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A triste reflexão de Castelo Branco: Coração, cabeça e estômago

ISBN-13: 9789721005150

ISBN-10: 9721005150
Ano: 1988 / Páginas: 180
Idioma: português 
Editora: Europa-América


Obra satírica do português Camilo Castelo Branco, que a constrói em torno da autobiografia fictícia de um morto. Silvestre, o morto, deixa para um amigo o relato de sua vida, acreditando que, ao ser publicado, gerará lucros e sabedoria. O amigo então organiza o livro falando sobre o ato de fazer o próprio livro, num curioso exercício de metalinguagem.


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Coração, cabeça e estômago é uma das obras literárias mais incríveis já escrita em todos os tempos. Nesta incrível obra, Castelo Branco cria situações ficcionais relacionadas ao nosso cotidiano que podem facilmente se tornar realidade, levantando tópico sobre o amor e sobre as armadilhas da vida perante este sentimento.

Como pode perceber na descrição acima sobre o livro, ele conta a história de um morto contada em primeira pessoa.

Neste livro iremos conhecer, talvez, o homem mais azarado do planeta terra, Silvestre. Silvestre é um homem de coração bobo que se apaixona muito facilmente, e que não quer de maneira alguma viver sozinho. Quando vê sua vida vazia, sem a presença de uma companheira, Silvestre decidi procurar uma mulher que supra todas as suas necessidades, só que ele não contava que o destino estivesse contra seus planos.

Silvestre que vivia em função do amor, começa a se entregar facilmente a todas as mulheres que encontrava no caminho, isso lhe rende no total sete paixões desastrosas, todas elas com uma decepção diferente, em um espaço diferente em sua vida. Tentando viver em função do coração, Silvestre se apaixona por uma moça muito atraente chamada D. Paula, porém, o relacionamento não era recíproco, e o garoto sofre de paixão.

As mulheres que Silvestre encontra em seu caminho são símbolos e peças chaves importantíssimas para compreensão do texto de Castelo Branco. Após se decepcionar com D. Paula, Silvestre segue sua vida, durante sua caminhada encontra uma mulher chamada Marcolina, com a qual troca algumas palavras e descobre que sua vida era muito dolorida, e por fim, acaba se apaixonando mais uma vez e a levando para morar consigo - Mas com o tempo, ela morre de Tuberculose.

Cansado de toda decepção na qual vivia por consta da crença que o coração poderia lhe trazer o amor da sua vida, Silvestre começara agora a viver em função da razão. 

A razão levou Silvestre à trabalhar em um jornal escrevendo uma coluna, nesta coluna ele criticava tudo, tudo mesmo. Em uma destas críticas que fizera a respeito do que ele encontrava errado ao seu redor, decidi denunciar um adultério, e acaba indo para cadeia - E claro, desistindo de viver pela razão, agora iria aventurar-se nos desejos e nas vontades do estômago.

Durante sua primeira fase de aventura usando o coração como cupido, Silvestre consegue fazer com que uma riquíssima mulher chamada D. Tomásia se apaixone por si, e claro, se case com ele. Sua casa era farta, cheia de comida. Mesmo sem gostar de D. Tomásia, Silvestre acaba se acostumando com sua vida nova como um homem rico, bem sucedido e claro - Bem alimentado. Depois de acomodar-se a não fazer coisa alguma, Silvestre fica doente devido ao sedentarismo, arranja alguns problemas na coluna e tem um triste fim - A morte.

Após falecer, certo de que sua história daria fama, dinheiro e reônomo ao amigo, ele finalizou com este poema:

Abri meu coração às mil quimeras; Encheram-mo de fel, e tédio, e alma, Tive, em paga do amor, riso de infama... Ai!, pobre coração!, quão tolo eras! Dobrei-me da razão às leis austeras; Quis moldar-me ao viver que o mundo ama O escárnio, a detração me suja a fama, E a lei me pune as intenções severas. Cabeça e coração senti sem vida, No estômago busquei uma alma nova E encontrá-lo pensei... Crença perdida! Mulher aos pés o coração me sova; Foge ao mundo a razão espavorida; E por muito comer eu desço à cova! Bem se vê que o soneto era o da morte. Um grande merecimento tem ele: é ser o último. (Pág 105)

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Para entender esta sátira romântica de Castelo Branco, primeiro precisamos ter ciência de que a história é contada em primeiríssima pessoa pelo personagem principal Silvestre, então podemos afirmar que, este é um livro dentro de um livro.

Esta obra literária traz uma reflexão acerca dos relacionamentos e dos tipos de romances existentes nos dias de hoje na vida das pessoas, e nas mais diferentes formas de se apaixonar: Pelo olhar, pelo desejo, pela paixão, pela razão e claro, pelo estômago.

O livro é extremamente engraçado, porém, trágico. Você tem grandes chances de se encontrar no lugar de Silvestre em busca do amor verdadeiro, afinal, ele fracassa em todas elas.

Para uma análise mais profunda deste livro, leia este artigo.
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