Experimento de aprisionamento de Stanford [ANÁLISE]

Titulo: Experimento de aprisionamento de Stanford
Roteiro: Paul T. Scheurings
Direção: Kyle Patrick Alvarez
Gênero: Drama
Ano: 2016
IMDB: 6,9
Vinte e quatro estudantes do sexo masculino são selecionados para um experimento na Universidade de Stanford. No porão do campus, uma prisão simulada é construída. Tudo para provar a teoria do professor de psicologia Philip Zimbardo (Billy Crudup) de que os traços de personalidade dos prisioneiros e guardas são a principal causa de comportamentos abusivos entre eles. Por 15 doláres por dia, os jovens ganharam funções, de forma aleatória. Porém, após a rápida desistência de dois estudantes que ficaram como prisioneiros, o experimento é interrompido após seis dias. Agora, uma investigação é feita para saber as causas desse conflito.
REPRODUÇÃO
O experimento da prisão de Stanford foi uma experiência conduzida pelo professor Philiph Zimbardo em 1971 em uma prisão simulada na Universidade de Stanford - Califórnia. Os envolvidos na experiência foram selecionados e entrevistados por sua conta e risco após lerem uma pauta/noticia/anúncio em um jornal, afirmando que a equipe do professor Zimbardo pagaria uma quantia de U$15 (corrigidos em 2006 - equivalentes à R$76) por dia de experiência. Nem todos os que se inscreveram foram selecionados. Dentre quase cem inscritos, apenas vinte e quarto participaram do experimento, sendo julgados pela banca examinadora como "saudáveis mentalmente" e aptos a participar do processo. Após a seleção, os envolvidos foram divididos em dois grupos: 1. Prisioneiros 2. Guardas. 

A realização da experiência foi para o estudo de como os envolvidos se desenvolviam com o passar dos dias dentro de um ambiente limitado, expostos à tarefas coletivas e individuais repletas de opressão, e uma rotina extremamente cansativa.  Todos os envolvidos tiveram suas identidades "limitadas" com regras e contratos pré-estabelecidos antes da entrevista que sucederia ao experimento. 

A ideia central do experimento de Zimbardo era reafirmar a tese do professor Gustave Le Bon com relação ao comportamento social. De acordo com Le Bon, individuos envolvidos em cárcere privado submetidos à rotinas estressantes e com direitos limitados, tendem a perder sua individualidade, podendo perder o senso de responsabilidade, consciência, identidade pessoal, alimentando-se do que o próprio ambiente lhes oferece. Alguns chegaram a enlouquecer no primeiro dia de experiência, o que surpreendeu os organizadores da pesquisa do centro de psicologia da Universidade de Stanford. 

Um mesmo experimento foi conduzido em 1963 na Universidade Yale pelo professor Stanley Milgram. O experimento realizado em 1963 teve apoio do governo americano e patrocínio da Marinha Americana para procurar entender como sucedem os problemas dentro de um sistema prisional entre guardas e presos. Na tese do professor Milgram, os guardas poderiam facilmente ser selecionados para os cargos de acordo com sua disponibilidade e animação - o que em uma experiência é algo completamente errôneo, afinal, ninguém quer ser um guarda correndo o risco de ser agredido, ou alvo de planos entre os encarcerados - tudo era possível, inclusive no próprio filme documentativo que leva o mesmo título do experimento, a maioria dos entrevistados optaram por vontade própria em se submeterem à cativeiros e as condições de uma cadeia.


REPRODUÇÃO
A prisão em si, localizava-se no subsolo do Departamento de Psicologia de Stanford, que fora convertido para esse propósito. Um estudante assistente de pesquisa era o "Diretor" e Zimbardo o "Superintendente". Zimbardo criou uma série de condições específicas na esperança de que os participantes ficassem desorientados, despersonalizados e desindividualizados.

Os prisioneiros envolvidos no experimento passaram por uma série de tarefas para chegar ao êxito do estudo de Zimbardo, sendo eles:

1. Todos os prisioneiros eram obrigados a utilizar pulseiras de ferro em uma das pernas para simbolizar o seu cativeiro "eterno".
2. Usavam apenas um uniforme que lembra muito os uniformes utilizados pelos prisioneiros do holocausto na segunda guerra mundial, sem nenhuma outra roupa por baixo - De acordo com Zimbardo, isso iria deixa-los mais desconfortáveis e desorientados. 
3. Era de uso obrigatório uma meia calça em suas cabeças para simbolizar que seus cabeços haviam sido raspados. 
4. Eram submetidos à provas que colocassem em dúvida e julgo sua real sexualidade, os fazendo se sentirem como garotas. Era comum fazê-los falar determinadas frases com voz de garota.

Não foram usados na pesquisa meios de seleção severos para decidir quem receberia qual cargo - Os guardas que se sentiam superiores, mau sabiam que o que decidiu sua posição foi apenas um "cara ou coroa". 

Zimbardo (professor e idealizador do projeto) ao ser confrontado sobre quais eram os reais motivos de tanto investimento naquele projeto/simulação, entrou em sério conflito interno e não soube ao certo responder a questão que lhe foi imposta, muito pelo contrário, usou de sua ignorância para decidir que a pergunta seria considerada uma impertinência e que seu tempo era precioso de mais para se gastar com tais explicações, visto que, o experimento era dele, assim como também o investimento para realização do mesmo.


Análise
REPRODUÇÃO

Partindo do princípio psicológico, os termos adotados pelo professor Zimbardo poderiam causar mais conflitos do que os que ele esperava com sua equipe, e foi o que sucedeu. A escolha da simulação e prisão de voluntários para uma experiência para analisar o comportamento mediante à situações de auto risco psicológico em certo ponto foi boa, mas não em sua totalidade.

Visto que a real intenção era simular uma prisão, a rotina imposta pelos guardas e não vistoriada conforme deveria ser pelos idealizadores foi uma escolha drástica, que poderia arruinar não somente o projeto, mas pessoas com uma saúde que poderia se agravar sendo expostas à situações conflituosas internamente e externamente. 

Uma prisão real não possui as mesmas intenções que o professor Zimbardo. A prisão serve apenas para carcere e rotinas rigorosas - de fato, inegável - mas não à humilhações severas as quais eram submetidos os alunos de universidades que por motivos diferentes resolveram participar do experimento. 

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