Um ensaio, uma lição: Ensaio sobre a cegueira

Titulo: Ensaio sobre a cegueira
Roteiro: Don McKellar
Direção: Fernando Meirelles
Gênero: Drama
Edição: Daniel Rezende
IMDB: 6,6/10
Avaliação: 10/10

Numa cidade grande, o trânsito é subitamente atrapalhado quando um motorista de origem japonesa, não consegue dirigir e diz ter ficado cego. Ele é ajudado a chegar em casa por um homem, que acaba por roubar seu carro. No dia seguinte ele e a mulher vão consultar um oftalmologista, que não descobre nada de errado com os olhos do primeiro cego. Esse diz ainda que uma "luz branca" impede a sua visão. Pouco tempo depois, todas as pessoas que tiveram contato com o primeiro cego - sua esposa, o ladrão, o doutor e os pacientes da sala de espera do consultório - também ficam cegas. O governo trata a doença como uma epidemia e imediatamente coloca de quarentena os doentes, em uma instalação vigiada o tempo todo por soldados armados. A mulher do oftalmologista é a única que não é afetada, mas finge estar com a doença para acompanhar o marido em seu confinamento.

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Ensaio sobre a cegueira é um filme canadense baseado no livro de mesmo título, escrito pelo português José Saramargo.

Aparentava ser mais um dia dentre muitos outros, mas não foi. Logo de início a obra inicia de forma clara e direta seu contexto e enredo: Relato de uma cegueira coletiva. 

Em uma cidade grande há uma grande massa de movimentação coletiva de carros e pedestres a todo momento, e neste dia algo estranho acontece. Durante o percurso de volta para casa, um senhor aparentemente fica cego do nada, extremamente sem explicação.

Algumas pessoas se comovem com a situação em que se encontra o motorista do carro e decidem prestar-lhe ajuda, durante essa ajuda seu carro é assaltado - Sem nenhum pesar na consciência o bandido foge sem prestar ajuda ao proprietário do carro - mais adiante na tentativa de fugir de uma blitz policial temendo ter sido denunciado ou descoberto ou bandido deixa o veiculo de lado e decide sair por uns instantes, mas ao sair é atingido pela mesma cegueira ao qual foi acometido o motorista do carro.

Ao chegar em casa a mulher do homem que acabara de ficar cego decide de imediato leva-lo até o hospital para procurar uma resposta óbvia para o acontecimento, porém, ela e seu marido ficam cegos, assim como também toda equipe médica do hospital, incluindo o médico que o antedera.

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A mulher do médico que é infectado pela bactéria que até então é desconhecida, decide se expor não ligando para o fato de que ela pode contrair o vírus e ajudar o marido com tudo o que for necessário, inclusive leva-lo à outros médicos e oftalmologistas. 

Pouco tempo depois o vírus se espalha, infectando quase todas as pessoas, exceto, a mulher do médico que socorreu a primeira vítima da cegueira. 

Preocupados com o que pode vir a acontecer e a fim de proteger todo o restante da população, o governo decide criar "centros" e abrigos para que os infectados possam se separar das poucas pessoas que restaram da epidemia. 

Dentro de um dos centros ficam as principais vitimas - que foram afetadas de forma direta, coletiva e generalizada - homens e mulheres ficam reféns do governo que trata de mantê-los aprisionados já que se saírem, poderão infectar os poucos habitantes que estão sãs. 

Durante o decorrer do roteiro de Don Mckeller, é possível observar que ele trabalhou arduamente para implementar neste roteiro todo o drama, toda a tristeza e toda a amargura que os protagonistas vivem neste momento de cegueira.

Assim como no livro, os personagens no filme também não demonstram arrependimento de suas ações (boa parte pelo menos), e  procuram formas de roubar, abusar e até mesmo matar outros membros, para ter o controle dos setores dos centros de onde se encontravam.

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O roteiro e a escrita de Saramargo possuem uma visão única e direta como sendo uma crítica à sociedade da atualidade. Alguns estudiosos chegam à afirmar que a obra tem um cunho religioso fortíssimo já que Saramargo é ateísta.

O próprio Saramargo já se impôs com relação à sua obra, dizendo-nos:

Este é um livro francamente, terrível, com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso.

Caso você queira ler sobre todas as interpretações que você pode ter sobre esta obra visionária, nós compartilhamos nesta publicação (clica) duas delas, e você pode ficar a vontade para ler, compartilhar e nos dar o seu feedback.
Um ensaio, uma lição: Ensaio sobre a cegueira Um ensaio, uma lição: Ensaio sobre a cegueira Reviewed by Vitor Lessa on quarta-feira, julho 20, 2016 Rating: 5

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