O problema é que eu te amo.



O problema é que as pessoas falam “eu te amo” e acham que isso basta. Toma, não é isso que queria ouvir?  Que vem tanto resmungando quando eu estou por perto? Que fica cobrando porque falo tão pouco? Toma essas três palavras. E não me encha mais o saco. Não está vendo que estou ocupado?  E dizem “eu te amo” como se apenas isso fosse o suficiente. O problema é que falam, mas esquecem de dar bom dia, de mandar uma mensagem dizendo que está com saudades, de te segurar em público e desfilar por aí sem vergonha de assumir o sentimento que possui. Declaram seu amor às redes sociais, ostentam anel nos dedos e fotos de um casal sorridente, mas não tratam com carinho ao pé do ouvido; não dizem o que sentem quando estão sozinhos, enrolados na cama.



O problema é que dizem “eu te amo”, mas esquecem dos elogios, não reparam no corte novo de cabelo, na roupa comprada só pra agradar o outro. Não dão a mínima pros pequenos gestos, pras pequenas coisas de cada dia. Eu já disse que te amo. Tá reclamando de que? E dizem como se só dizer fosse o suficiente para completar alguém. E dizem, como se fosse uma obrigação. Mas esquecem dos colos, dos cafunés, dos carinhos e da atenção. O problema é que andam dizendo tanto, como dizem para ser passado o açúcar, não se esqueça de ir ao dentista, comprar o café que acabou. Eu te amo e não me enche mais o saco, tô cansado e quero dormir. A gente não pode deixar essa discussão desnecessária para depois? Eu já disse que te amo. Não foi? Não era o que você queria ouvir?

Mas não secam suas lágrimas, não notam seus silêncios, não perguntam o que está acontecendo, não tentam te ajudar, nem te dão provas desse amor. Não provas grandiosas, nem três palavras ditas ao acaso: queremos mais do que “eu te amo” gritados para que todos ouçam e sintam inveja; queremos jantares à luz de velas, confissões a meia luz, sentimentos ditos em toques e carícias de baixo do cobertor. Queremos que nos arranque sorrisos, que nos arranque a paz de espírito, que nos arranque a segurança quando as cortinas se fecham e a plateia desnecessária vai embora. Tô falando de “eu te amo” ditos a cada um, nos beijos de bom dia, no café da manhã, no carinhoso, ainda que casual, “passa o açúcar, amor” e nos bilhetes espalhados por aí. Queremos mesmo um “eu te amo” carregado de verdade sussurrado ao ouvido quando pensa que estamos dormindo.

O problema das pessoas é que elas dizem “eu te amo” como se “eu te amo” dissesse tudo que queremos e precisamos ouvir. Mas esquecem de nos fazer sentir que são mais do que três palavras ligadas no automático, mais do que apenas obrigação de todo casal dizer no fim de alguma ligação.

Queremos mais do que três palavras.

O problema é que dizem “eu te amo” e esquecem-se do mais importante, de viver e de nos fazer ver todo esse amor que tanto dizem sentir.

Fernanda Campos, 21 anos com coração de menina que é sempre capaz de acreditar outra e outra vez. Mineira, mas de coração tão paulistano que se tornou são paulina (fa-ná-ti-ca). Apaixonada por livros, cafés, palavras e sentimentos. Psicóloga em formação, autora do livro Uma Dose de Café, que, quando nada dá certo, senta, respira fundo, toma um café e faz um texto. Twitter |Blog

3 comentários:

  1. Ótimo texto* perfeito, seu texto diz tudo sobre nós!
    http://fabiolucas92.blogspot.com.br/

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  2. Adorei o texto muito bom :33
    Adorei o blog, e estou participando, poderia dar uma olhadinha no meu também?

    Ta acontecendo um sorteio no meu, de um layout exclusivo e ilustrado, participem :3
    http://leitorasocultas.blogspot.com.br/2013/07/sorteio-template-exclusivo.html

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  3. Amei o texto, falou tudo! Ótimo post!
    Bisous,
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