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[CRÍTICA] Incêndios

Direção: Denis Villeneuve
Roteiro: Denis Villeneuve, Valérie Beaugrand-Champagne
Ano: 2010
Gênero: Drama
Avaliação: 05/05
Canadá. Jeanne (Mélissa Désormeaux-Poulin) e Simon (Marwan Maxim) são irmãos gêmeos e acabaram de perder a mãe, Nawal Marwan (Lubna Azabal). Eles vão ao escritório do notário Jean Lebel (Rémy Girard) para saber do testamento deixado por ela. No documento, Nawal pede que seja enterrada sem caixão, nua e de costas, sem que haja qualquer lápide em seu túmulo. Ela deixa também dois envelopes, um a ser entregue ao pai dos gêmeos e outro para o irmão deles. Apenas após a entrega de ambos é que Jeanne e Simon receberão um envelope endereçado a eles e será possível colocar uma lápide. Só que Jeanne e Simon nada sabem sobre a existência de um irmão e acreditavam que seu pai estava morto. É o início de uma jornada em busca do passado da mãe, que os leva até a Palestina.

O cineasta canadense Dennis Villeneuve vem ganhando cada vez mais fãs depois de grandes filmes como: “Os Suspeitos”, “Sicário – Terra de Ninguém”, “O Homem Duplicado” e o mais recente “A Chegada”.
O que poucos sabem, é que antes do cineasta ir e fazer seu nome em hollywood ele já tinha feito alguns ótimos trabalhos muito poucos divulgados no mundo cinematográfico. Entre eles, o filme franco-canadense de 2010 “Incendies” ou “Incêndios”, esse que viria a mudar para sempre a minha vida depois de assisti-lo.

Incendies é um filme franco canadense de 2010, do gênero drama e mistério dirigido por Dennis Villeneuve e roteirizado pelo mesmo, baseado numa peça de Wajdi Mouawad. É importante ressaltar nessa critica que esse é um filme para poucos, um filme difícil de digerir e só para aqueles que estão dispostos a sofrer por algumas horas e quem sabe por algumas semanas após vê-lo.
O filme gira em torno de dois irmãos gêmeos chamados Jeanne (Mélissa Désormeaux-Poulin) e Simon (Marwan Maxim) que acabam de receber a noticia de que sua mãe morrerá. Eles são chamados para ir até o escritório do notório Jean Lebel (Rémy Girard) para saber do testamento deixado pela mãe.
Ao abrir o documento, existem três cartas: uma destinada a ambos os filhos e outras duas destinadas a cada um. Em uma, Nawal pede aos filhos que seja enterrada na terra, sem caixão, nua e de bruços, sem que haja qualquer lápide sob seu túmulo. No envelope de Simon, existe uma carta pedindo para que o mesmo encontre o pai deles, e na de Jeanne, uma carta pedindo para que ela encontre o outro irmão deles. Acontece que até então, Jeanne e Simon nada sabiam a respeito de um irmão e acreditavam que seu pai estava morto. E somente após a conclusão de tudo isso poderia enterra-la de forma adequada.
Interessante ponto a ser destacado, é que a ligação entre os gêmeos são bem difusas uma da outra, as ideias nunca batem, Simon possui uma personalidade bem mais forte enquanto Jeanne procura sempre manter o equilíbrio das coisas, não obtendo muito sucesso por se envolver emocionalmente muito fácil.

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Se tem algo que Villeneuve é especialista, é em tirar grandes emoções de seus espectadores através de gestos e olhares, e nesse filme não é diferente. As cenas assustam com tamanha realidade, planos médios e planos sequência transitam entre diálogos às vezes assombrosos e misteriosos, deixando-nos cada vez mais curioso, por mais que o ritmo do filme para alguns é considerado lento, a curiosidade mantém o espectador vidrado até o final.
A partir disso, começa uma árdua busca pelo passado sofrido da mãe, esse que revelará coisas que até mesmo aquele que não tirar o olho da tela por um minuto irá perceber, revelações inimagináveis, que nos fazem engolir seco a cada nova cena. Recheado de elementos investigativos, o filme nos leva a uma viagem para a palestina, terra de origem da mãe dos gêmeos, explorando a cultura e religião de forma construtiva para a trama.
Paralelamente, a trama nos leva para alguns anos atrás, mostrando toda a trajetória de Nawal e uma clássica e consagrada cena envolvendo um ônibus e uma garotinha judia (ou islâmica, a trama não revela), que cá entre nós, uma das cenas que mais me assombra até os dias de hoje, muito mais intenso e tenso do que qualquer filme de terror.
Lubna Azabal, a atriz belga, revela uma enorme dedicação ao seu complexo papel que ela, mesmo não estando presente durante o filme todo, sustenta a trama juntamente com o trabalho do diretor. É incrivelmente brilhante – e ao mesmo tempo atordoante – ver a transformação de sua personagem ao longo das décadas, a decadência não só física, mas mental, é perceptível nos olhos dos telespectadores.

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As atuações do restante do elenco, exceto pelos gêmeos interpretados por Maxim Gaudette e Mélissa Désourmeaux – Poulin, são atuações no geral bem fracas, pois afinal esse é um filme de baixo orçamento, logo não podia-se ter um elenco de ponta.
Como esse é um filme muito pouco conhecido, exceto por aqueles que realmente amam o cinema, eu não vou dar Spoiler, porém não posso finalizar a critica sem falar um pouco sobre o final.
E olha...o final do filme é simplesmente desesperador e doloroso, é um momento daqueles de dar um nó na garganta e no coração, um soco forte na boca do estômago que irá explodir sua mente. Acho que de longe foi a melhor revelação de um segredo que eu já vi em alguma obra cinematográfica, impulsionados pelas intensas atuações do trio (Lubna Azabal,  Maxim Gaudette e Mélissa Désourmeaux – Poulin) que ajudaram muito. Fiquei tão extasiado e desorientado que precisei voltar a cena e ver novamente, pois eu não conseguia acreditar. Inacreditável.

Porém, o forte do filme não é apenas seu final, não estamos falando aqui de tramas cuidadosamente construídas em prol do plot twist final como nos filmes de M. Night Syamalan, Incêndios vai muito além disso, é um primor do roteiro, da direção, da fotografia e da arte do cinema.
O momento final é apenas a cartada do diretor, a forma de encerrar com chave de ouro, uma espécie de coroação e critica indireta a complexidade do Líbano, onde mudanças de aliança, mortes em massa, perdas e conflitos foram constantes durante muitas décadas. Incêndios é um filme imperdível, ponto final.


 @Augusto Gattone
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