[RESENHA] O erro de Narciso - Louis Lavelle

Titulo: O erro de narciso
Autor: Louis Lavelle
Editora: É realizações
Ano: 2012
Páginas: 208
ISBN: 9788580330779
Onde comprar: Livraria folha | Travessa

Este pequeno livro é grande por seu conteúdo, que retoma o problema da consciência de si pondo em evidência todas as armadilhas do amor-próprio. Lá onde Lacan vê no desdobramento do eu a constituição de uma imagem de si originária, rígida e mortífera, Lavelle designa o amor-próprio - ou a vaidade de querer dar uma falsa imagem de si - como o que impede a consciência de viver. O Erro de Narciso, sob a aparência de um modesto livro de reflexão moral, é no fundo um verdadeiro guia espiritual fundado numa metafísica da existência como abertura à realidade do espírito. Que nos permitam citar aqui as palavras de Pierre Hadot, filósofo contemporâneo particularmente clarividente: "Gostei muito do livro de Louis Lavelle, O Erro de Narciso, porque a série de curtas meditações que formam esse pequeno livro e que são, cada qual, um convite a praticar um exercício espiritual, conduz pouco a pouco o leitor àquele 'presente onde se acha situado o cume da nossa consciência' e à tomada de consciência da 'presença pura'".

Para compreender melhor o assunto do qual iremos tratar hoje, é necessário ter consciência do que se trata de fato a história. 

Narciso era um herói do território de Téspias, Beócia, famoso pela sua beleza e orgulho. Segundo Ovídio (autor da obra), Narciso era um homem extremamente belo e um conquistador nato. Após uma série de mulheres terem sido rejeitadas pelo rapaz mais lindo da cidade de Beócia, as mesmas recorreram a deusa Afrodite, que o condenou a apaixonar-se por seu reflexo nas margens da lagoa Eco. Após sua morte, Afrodite deu o nome do rapaz para a uma flor: Narciso.

A analise que se segue é uma parte do que me foi acrescentado em interpretação, dentre as várias que uma única pessoa pode ter ao ler esta obra.
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O erro de Narciso é uma obra contemporânea escrito pelo metafísico francês Louis Lavelle. A obra de Lavelle enfatiza a necessidade de nos conhecermos além daquilo o que vemos em um reflexo de uma pequena porcentagem daquilo o que somos e representamos para nós. Lavelle acredita que o ser humano necessita expandir sua grandiosidade para todos ao seu redor, não se limitando naquilo o que é superficial - como a beleza.

A obra nos traz reflexões sobre o "eu", sobre quem somos e o que devemos reconhecer em nós e o que vale ou não apresentar as outras pessoas. Os pensamentos de Lavelle acerca do mito de Narciso nos remete à pensamentos que antes adormecidos em nós - Nós, agora, futuro, vontades e conhecimento.

Suas teses apresentam ideias críticas profundas da forma com a qual nos relacionamos com as de mais pessoas e permeia reflexões sobre nosso auto conhecimento e sobre o quão nos conhecemos de fato. O exercício do auto-conhecimento só se é possível quando reconhecemos as outras pessoas, por que o outro reflete aquilo o que oferecemos.

É como dizem: A vida é um eco, se não gosta daquilo o que está recebendo, observe bem o que está emitindo.


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