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O Fim

                   .


                A tarde ficou escura e tenebrosa, os pássaros faziam barulhos altos e agudos, como se pedissem socorro. Agarrei firme a mão que estava próxima de mim, e senti uma onde de tranquilidade por sentir-me segura ao lado dele.
Nós dois corremos pelo bosque adentro, a cada vez que ameaçava parar de correr devido a canseira, ele me puxava para mais alguns passos rápidos. Olhei para o seu rosto e vi que os seus olhos tinham passado da tranquilidade para o medo, me assustei ao ver o seu rosto que era sempre tão calmo e acolhedor ficar cansado e preocupado. Vi os seus lábios se moverem sussurrando um  “Eu te Amo...” vagarosamente e agonizante. Queria protegê-lo do que quer que fosse que o amedrontava, dizer que estava tudo bem, mas a verdade é que eu não encontrava a minha voz. Já não sabia como pronunciar as palavras.
Parei bruscamente e o puxei para mim, toquei o seu rosto e sorri, talvez tenha parecido mais com uma careta mas ele sorriu de volta, o brilho dos seus olhos se dissipara mas mesmo assim podia perceber o calor que sentia percorrer a  minha pele toda vez que ele dizia o meu nome.
O beijei, no início de vagar, queria gravar aquela sensação dos seus lábios nos meus e o sabor do seu beijo. A forma como a minha pele se arrepiava quando sua mão percorria as minhas costas e pousava na minha cintura me aproximando tanto de si a ponto de parecermos que éramos só um corpo.  
Tudo era intenso demais para nós, do beijo manso passamos para o desvairado,era doloroso saber o que aquilo significava, era o nosso adeus, sem nenhuma palavra, não sabíamos o que dizer um para o outro, pelo menos não naquele momento.
                 Queria segurar aquelas lágrimas que insistiam em querer cair. Mas doía demais, me ofegava aquele barulho que se aproximava Cada vez mais nos anunciando o fim. Nosso fim.
Ele olhou para mim tocou o meu rosto mais uma vez enxugando as minhas lágrimas: “Me  prometa que ficará bem”. Afirmei com a cabeça, era mentira, não sabia como seria sem ele, nunca mais sentiria algo tão bom, ninguém no mundo seria capaz de ocupar o seu lugar.
O meu luto seria eterno. Todos os dias eu acordaria sentindo o espaço que antes era ocupado por ele na minha cama, sentiria falta do seu abraço, do seu cheiro, das suas gargalhadas altas quando eu fazia alguma palhaçada, ou quando eu cometia mais um dos meus desastres diários, ou do seu olhar percorrer o meu corpo quando me despia para fazermos amor, sentiria falta de me encolher nos seus braços enquanto ele dormia com um meio sorriso estampado no rosto, falta das nossas discussões sem motivos sérios.
Nunca mais teria de arrumar as camisas e camisetas que ele insistia em deixar espalhadas pelo quarto. Ler na sala de estar com a cabeça repousada no seu colo, quando cansávamos dos programas chatos que passavam na TV.
               Ficaria de luto, por cada dia, cada momento juntos. Era o fim de tudo isso. E as imagens passavam como um telão na minha mente. Fui despertada de meu devaneio com o estrondo do trovão próximo demais de nós. O beijei novamente, nosso último beijo...
“Agora corra o mais rápido que puder,e não olhe para trás.”
Tentei teimar, mas ele me empurrou em direção da estrada gritando: “Por Favor, por favor, vá... Eu te amo!”
Gritei de volta para ele, ainda correndo :” Eu também te Amo, Eu te Amo!!!”.
Abriu-se uma cratera na terra, e o chão tremeu. E ouvi o seu grito, alto, estridente, grito de dor...eu agora sabia que o haviam levado, e com ele levaram o meu coração também.
Chorei amargamente, e os trovões e relâmpagos dissiparam, o céu se abriu como se risse da minha derrota. Como se tudo o que aconteceu fosse glorioso para ele.
Imaginei a gargalhada dos deus, e odiei cada mito que me contaram, nada na terra era justo, nada fazia sentido... Poderiam me chamar de egoísta eu sei que eu estava sendo, por desejar que a terra se derretesse e com ela toda a minha dor. A minha solidão.
Eu o amava como nunca pensei que fosse possível, e agora simplesmente o tomaram de mim. Deixando-me somente as lembranças... lembranças... Lembranças que só me fazia amá-lo ainda mais, e sentir sua falta.

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Pietra Fontinnely (pseudônimo utilizado para o blog), 16 anos, dona do blog Sonhos Constantes. Descobriu sua paixão pelas palavras ainda criança, quando começou a ler contos de fadas e aprendeu escrever suas próprias historinhas com os seus finais felizes. Hoje, leitora compulsiva e passa horas a fio lendo romances, e também se diverte com filminhos cheios de clichês, e é louca o suficiente para gostar de estudar e frequentar as aulas. Tímida, não poderia deixar de falar que sou muito tímida. Ok, eu assumo que só até me conhecerem melhor.
Blog 

Um comentário:

Diêgo Borges de Oliveira disse...

Posso dizer que foi um conto arrepiante. No bom sentido, rsrs. A forma como você se utilizou do ambiente para descrever as emoções e os sentimentos dos personagens, atribuindo inclusive um tom de misticismo, deu história uma áurea épica...
Fascinante, você escreve muitísssimo bem, parabéns!

Abraços!

http://pecasdeoito.blogspot.com.br/

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