[RESENHA] O cortiço - Aloísio Azevedo

Titulo: O Cortiço
Autor: Aloísio Azevedo
Editora: Ática
Ano: 2000
Páginas: 72
ISBN: 8533903758

A obra busca recriar a realidade dos agrupamentos humanos sujeitos à influência da raça, do meio e do momento histórico. O predomínio dos instintos no comportamento do indivíduo, a força da sensualidade da mulher mestiça, o meio como fator determinante do comportamento são algumas das teses naturalistas defendidas pelo autor ao lado de denúncias sociais. O protagonista do romance é o próprio cortiço, onde se acotovelam lavadeiras, trabalhadores de pedreira, malandros e viúvas pobres.
Resenha
O romance escrito por Aloísio Azevedo é um dos mais conhecidos do Brasil e também uma das obras mais exigidas no pré-vestibular e até mesmo nas faculdades de diversos cursos. A visão explícita na obra de "O cortiço" levanta teses naturalistas que procuram explicar de forma simples o comportamento dos personagens baseando-se nas influências que recebem do meio social, da raça e do momento histórico.

O início da obra é marcado pela história de um personagem bem curioso: João Romão. João é o dono do cortiço da taverna e da pedreira que busca enriquecer-se a todo custo nem que para isso seja necessário a exploração de seus empregos que trabalham sem cessar, e este nem é o problema maior: João furta muitas das vezes para conseguir alcançar o seu ideal e meta de vida e ainda obriga sua mulher Bertoleza à trabalhar sem cessar de dia e de noite, tendo apenas o sono como descanso.

Pode-se afirmar de passagem que ele tratava a mulher assim como tratava seus funcionários.

Contrariando a ideia de que o que João Romão estava fazendo era algo digno e certo como pessoa, a figura de Miranda - o comerciante bem sucedido e bem estabelecido das redondezas - inicia uma disputa acirrada com o taverneiro por uma braça de terra no desejo de aumentar seu quintal. Ambos obviamente não chegam à um consenso e há um rompimento de acordo das duas partes que separa a relação de ambos.

Como se não bastasse a relação de ambos já se encontrar devastada, João Romão começa a olhar com outros olhos a vida do "oponente" major Miranda, que possuía muito dinheiro, terras e uma posição de destaque na sociedade, era barão. João começa a trabalhar ardosamente para enriquecer-se ainda mais privatizando determinados terremos para alcançar seu feito e superar o barão, só que ele ainda não se sente completamente realizado com o dinheiro, ele também quer uma posição na sociedade como o barão. O dinheiro deixou de ser tudo, agora João se mostra obstinado e consumido pelo inveja e deseja participar ativamente da vida burguesa e ser reconhecido com um titulo e frequentas lugares requintados e luxuosos como o próprio barão já o fizesse.

Com o tempo João Romão recebe o título de Barão e o destaque social desejado que o coloca superior a seu oponente. Visto que seus desejos haviam se cumprido João decide reformar todo o cortiço dando-lhe um novo visual e mudando seu nome para algo mais adequado com sua posição social.

Após todas as suas conquistas João Romão encontra-se com desejos o tomando novamente e a vontade de querer mais, sempre mais. Desta vez, João aproxima-se da família de Miranda e pede a mão da filha do dono do supermercado em casamento, só que deve-se lembrar que ele era casado com Bertoleza.

Sua mulher então se coloca contra a relação até que João lhe ceda todo o motante acumulando por ambos durante o período do casamento para que eles possam viver felizes. João se vê obrigado à denunciar a mulher como uma escrava fugitiva, vendo-se perseguida não vê outra alternativa à não ser a morte, Bertoleza suicida-se então.

É obvio que a história contem outros personagens, porém a resenha ficaria extremamente grande se eu fosse falar de todos eles. 

***
A narrativa de Aloísio Azevedo é bem leve e descontraía sem muitas complicações na hora da leitura. Sua obra mostra claramente como o ser humano pode ser baixo em todos os aspectos possíveis da vida e as atrocidades que podem cometer para alcançar seus ditos "ideais".

Visto que a história se passa em no período naturalista é correto afirmar que neste período existiam uma forças externas que faziam com o que o ser humano cometesse isso ou aquilo, o fazendo culpar alguém por seus erros e atrocidades cometidos por si - Podemos ver isso claramente no que ele faz com Bertoleza, quando se nega a dar à ela sua parte por direito - .

O livro retrata além da escravidão, um período onde as pessoas não possuíam tanta liberdade e ficavam a mercê de seus senhores e todas as suas decisões, seja ela positiva, ou negativa. 

Realmente, uma obra de arte. 



Sobre o autor


Aluísio de Azevedo nasceu em São Luís, Maranhão, em 14 de abril de 1857. Após concluir seus estudos na terra natal, transfere-se em 1876 para o Rio de Janeiro, onde prossegue seus estudos na Academia Imperial de Belas-Artes. Começa, então, a trabalhar como caricaturista para jornais. 



Com o falecimento do pai em 1879, Aluísio de Azevedo retorna ao Maranhão para ajudar a sustentar a família, época em que dá início à carreira literária movido por dificuldades financeiras. Assim, publica em 1880 seu primeiro livro, Uma lágrima de mulher. Com a questão abolicionista ganhando cada vez mais espaço no final do século XIX, publica em 1881 o romance "O mulato", obra que inaugurou o Naturalismo no Brasil e que escandalizou a sociedade pelo modo cru com que trata a questão racial. Devido ao sucesso que a obra obteve na corte, Aluízio volta à capital imperial e passa a exercer o ofício de escritor, publicando diversos romances, contos e peças de teatro.


Em 1910 instala-se em Buenos Aires trabalhando como cônsul e vem a falecer três anos depois nessa mesma cidade em 21 de janeiro de 1913. 

Suas principais obras são: "O mulato" (1881), "Casa de pensão" (1884) e "O cortiço" (1890).
[RESENHA] O cortiço - Aloísio Azevedo [RESENHA] O cortiço - Aloísio Azevedo Reviewed by Vitor Lessa on terça-feira, julho 12, 2016 Rating: 5

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