Sobre Amor, Condição de Entrega e fazer dar certo

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Pode ter amor, tesão, carinho, respeito, cumplicidade, lealdade, amizade e um sexo maravilhoso. Pode ter loucura e surpresas. Vocês podem ter sido feitos um para o outro, perfeitos para viverem felizes para sempre. Mas se faltar condição de entrega não há relacionamento que sobreviva. Condição de entrega é o nível de energia, disposição e vontade que você coloca em algo ou alguém porque quer que dê certo. É quando você esquece-se do medo, da razão e da sanidade e segue, cegamente, o que bate aí, dentro de você. Condição de entrega é estar no alto de um precipício e simplesmente pular, sem se preocupar com o momento que encontrará o chão, mas sim em se divertir com a adrenalina do salto.



Amor de verdade nunca combinou com metades nem aceitou restos. Boa parte das pessoas, no entanto, doam exatamente isso. Amor é excesso: de loucura, de sentimento, de entrega. Não é para qualquer um porque nem todos estamos preparados para pular do alto de um precipício, de olhos fechados, prontos a nos quebrar todo quando chegarmos ao chão. Amor é uma palavra pequena, mas que precisa de atitudes grandes. Não estou falando de declarações em página de facebook com duzentas curtidas. Estou falando da quantidade de entrega que você coloca num relacionamento. Meios sentimentos, meias vontades e meia coragem não fazem nada ser duradouro. Para ser verdadeiro, antes de mais nada, precisa ser completo, precisa ser inteiro. Mesmice sempre cai na rotina. Para ser verdadeiro, você precisa fazer dar certo.

Tem gente que acha que fazer dar certo é dizer sim para o que o outro diz, fazer o que ele quer e se anular. Tem gente que acha que é o contrário –quanto mais briga melhor. Bobagem. Fazer dar certo é como ter mil fichas e poder escolher apenas um número na mesa de apostar e, simplesmente, jogar todas sem pensar nas consequências. Você pode perder tudo em um piscar de olhos. Mas também pode triplicar suas fichas e sair de lá milionário. Já deve ter ouvido por aí a frase “você não pode escolher quem vai te ferir, mas escolhe por quem vale a pena sofrer”, certo? A condição de entrega é exatamente o que faz algo doer mais ou menos na gente.Quem se entrega sem medo tem que estar pronto para sofrer sem medo também. Tem que saber que, ao pular do precipício, você poderá se quebrar todo lá em baixo e ninguém poderá estancar suas feridas. Ao apostar todas as suas fichas, você pode perder tudo. Ou não. As chances de darem certo são as mesmas de darem errado. Talvez a queda seja tão sensacional que os machucados, no fim, valham à pena. E se não valer, cá entre nós, pelo menos não foi por não tentar, por não se entregar, certo?

Como se faz isso? Sei não. Ainda não receitaram a dose certa de entrega na farmácia da esquina. Porque essa entrega, na verdade, tem que ser desmedida. Sem fórmulas, equação e matemática. Amor nunca foi exato porque as pessoas não são exatas. Olhe aí
do alto e decida: vale a pena pular? Também não sei, essa é uma decisão que só cabe a você. O que eu sei é que grandes amores só se tornaram grandes porque houve entrega. O medo foi abafado pela vontade de querer que desse certo. Não houve espaços para que ele –o medo –roubassem os sonhos. O que eu acho –e isso é muito pessoal –é que a vida risco. Pular ou não pular não vai te impedir de se machucar.

 A diferença é que alguns quebram a cara depois que se divertiram. E outros quebram do mesmo jeito, paralisados de medo, sem sair do lugar. A vida pode ser legal para quem planeja e pensa em tudo, para quem mede as consequências de todos os seus atos, mas, com toda certeza, a vida tem muito mais graça para quem se entrega cegamente ao errado porque acha que é certo.


Então, se for pedir algo, peça: menos amor, mais condição de entrega. Por favor. Porque sem amor, eu concordo, nada seríamos. Mas sem condição de entrega não haveriam grandes histórias de vida ou de amor para serem contadas, escritas e, menos ainda, vividas.

Fernanda Campos, 21 anos com coração de menina que é sempre capaz de acreditar outra e outra vez. Mineira, mas de coração tão paulistano que se tornou são paulina (fa-ná-ti-ca). Apaixonada por livros, cafés, palavras e sentimentos. Psicóloga em formação, autora do livro Uma Dose de Café, que, quando nada dá certo, senta, respira fundo, toma um café e faz um texto. Twitter |Blog

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