[CRÍTICA] O lobo de Wall Street

Titulo: O lobo de Wall Street
Roteiro: Terence Winter
Direção: Martin Scorsese
Distribuição: Paramount Pictures
Ano: 2013
IMDB: 8,2
Avaliação: 4,5/5

Ao contrário do que muitos pensam Wall Street não é um cassino, a Wall Street é uma rua que corre a cidade de Manhattan inferior e é considerada um marco histórico por ser na rua onde está localizado o coração da economia mundial: A Bolsa de valores de Nova York.

O lobo de Wall Street é um filme baseado em um livro que foi escrito pelo autor estadunidense Jordan Belfort. Jordan é um corretor de títulos de Nova York que dirige uma firma muito renomada na área da economia, a Stratton Oakmont, a onde praticava fraudes no seguro e corrupção. O filme leva o nome de O lobo de Wall Street devido ao fato da firma se localizar neste endereço.

Assim como Aposta máxima, este é o filme ideal para todos aqueles que querem seguir uma carreira no mundo dos números, da economia, ou simplesmente ver um filme um tanto complexo abordando assuntos como: Bolsa de valores, venda e compra de ações, fraude no imposto de renda, lavagem de dinheiro e uso indevido do dinheiro de determinadas empresas - A realidade em um roteiro muito bem escrito por Terence Winter.

Jordan Belfort é corretor de valores em uma empresa estabelecida em Wall Street, porém, em seu primeiro dia na empresa a mesma vem à quebrar o deixando desempregado. Visto que sua condição não era das melhores, Jordan cogita trabalhar em outra área mas sua esposa Teresa Petrillo (Christin Millioti) encontra em um jornal na sessão de anúncios uma vaga para corretor em Long Island. Não demora muito para que Jordan consiga uma fortuna no novo emprego. 

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Existe uma regra muito básica para se fazer sucesso no mundo dos negócios e segundo o contexto explicito no filme, são elas:
  1. Masturbação: Se você se masturbar ao menos duas vezes por dia ou sempre que se sentir sobrecarregado isso irá ajuda-lo a aliviar a tensão e te deixar menos ansioso e aflito pelas questões trabalhistas do dia e do momento das negociações;
  2. Cocaína:  A cocaína é a revolução do mundo dos negócios que te deixa acordado o suficiente para poder estar alerta as vendas e negociações de contrato.
E se essas duas dicas não bastarem é bom que você esteja pronto para se entregar aos prazeres da carne e da prostituição - Não se prostituir, mas sair com muitas, muitas prostitutas. 

E essa visão transpassada no enredo de que prostituição e drogas são algo natural de se praticar no dia-a-dia não é uma visão que me agrade e não deveria agradar a maioria das pessoas já que a classificação indicativa do filme é de 14 anos, mesmo expondo a todo momento drogas e prostitutas em foco desnecessário como sendo a melhor coisa do mundo.


Visto que o mundo dos negócios  de venda de ações é um negócio lucrativo Jordan decide abrir sua própria empresa de seguros juntamente com um amigo que acabara de conhecer Donnie Azoff (Jonah Hill). 

O básico do filme é a história de vida e superação de Jordan em sua jornada pelo sucesso e reconhecimento de sua empresa de seguros.

Muita traição de fidelidade de uns para com os outros, drogas em excesso, prostitutas e um futuro incerto. 



Talvez o dinheiro cegue mesmo as pessoas ou talvez eles são apenas fruto do esforço de algumas pessoas em suas áreas de especialização. Jordan não é apenas um vendedor de ações como também tem uma espetacular facilidade de comunicação com os compradores, o que o inspira à abrir sua própria empresa. 

O incrível é que existem fatos verídicos no contexto inteiro do filme, um deles é as táticas de vendas, ninguém irá te contratar para vender uma casa se você não conhecer uma casa para poder falar dela, mas isso não é o suficiente, não basta conhecer a casa você tem que conhecer todo o conjunto e as vezes impor para o comprador um atrativo que nem seja tão atrativo assim, mas que com suas palavras poderão se tornar tentador, é a fantástica tática de ludibriar o interlocutor. 

Após iniciar sua empresa juntamente com Donnie, Jordan necessita de corretores para trabalhar na venda de ações de empresas que possivelmente renderiam montantes altíssimos a um preço justo e amigo - Todos lucram, todos ganham - Só acho difícil um comprador ganhar quando a compra é feita pelo telefone e ocorre uma transação de compra sem ao menos se conhecer a empresa ou averiguar se de fato aquela empresa em questão que está sob venda irá trazer o estorno da quantia que lhe foi aplicada. 

O LOBO DE WALL STREEET - MATÉRIA DA REVISTA FORBES
Jordan Belfort é como se fosse uma versão oposta de Robin Hood, a onde ele tira dinheiro dos pobres e dá à ele mesmo e a todos os seus corretores alegres. Este foi o trecho de uma matéria exposta no filme, a onde colocava o protagonista como um grande mentiroso que só pensava em si mesmo. Mesmo que Jordan tenha ficado furioso com a matéria e a considerada "difamatória" a revista em questão é nada mais, nada menos, que a Forbes. 

Confira o trailer oficial:


Crítica

Fabuloso. Digo isso sobre todo e qualquer filme que expresse um pouco da realidade mesmo que um pouco distópico do que realmente é. O lobo de Wall Street mostra claramente em suas 2:59:36 horas de duração uma realidade dramática do que queremos não ver, mas que existe: Problemas, e alguns deles sem solução.

Quando se tem um fluxo de dinheiro à sua disposição a tendência que temos é deixar de fazer determinadas coisas para fazer outras. Em outras palavras: Se você ganha o suficiente para pagar quem faça determinada tarefa para você, você irá fazer isso para poder ficar livre para fazer o que bem entender enquanto aproveita o dinheiro entrar na conta bancária sem ao menos se esforçar. 

E é por este motivo que as empresas quebram: Elas deixam de se preocupar com o bem de seus aquiridores/compradores/clientes para poderem se dedicar a absolutamente nada, sabe por quê? Por que elas sabem que você de certa forma precisa mais daquele serviço do que ela do seu dinheiro, e você não pode negar, dependendo de onde você mora aquele serviço horrível é o único disponível na categoria à qual você necessita naquele momento.

Não é preciso ser nenhum gênio para saber ou ter noção de que o dinheiro traz coisas boas mas que ele também é capaz de destruir os bons costumes e principalmente - a sua vida. Em questão de economia o filme traz assuntos maravilhosos no contexto e coloca em pauta um mundo de negociação que se faz presente nos dias de hoje, como: Ludibriar, enganar, iludir o interlocutor (o comprador) fazendo-o achar que aquela aquisição é tudo o que ele precisa, por que ela pode -  e vai -  de alguma forma mudar a vida daquela pessoa e que ela não estará completa sem aquele bem material em seu poder. 

Wall Street é definitivamente o mundo dos negócios, e esta é mais uma obra de arte dos cinemas. 

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