[RESENHA] Maquiável - O príncipe




Titulo: O príncipe
Titulo Original:II príncipe
Escritor: Nicolau Maquiável
Ano: 1532 (original) /2005 (republicação)
ISBN-13: 9788572322676
Editora: Martin Claret






Resenha

O príncipe é sem sombra de dúvidas o livro mais conhecido de Nicolau Maquiavel. O livro tinha com intuito se tornar um manual de instruções de novo príncipes, mas por um motivo ou outro, originalmente, foi escrito em forma de carta e dedicado á Lourenço de Médici, que veio á falecer antes de Maquiavel finalizasse.

O príncipe, explica as formas de governo e a organização da sociedade, como conhecemos hoje. Esplendido não ? Quatrocentos anos depois, a escrita de Maquiável se cumpre nos mínimos detalhes.  A forma de governo, a organização, as táticas usadas por quem está no governo para se manter, é tudo muito exemplificado para que qualquer pessoa possa ler.

Já ouviu aquela frase que diz: "Os fins justificam os meios?", a frase também é de Nicolau Maquiavel. Em sua obra, ele explica que não há fronteiras para se manter no poder, e que a moralidade para consegui-los, não há importância. Obviamente o livro também é repleto de situações que podem - e vão - te deixar de boca aberta de tão desumanas que são.

Mesmo com tanto jogo de cintura  complicado no livro é possível ficar na duvida com a leitura: Será que isso é algo bom ou ruim?

Há um senso comum popular que atribui as pessoas o termo "maquiavélico" para justificar comportamento de pessoas sem escrúpulos, que buscam apenas o seu benefício próprio.

Em alguns capítulos o manual mostra-se completamente monárquico, e em outros, absolutista. O manual do príncipe ensina não só como se manter no poder, mas também o que fazer para continuar no poder, o que não deve ser algo complicado, por que o mais difícil é consegui-lo.

Há uma frase na obra, que diz o seguinte:

“Contudo, assassinar os seus concidadãos, trair os seus amigos, renegar a fé, a piedade, a religião não são ações que possamos chamar de ‘virtuosas’. Por esses meios pode-se conquistar o poder, mas não a glória.”.

Simplificando: Você pode ter seus meios para se manter no poder, mas nem sempre terá a glória de ser adorado, ou admirado pelo seu povo. E este é um conselho sábio de Nicolau, afinal ele deixa claro "Não são ações, que podemos chamar de virtuosas".

Algumas ideias básicas da obra para melhor entendimento:

  1. A filosofia de Maquiavel não interroga sobre os fundamentos abstratos do Estado, mas sobre a maneira concreta de se governar.
  2. Ele está preocupado em dar soluções para instabilidade das cidades italianas na virada do século XVI
  3. Maquiavel não é moralista, como um fino observador da política do seu tempo estava preocupado em responder aos problemas políticos dos principados italianos. Sua ambição é restaurar a estabilidade e a independência das cidades italianas.
  4. Diferente dos dias de hoje, Maquiavel tinha absoluta convicção de que a política possuía sua eficácia para garantir um estado estável, onde os monarcas podem governar garantindo a ordem.



Impressões



Obviamente o livro poderia ter sido escrito hoje, de tão atual que é as condições e momentos expressos durante o folhear das folhas. A carta/manual de maquiável não poderia ter sido mais sincera.

A forma de governo dos dias de hoje é a mesma de sempre, nada mudou. Inclusive, o fato de que os governantes - na figura do príncipe daqueles tempos - fazem de tudo para obter o poder, passando até mesmo por cima dos povos. A diferença é que naquele tempo o governo era por sucessão, hoje em dia por democracia e direito de votos. 

A escrita é muito bem elaborada e não pode ser decifrada ou entendida por qualquer leigo da literatura, é necessário saber o significado básico de algumas muitas palavras existentes nas páginas para que o leitor não se perca, ou que ele tenha um dicionário próximo para consulta.

Contudo, podemos concluir que todo enredo do livro de cunho político é extremamente informativo e formal.

Nicolau, no capítulo 17, defende que é melhor a um príncipe ser temido do que ser amado, mostrando que as amizades feitas quando se está bem, nada duram quando se faz necessário, sendo que o temor de uma punição faz os homens pensarem duas vezes antes de trair seus líderes. Diz também que a morte de um bandido apenas faz mal a ele mesmo, enquanto a sua prisão ou o seu perdão faz mal a toda a comunidade. O líder deve ser cruel quanto às penas com as pessoas, mas nunca no caráter material; "as pessoas esquecem mais facilmente a morte do pai do que a perda da herança".

O livro é ótimo para quem não quer estar por fora dos debates ou assuntos políticos. É claro que ele é uma base e você precisa SIM ter conhecimento das leis dos dias atuais, ainda mais que elas só existam e não funcionem por que vivemos em uma falsa democracia, vivemos em um verdadeiro tempo de politeia. Por que por mais que aparente que temos poder de decidir alguma coisa, sempre há uma manipulação de alguém "maior" monetariamente falando por trás das câmeras.

Sobre a edição: Tudo foi preservado nesta nova edição, exceto a qualidade da capa. A primeira prensagem era envolta de uma capa dura, esta nova versão, é toda em brochura com um acabamento em plástico, o que pode incomodar muitos leitores.

Nicolau, observou que havia uma distância entre a politica idealizada e a politica real, então escreveu o livro "O príncipe" com o proposito de tratar com a politica como ela se dá.

Por que desde sempre o povo é enganado e acha que o governo se importa de fato com alguma coisa.

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