[RESENHA] Depois de Auschwitz

Título: Depois de Auschwitz
Autor(a): Eva Schloss
Editora: Universo dos livros
Ano: 2013
Páginas: 301
ISBN:978-85-7930-539-9
Avaliação: 7/10
Onde comprar: Saraiva | Universo dos livros | Americanas 

Em seu aniversário de quinze anos, Eva é enviada para Auschwitz. Sua sobrevivência depende da sorte, da sua própria determinação e do amor de sua mãe, Fritzi. Quando Auschwitz é extinto, mãe e filha iniciam a longa jornada de volta para casa. Elas procuram desesperadamente pelo pai e pelo irmão de Eva, de quem haviam se separado. A notícia veio alguns meses depois: tragicamente, os dois foram mortos.

Eva Schloss, nascida em 11 de maio de 1929 (Viena, Áustria) é uma das sobreviventes de um dos campos de concentração durante o período da segunda guerra mundial. Após conquistar o partido dos trabalhadores da Alemanha em 1920, Hitler deu início ao seu próprio partido - O partido Nazista. A ascensão de Hitler ao poder iniciou um ódio gratuito de seus seguidores pelo povo judeu e russo.

Eva Scholss narra em "depois de Auschwitz" a sua trajetória de vida. Eva conta nas 301 páginas deste icônico livro tudo o que passou durante a segunda guerra mundial. Eva nos conta que o exército do Führer à levou juntamente com sua família ao campo de concentração Birkenau - Auschwitz quando tinha apenas quinze anos de idade. Em cada uma das páginas Eva nos conta a dor de ter que ver um povo ao qual admirava e tinha grande estima, começar a odiá-los de uma hora para outra, e aparentemente sem explicação.

“De repente os agradáveis amigos de infância se foram. Perguntava-me agora quem eram essas novas pessoas. Os comerciantes simples, condutores de bonde e supervisores de obras que imaginei conhecer, estavam agora fazendo os judeus ajoelharem a seus pés” 

Eva nos conta em seu livro biográfico, tudo o que passara durante sua estadia no campo de concentração, e que desde cedo soubera o real significado da prisão apenas dos judeus e alguns americanos capturados em combate, cada dia naquele lugar e cada obrigação era um medo à mais, ela temia que tudo era muito previsível e sabia da periculosidade em que se encontrava e temia cada segundo de sua vida.

“... Fui levada para uma sala enorme com tubulações e chuveiros. Quando a porta foi fechada, todas nós começamos a tremer. Meu coração batia disparado, enquanto eu me perguntava se aquilo era mesmo um chuveiro.”

Mas Eva também conta detalhes de sua vida "pré campo de concentração", ela narra a saudade que sentia de sua casa e da miséria do lugar onde os alemães os submetiam à viver, a precariedade, o trabalho escravo, e o pior: O medo constante de ser morto e queimado. 


O livro possui uma narrativa bem dramática ( e não podia ser diferente) e narra uma experiência incomum dos outros livros que tratam do mesmo tópico, por que ao contrário dos outros, neste a autora não descreve algo supérfluo fruto de um estudo, ela vivenciou e sentiu na pele, e com toda certeza deve ter sido uma de suas experiências mais doloridas como ser humano.

A rotina descrita por Eva no livro não é muito diferente daqueles que você estuda no colegial: Captura, trabalho forçado, miséria, fome, trabalho escravo, exaustidão, morte. Percebe-se que a mesma não encontrou palavras para descrever determinados momentos que ficaram extremamente simples - e deve-se ser, afinal é uma confissão, um diário, relatos da vida real.

Um dos trechos mais chocantes que contem no livro está na página 204 (E-book):

“Minhas experiências revelaram que as pessoas têm uma capacidade única para crueldade, brutalidade e completa indiferença aos sentimentos humanos.”

Todos nós (ou quase todos) temos consciência da maldade humana, ou passamos à ter uma noção maior do que realmente é ser  depois da segunda guerra mundial, e vários estudos sobre o acontecimento. Eva narra os dias mais tristes de sua existência e teve que dar Adeus da forma mais drástica do mundo às pessoas que tanto amava e admirava. 

Carregar o cadáver das mulheres que eu tinha conhecido – e conhecia bem – foi a pior coisa que já tive de fazer. Pude sentir enquanto as segurava, que elas tinham morrido aos poucos, ficando a cada dia mais fracas, e quando olhava para os seus olhos abertos e fixos, e para suas bocas escancaradas, sabia que elas tinham aguentado por muito tempo – e com muita esperança – quase até o final.
Ela também destaca sua volta para casa, e a tentativa de reabilitação:

“Eu estava viva, mas teria que reaprender a viver e a encontrar meu lugar em um mundo que muitas vezes não queria saber dos horrores que eu tinha presenciado”

Por fim, podemos dizer que, este é sem sombra de dúvida um dos relatos mais tristes sobre o acontecimento, que documentário algum será capaz de superar. 

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