[RESENHA] Ao cair da última folha - Gileno Santos

Titulo: Ao cair da última folha
Autor: Gileno Santos
Editora: Autografia
Páginas: 231
Ano: 2016 

Escrito pelo autor Gileno Santos, a obra Ao Cair da Última Folha conta a história de Erik, um rapaz que passa por um isolamento social, tem dificuldades para se relacionar com as outras pessoas e vive em uma prisão psicológica. Erik tem cerca de quarenta anos e busca, desde a infância, por uma saída desses problemas. Tomado muitas vezes por sentimentos perigosos, Erik é frágil e sensível, porém, nunca perdeu as esperanças na vida. Certa vez, esperando por um milagre sentado em uma praça e vendo as folhas de uma árvore caírem, ele encontra Elise, uma moça de lindos olhos que procura por um café próximo. Após esse encontro, a vida do rapaz muda completamente. 

Em Ao cair da última folha, iremos conhecer Erik, um respeitado gerente de uma empresa de importação e exportação, que enfrenta problemas de sociabilidade e conflitos internos. 

Erik possui uma criação cristã muito rigorosa vinda de seus pais, o que lhe rendeu uma educação rigorosa. Erik vive sozinho em um apartamento onde possui uma visão privilegiada para um dos parques mais lindos da cidade e um café.

Erik possui uma dificuldade extrema de se relacionar com outras pessoas, mas isso não afeta sua produtividade no trabalho, muito pelo contrário, lhe trouxe um ótimo cargo e uma admiração por parte de todos funcionários. Sem saber o que fazer e quando fazer, Erik passa a maioria de seus dias apenas deitado no sofá durante a noite esperando o sono chegar para mais um dia de rotina.

A história em si gira em torno de uma reflexão muito profunda acerca do "cair da última folha" de um pé de ipê roxo, ao qual Erik estava acostumado a admirar durante a volta do trabalho para casa em uma praça que fica do outro lado da pista que dá acesso ao prédio onde reside. De acordo com Erik, os dias ruins são como as folhas que caem do pé de ipê, elas são passageiras, porém, necessárias e trazem consigo um ensinamento que será crucial para chegar ao ápice do florescer do ipê - A beleza de suas flores roxas. 

Sempre muito aéreo e no mundo da lua, Erik começa a preocupar a todos ao seu redor - Sim, todos - inclusive aqueles que não o conhecem de fato como pessoa. 

Erik forma a representatividade de todas as pessoas que possuem problemas sociais de relacionamento e isolamento. O isolamento de Erik é desconhecido, e até o próprio personagem reconhece que seu estado emocional está agravado, e que nem mesmo ele consegue identificar os motivos, visto que, sua vida está nas perfeitas normalidades, isso pode ser observado na página 70:


O que acontece? Por que tanta pressão? Estou bem, tenho um ótimo emprego, aliás, esse caiu do céu mesmo, devo muito ao senhor Ivo, um milagre de Deus. Este apartamento é meu. Os funcionários são excelentes. Por que minha cabeça não se ajusta? Que agonia é essa? (página 70)
Dentre as grandes aflições impostas em sua prisão emocional, Erik chega a cogitar na hipótese de um suicídio:


Como será saltar daqui de cima? Seria bem interessante voar, ver as pessoas mais perto, mas apenas quando tivesse vontade, por exemplo: Esse seria o momento de abrir a janela e saltar. De repente, alguém notaria, quem sabe saberia o que dizer. Toda essa gente aqui dentro, e não me aproximo. Agora estão lá na cozinha conversando, rindo, e eu... Bem, estou aqui. Como sempre. Eu não tenho depressão, por que se tivesse, já teria saltado daqui de cima, será que eles se importam?! Será que alguém se importa?! Por que será que suporto todas essas situações? (Página 32)

Erik nos mostra que nem sempre a pessoa que se encontra em isolação total ou parcial da sociedade, ela tem questões que necessitam de respostas. Na página 32, Erik se pergunta em pensamento: Será que alguém se importa? Essa pergunta é fruto da isolação parcial ao qual está acometido. Erik possui uma empresa de grande porte sob seu comando, e pessoas que o admiram, mas as pessoas não conseguem aproximar-se do mesmo devido aos problemas que nem mesmo ele sabe reconhecer, o que vai mudando aos poucos no decorrer do livro.

Erik desperta preocupação em seu circulo social. Todos conseguem facilmente decifrar os problemas e aflições enfrentados por Erik, até mesmo aqueles que o destino envia-nos ao acaso, como representado na página 72, quando no meio de uma chuva, ele conhece um senhor chamado Caio, que lhe alerta sobre os perigos da mente e sobre "morrer de aflição":


- O senhor não está bem! Já vi pessoas assim. Sem esperança, sem saber o que fazer, ou como reagir. Você não é, e nem será o primeiro. Muitos já tiraram a vida, inclusive na minha frente, em momentos como esse. (página 72)

Ao cair da última folha nos trás ensinamentos preciosos em suas páginas, e a valorização da VIDA e da FÉ. O livro de Gileno Santos é um tesouro para todos os amantes de uma boa leitura reflexiva.

O livro esta com capa, diagramação e escrita impecável em todos os sentidos possíveis. Impossível não se apaixonar.

Nascido no Paraná, mas criado em São Paulo, Gileno é graduado em Matemática com pós-graduação em Metodologia de Ensino de Matemática, atualmente com estudos voltados para Metodologias Ativas de Aprendizagem e o Design Thinking. Nas horas livres, dedica-se à escrita, colocando seus sonhos e ideias no papel. 
[RESENHA] Ao cair da última folha - Gileno Santos [RESENHA] Ao cair da última folha - Gileno Santos Reviewed by Vitor Lessa on segunda-feira, novembro 14, 2016 Rating: 5

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