[RESENHA] Laranja Mecânica - Anthony Burgess

Título: Laranja Mecânica
Autor: Anthony Burgess
Ano: 2004
Editora: Aleph
Páginas: 224
ISBN:8576570033

Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma reposta igualmente agressiva de um governo totalitário. A estranha linguagem utilizada por Alex - soberbamente engendrada pelo autor - empresta uma dimensão quase lírica ao texto. Ao lado de "1984", de George Orwell, e "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, "Laranja Mecânica" é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século XX. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick, é uma obra marcante: depois da sua leitura, você jamais será o mesmo
Resenha

Laranja mecânica é o tipo de livro que muitos alunos de faculdades repudiam. O livro já foi - e ainda é - tema de estudos relacionados ao comportamento em matérias de criminalística na área de direito e à algumas matérias do curso de psicologia, justamente por falar de um desequilíbrio emocional e a forma como uma criação pode afetar uma pessoa.

Na volta de um cursinho que faço todos os dias, uma amiga resolveu conversar comigo sobre o livro que acabara de ler na sala de aula como complemento da matéria que estava sendo estudada... Obviamente, o livro era o próprio do título desta resenha.

Laranja mecânica nos fala sobre a vida de Alexander DeLarge, que é chamado do inicio ao fim do livro simplesmente de "Alex". Alex mora com seus pais em um subúrbio e leva uma vida aparentemente pacata - só aparentemente.

É possível observar do início ao fim do livro que Alex não tem nenhum vínculo amoroso com seus pais e passa a maior parte do seu tempo fora de casa com seus amigos, ao quais ele intitula de "drugues". Drugues nada mais é do que uma gíria coloquial do enredo para a palavra irmão

Alex é o tipo de personagem que nós, leitores, costumamos chamar de "futurista" simplesmente pelo fato do mesmo possuir afeições e comportamentos relacionados aos do dia de hoje, que, pelo ano de sua publicação (1971), revela que mesmo que o tempo passe, as coisas não irão mudar. Todos os jovens encontram-se no mesmo caminho em que Alex se encontra neste livro: Confusão sentimental, problemas familiares, decisões a serem tomadas, novos caminhos, ilusão sentimental e sexo, sexo, sexo, e sexo.

Alguns pontos que podem ser destacados no livro e que podem o levar a querer lê-lo e desvendar seus mistérios:

  1. Alex procura saciar toda sua carência emocional com os amigos por não ter uma base de relacionamento sólida com os pais dentro de casa.
  2. O livro todo se baseia em decisões (as mesmas que todos nós teremos que tomar algum dia - ou não).
  3. Drogas e sexo são algo que estão sempre presentes no enredo, e estes dois itens irão definir o futuro de Alex em todo contexto durante o desenvolvimento da história.
  4. Durante algumas perdas, o único passatempo do personagem principal é se trancar em um quarto e ouvir músicas clássicas, que o deixam bastante calmo (aparentemente).
  5. O livro traz uma visão muito ampliada do "viver" e do "fazer". Você faz, mas não tem noção do impacto de suas ações sobre os outros até que você viva.
  6. Todos nós temos caminhos tortuosos na vida e alguns deles não se consertam com um simples arrependimento.
  7. Nem tudo o que você planeja dá certo. Algumas das vezes, planejamento nem é necessário.
  8. Não se pode mudar quem você é, mesmo que você tente. Não existe troféu para segundo lugar neste livro.
  9. Você pode ter pessoas que gostem de você e queiram o seu bem, mas se você não ajudá-las a te ajudar, você estará fadado ao fracasso.
  10. Nunca é tarde para se recomeçar.

Em outras palavras:


"É uma história de redenção duvidosa de um delinquente adolescente pela terapia de reflexo condicionado. Trata-se ao mesmo tempo de uma discussão sobre o livre-arbítrio." - Kubrick


O título do livro é uma alusão implícita no livro, laranja mecânica nada mais é do que: Orgânico por fora, mecânico por dentro.


O livro também faz uma crítica seríssima ao behaviorismo proposto por J.B Watson (1878-1958), pois Anthony Burgess se posiciona seriamente contra a ideia central do estudo de comportamentalístico proposto por Watson, ao qual designa o behaviorismo como sendo a ciência independente do comportamento e tem ideia central de transformação e controle da mente por meio de técnicas consideradas perigosíssimas, sendo elas:

  • A observação do comportamento em ambiente experimentalmente controlado;
  • A observação do comportamento em ambiente natural;
  • A interpretação de relações comportamentais orientada por evidências empíricas.


Crítica

Honestamente, como pessoa, eu nunca li um livro tão verdadeiro e tão profundo como este, tanto que ele se tornou o meu favorito assim que terminei a leitura. Anthony Burgess tem pensamentos profundos sobre o comportamento humano e nos traz reflexões fortíssimas sobre escolha, decisão e caminhos que a vida nos oferece. 

Podemos dizer que o livro pode - e deve - receber  a melhor avaliação de todos os tempos por se tratar de métodos tão presentes em nosso meio e que ficam muitas das vezes subentendidos.


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