou oitenta. Ninguém mais se arrisca a aceitar um chegue por medo de ser sem fundo, ninguém mais pula de cabeça por medo da falta de profundidade das pessoas. Como se a vida tivesse alguma garantia, como se o amor engolisse promessas sem quebras. O bom e o mau do amor é justamente isso: eu te amo hoje e pode ser que amanhã também, mas daqui a cinco anos eu já não posso prever. O amor que quebra é o mesmo que te reconstrói. E não saber até quando vai durar não é inconstância, ou brincar com os sentimentos, é apenas entender que ninguém é senhor do tempo, ninguém aqui consegue controlar o que sente e até que ponto sente. Amanhã é amanhã e o depois a gente vê depois. Quando ao hoje a gente se entrega e vive para não se arrepender. E talvez seja por isso que você e eu –e talvez aqueles ali, escondidos num canto, fingindo que estão bem também –não conseguimos ser felizes; você preso ao passado, eu aqui tentando prever o futuro –amores perdidos e traumas encontrados, assim somos nós. Você foge com medo de se envolver e eu me afasto cada vez mais para não me machucar. E nos machucamos enquanto ainda insistimos em ficar.

Talvez eu acabe por ir mesmo, vai saber. E pode ser que nos encontremos numa festa daqui alguns anos e talvez a gente se olha e perceba que podia ter sido você, podia ter sido eu, podia ter sido nós; se não tivéssemos tantas feridas, amores perdidos, traumas não resolvidos e medo de sofrer. O que é verdadeiro volta ou o que é de verdade nunca se vai? Talvez nunca entramos num acordo já que não existe acordos que não possam ser quebrados –e já somos quebrados demais para nos arriscarmos mais um pouco –Para mim, simplesmente, verdadeiro não é nada disso. O que é verdadeiro se vai às vezes quando não lutamos e pode ser que nunca volte. O que é verdadeiro, para mim, é mais do que não perder; é aquilo que a gente não esquece, não abandona, não apaga, leva dentro de nós mesmo que nunca mais haja algum contato.


E talvez nem sejamos assim tão de verdade. E nos vemos assim, amor que pedi, trauma a mais que encontrei. Talvez a gente nunca mais se veja ou talvez nos cruzamos por aí sem precisar de um adeus, cena de novela, portas batidas e ofensas rasgadas. Talvez aqui, talvez lá, talvez nunca ou talvez já foi. Te vejo todos os dias na minha memória e no coração partido que você deixou. Ou talvez deixa para lá, porque eu sei que te quebrei também. E quebrados ficamos, amores perdemos, traumas a mais carregamos. Ontem, hoje, amanhã e depois. Talvez.

Fernanda Campos, 21 anos com coração de menina que é sempre capaz de acreditar outra e outra vez. Mineira, mas de coração tão paulistano que se tornou são paulina (fa-ná-ti-ca). Apaixonada por livros, cafés, palavras e sentimentos. Psicóloga em formação, autora do livroUma Dose de Café, que, quando nada dá certo, senta, respira fundo, toma um café e faz um texto. Twitter |Blog

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.