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Divas suicidas: Virginia Woolf e Sylvia Plath


SYLVIA PLATH. IMAGEM DA INTERNET



O suicídio tem sido um problema constante diante da nossa sociedade, dados da Organização Mundial da Saúde estimam que em 2020 cerca de 1,53 milhões de pessoas no mundo, morrerão por meio do suicídio, o que representa um caso de morte a cada 20 (vinte) segundos.

Contudo, o que geralmente leva uma pessoa a se suicidar?

Sentimentos como dor e impotência, por exemplo são o que nos casos mais específicos levam uma pessoa a tirar a própria vida. Viver não é difícil, o difícil é saber viver, já dizia um ditado popular. Grande parte das pessoas não tem a capacidade de lhe dar com perdas e com situações difíceis em suas vidas. Mas cada ser humano é feito de particularidades próprias, e cada caso é um caso. Ninguém está livre de sus próprias emoções e medos, sejam quais forem seus temores, seja qual for a sua profissão: médico, advogado, professor, escritor.

No mundo literário, alguns dos escritores mais importantes da literatura mundial tiveram as suas vidas tiradas pelas suas próprias mãos, é o caso de Ernest Hemingway, Jack London e Primo Levi. Todavia, neste texto eu queria destacar duas grandes escritoras, que produziram obras brilhantes, inclusive voltadas para a introspecção do ser humano e que em determinado período decidiram abandonar o mundo em que viviam, dando cabo da própria vida.


Virginia Woolf



VIRGINIA WOOLF. IMAGEM DA INTERNET



A história de Woolf não é segredo para quem quer que seja, inclusive por ter sido retratada no filme "As Horas" (2001, Michael Cunningham, Stephen Daldry), e também pela sua vasta obra que compõem os mais belos textos da literatura mundial.

Nascida em 25 de Janeiro de 1882 em Londres no seio de uma família de alta sociedade, Virginia Woolf se suicidou no dia 28 de Março de 1941 em Lewes. Ela vestiu um casaco, encheu seus bolsos com pedras e entrou no Rio Ouse, afogando-se. Seu corpo só foi encontrado no dia 18 de abril.



Em seu último bilhete para o marido, Leonardo Woolf, Virginia escreveu:



Querido,

Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por novos tempos difíceis. E não quero revivê-los. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Portanto, estou fazendo o que me parece ser o melhor a se fazer. Você me deu muitas possibilidades de ser feliz. Você esteve presente como nenhum outro. Não creio que duas pessoas possam ser felizes convivendo com esta doença terrível. Não posso mais lutar. Sei que estarei tirando um peso de suas costas, pois, sem mim, você poderá trabalhar. E você vai, eu sei. Você vê, não consigo sequer escrever. Nem ler. Enfim, o que quero dizer é que é a você que eu devo toda minha felicidade. Você foi bom para mim, como ninguém poderia ter sido. Eu queria dizer isto – todos sabem. Se alguém pudesse me salvar, este alguém seria você. Tudo se foi para mim mas o que ficará é a certeza da sua bondade, sem igual. Não posso atrapalhar sua vida. Não mais. Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos.

V.



CARTA ESCRITA A MÃO POR VIRGINIA WOOLF
IMAGENS DA INTERNET


Virgínia conviveu por muito tempo com crises de depressão, e neste dia, acometida pelos seus antigos fantasmas se foi. A obra dela ainda hoje é um marco, considerada inovadora e marcada por um intenso fluxo de pensamentos que pode ser claramente percebido nas obras As Ondas (1931) e Mrs Dolloway (1925).




Sylvia Plath




SYLVIA PLATH. IMAGEM DA INTERNET

Ao contrário de Woolf, Sylvia nasceu em terras norte americanas, precisamente em Massachusetts em 27 de outubro de 1932, deixando a sua vida em 11 de fevereiro de 1963.

Sylvia era poeta, romancista e modelo de uma beleza estonteante. Seu único romance A redoma de Cristal (1971) de cunho autobiográfico dá pineladas sobre a sua própria vida e as suas inquietações, culminando inclusive em um suicídio.

A morte do pai de Sylvia Plath quando ela tinha oito anos deixou-a, nas palavras do poema “The Colossus” [“O Colosso”], “casada com a sombra”. Ao cometer suicídio aos 30 anos, Plath deixou viúvo Ted Hughes, o marido que a abandonara.

Muitos culparam Hughes, futuro poeta laureado da Inglaterra, pela morte da esposa. À época, ele estava tendo um caso com uma amiga em comum que acabou ela própria cometendo suicídio.

Em seu livro de poema Ariel, Sylvia deixa inclusive alguns textos que fazem claramente referência a infidelidade do marido e a identidade da sua amante.

Antes da sua morte Sylvia ainda escreveu dois belíssimos e agonizantes poemas, um deles chamado de “Balões” fala sobre uma perda, mas há certa docilidade no ato de perder, já o segundo poema “Limite”, que parece ser um complemento do poema, fala de um corpo já morto e do fato de ainda existir vida ali, mas que aos poucos se esvai.

Abaixo os poemas:



Balões

Desde o Natal estão com a gente,
Claros e inocentes,
Bichos de alma oval,
Tomando metade do espaço,
Movendo e roçando sua seda
Invisível, o ar os leva,
Gritando e estourando
Quando feridos, murchando até o fim, em convulsão.
Cabeça de gato amarela, peixe azul –
Em vez de uma mobília velha
Com que luas estranhas convivemos:
Esteiras, paredes brancas,
E estes globos peregrinos
Cheios de ar leve, verde ou vinho,
Divertindo
O coração como desejos ou pavões
Livres, abençoando
O antigo chão com suas penas
Folheadas em metal.
Seu irmão caçula
Está fazendo
O balão miar feito um gatinho.
Parece ver
Do outro lado um mundo cor-de-rosa, comestível,
Ele morde.

Limite

A mulher está perfeita.
Seu corpo
Morto enverga o sorriso de completude,
A ilusão de necessidade
Grega voga pelos veios da sua toga,
Seus pés
Nus parecem dizer:
Já caminhamos tanto, acabou.
Cada criança morta, enrodilhada, cobra branca,
Uma para cada pequena
Tigela de leite vazia.
Ela recolheu-as todas
Em seu corpo, como pétalas
Da rosa que se encerra, quando o jardim
Enrija e aromas sangram
Da fenda doce, funda, da flor noturna.
A lua não tem porque estar triste
Espectadora de touca
De osso; ela está acostumada.
Suas crateras trincam, fissura.




Além de Sylvia e Virginia, outras escritoras e escritores se entregaram o suicido, na tentativa de amenizar o que viviam, ou por pura e simples covardia (ou coragem) de estarem vivas. 


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