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O riso dos outros - Pedro Arantes


Qual a definição do que se é engraçado? Qual o limite do humor? Existem barreiras para fazer piada de uma situação constrangedora, de uma limitação alheia, seja ela monetária ou física? Qual o limite do humor? São questões como esta que o documentário "O riso dos outros" procura responder.

Como algo que pode deixar alguém frustrado ou furioso pode se transformar facilmente em uma piada que fará milhares de pessoas rirem durante um show de stand up? A verdadeira definição do humor é que ele é trágico demais para se ser engraçado, porém, ele também é caricato e carrega em si as essências que todos enxergam, mas que nem todos abordam - Transformar o cotidiano em um texto de Stand Up é um dos maiores obstáculos nos dias de hoje. O verdadeiro humor trabalha com o que é trágico, com o que se é destrutivo para muitos, ele não é somente uma forma de despertar o riso, mas também reflexão.


Quando se avista alguém caindo em algum lugar na rua, a nossa primeira reação é rir, e isso se deve a dois fatos: 1. Porque aquela pessoa não morreu, e de alguma forma despertou o riso, e 2º Porque não é você. Então podemos afirmar com toda certeza que o humor também trabalha com a ausência da compaixão. O humor trabalha com assuntos sérios, pornográficos, imorais, difíceis de se debater durante uma conversa, mas que todos aceitam no palco, mas não na rua. O humor dito de forma direta, clara e objetiva revela que as pessoas aceitam mais suas limitações, defeitos e problemas de uma forma esclarecedora e reflexiva durante um texto de stand up que pode ou não refletir questões que estejam ou não ligadas ao cotidiano daquela pessoa.

De acordo com o cartunista Diemer: 

É uma regra o humor trabalhar contra as minorias, o humor sempre trabalhou com os problemas, com a truculência.

Diemer

"O humorista não é responsável pelas mazelas da sociedade. O humorista apenas coloca em pauta direta à sua maneira aquilo o que já se está claro. Então é errôneo culpar o humorista por fazer piada com determinados problemas da sociedade."

De acordo com o deputado e ativista Jean Wyllys:

"É Curioso que a piada homofóbica, a onde o gay é sempre o subalterno, seja sempre contada apenas por heterossexuais. Em nome de toda a liberdade do humor, a gente não pode achar que toda piada é válida, que tudo é HUMOR"


Já Danilo Gentili diz que "toda piada tem um alvo":

Toda piada tem um alvo, se você me disser uma piada, eu irei identificar o alvo na sua piada. O alvo pode ser um objeto, um país, uma pessoa, uma etnia, uma religião.


Porém, cabe aos autores das piadas identificar claramente o alvo e o contexto redigido no stand up. Alguns, acabam se dando extremamente mau por explicitar uma determinada opinião em um show de stand up, como por exemplo, Rafinha Bastos já sofreu sérias consequências por fazer piadas acerca do estupro - A piada lhe rendeu vários processos, e claro, uma enxurrada de protestos do movimento feminista, inclusive na frente do "comedians".

Algumas das matérias pela internet que relatam a acontecido com relação a piada de Rafinha Bastos

Charge do cartunista "Diemer"
Afinal, quem não pode dizer o quê?

De acordo com o humorista Mauricio Meirelles: "Ser politicamente correto é o mesmo que dar defesa a alguém que não precisa daquela defesa". As pessoas que costumam reclamar sobre os tópicos dentro de um texto de stand up que é basicamente humor, é considerada careta por querer defender pontos que não necessitam de uma vista grossa, visto que, todos os pontos já existiam antes do texto. O stand up não tem como função debochar ou destruir uma imagem, mas sim criar uma visão transformadora daquela "desgraça", daquela realidade em uma comédia. Humoristas não riem das desgraças, eles riem juntamente com elas, porque se é destrutivo demais para se ser engraçado, mas as coisas são assim.

Já outro humorista retruca:

 "Se você quer eliminar as palavras preconceituosas, que você comece então, eliminando o preconceito"

A liberdade, também tem seus limites. E você, o que acha, qual o limite do riso?  Assista o documentário completo, e tire suas conclusões:

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