[CRÍTICA] O Abrigo - 2011

Título: O abrigo
Roteiro: Jeff Nichols
Direção: Jeff Nichols
Ano: 2011
Distribuição: Sony pictures
Duração: 2:1:05
IMDB: 7,4
Avaliação: 9,5/10


Sinopse: Curtis (Michael Shannon) vive em uma pequena cidade no interior de Ohio com sua esposa Samantha (Jessica Chastain) e sua filha Hannah (Tova Stewart), sem muitos prédios e edifícios neste lugar não é difícil saber se uma tempestade está para chegar. Curtis passa a ser atormentado por uma série de visões apocalípticas, e não sabe se deve proteger sua família do que acredita que se aproxima ou dele mesmo.


"No começo eu achei que não era nada, até que... Outro dia eu acordei, e a cama estava molhada", essa frase é o resumo de toda a obra cinematográfica dirigida por Jeff Nichols.

Tudo parecia perfeito até o dia em que Curtis começara a ter pesadelos e a sonhar acordado durante o decorrer do seu dia. Curtes aparentemente trabalha em uma mineradora e trabalha duro com sua mulher para manter a casa e os gastos com sua filha que é deficiente auditiva.

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Parecia não existir uma explicação obvia para o acontecimento, afinal, nada do dia-a-dia de Curtis era um fator determinante para desenvolver uma crise sonambula e para as crises que passara durante o seu dia ouvindo barulhos de onde não se consegue captar ao certo de onde vem e não vendo explicações para se basear em um "reconforto" para si, e isso o leva a exaustidão, pesadelos sem fim e sofrimento que não se pode explicar para a família.

Até  que surge no fim do túnel uma luz, a sensatez de procurar uma ajuda para solucionar um problema que tem deixado sequelas externas e internas e prejudicado o seu convívio com a família e com seus amigos de trabalho e do meio social. Curtis decide procurar um médico alegando estar gripado para não explicitar para a enfermeira o real motivo ao qual estava precisando ver o médico que sucessivamente o indica um psiquiatra.

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Após algumas medicações e prescrições médicas Curtis decide procurar sua mãe para conversar já que estava exausto de olhar para os lados e não ver saída e procurar explicações para perguntas que não se obtêm respostas. A mãe de curtis sofre de esquizofrenia paranoide que é caracterizado pelo fato do paciente em questão não saber definir a realidade da fantasia - Em paradoxos internos, a resposta estava ali, o problema de saúde da mãe é hereditário.

Porém isso não é um spoiler já que existe muito mais por traz das duas horas da obra, e este acontecimento sucede pouco mais dos trinta minutos de filme.

As ilusões, pesadelos e os barulhos sem motivo ou explicação aparente não se dissolvem dos dias de Curtis, o levando a ficar obsessivo e paranoico com os pesadelos que os levam a acreditar que um tornado estaria se aproximando de sua cidade, e estes pensamentos o levam à acreditar que existe a real necessidade de reformar o abrigo no fundo de sua casa para se protegerem do pior.

A reforma mexe de certa forma com a família que se mostra preocupada com a saúde mental de Curtis, assim como também seus colegas de trabalho e seus amigos do circulo social.

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Existem diversos pontos que poderiam ter sido evitados se o protagonista Curtis tivesse pensado em procurar à ajuda da mulher e sucessivamente uma ajuda psiquiátrica para tratar de sua saúde mental.

A esquizofrenia é considerada uma psicopatologia de transtorno mental de nível grave que afeta de forma direta toda estrutura do cérebro que faz com que o paciente em questão se torne uma pessoa depende de medicamentos e sessões psicoterapeutas. 

O paciente esquizofrênico não consegue distinguir a realidade da fantasia, levando-o assim a ouvir e ver vultos e barulhos que ninguém mais ao seu redor consegue. Pacientes de nível grave tem crises de sono durante a noite, problemas de socializar com as demais pessoas, e sucessivos ataques e pesadelos durante o dia.

Alteração na fala, bipolaridade constante, problemas de se socializar, descuido consigo mesmo, hostilidade ociosa, crenças mal fundamentadas, são alguns dos pontos que devem ser destacados em pacientes com distúrbios esquizofrênicos.

O caso de Curtis não é raro e não é novo - O personagem ouve vozes a todo momento e tem uma facilidade extrema para ter visões fora do contexto de sua realidade atual, a existência de um abrigo no fundo de seu quintal pode ter uma ligação direta com a causa de sua paranoia que o faz pensar que uma reforma seja necessária por que de fato algo esta prestes à acontecer.

Este filme é um dos primeiros que tive a oportunidade e prazer de assistir que aborda de forma direta o transtorno e seus problemas e soluções e os prejuízos que ela pode trazer para a vida do individuo.

Analisando todos os aspectos da direção, fotografia, enredo e dispersão da história, a obra está magnificamente maravilhosa. Seria um ultraje de minha parte ceder para esta obra uma avaliação inferior à 9,5.
[CRÍTICA] O Abrigo - 2011 [CRÍTICA] O Abrigo  - 2011 Reviewed by Vitor Lessa on terça-feira, junho 28, 2016 Rating: 5

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