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Dois dedos de prosa com Jander Gomez

REPRODUÇÃO

Jander Gomez (30) é autor, romancista e poeta Sul Mato-grossense. Autor do livro RE+COMEÇAR, Jander conquistou uma legião de fãs pela cultura e literatura LGBT. Em suas páginas, o autor trás uma série de questionamentos, pensamentos e acontecimentos verídicos em uma ficção young adult. E é com ele com quem teremos HOJE, dois dedos de prosa. 

Conhecendo um pouco mais sua obra: 



A narrativa conta a história de um jovem homossexual em busca de um novo começo. RE+começar traz em seu enredo histórias sensíveis, mesclando situações cotidianas e reflexões sobre a sociedade atual. A história do livro se passa/acontece em cidades diferentes, como duas visões de um mesmo mundo. Toda a trama se desenvolve com a mudança de Roger, de Campo Grande(MS) para Brasília(DF), onde ele conhece o amor e o perde para a morte. Dois anos após o trágico acontecimento que marca a vida do personagem, ele decide reencontrar suas origens, família e amigos de juventude. Em 21 dias Roger entrará em um turbilhão de emoções que o levarão a descobrir sua identidade, seus anseios, e a possibilidade de viver um recomeço. RE+começar é uma história de enfrentamento ao preconceito, de superação e, acima de tudo, de amor.
Você também pode ler nossa resenha para obter mais informações acerca desta obra.

Redação: RE+COMEÇAR não é um simples livro, ele traz um misto de ensinamentos que podem ser valiosos para todo e qualquer leitor que quiser se aventurar em suas páginas. Quando você iniciou a escrita do livro, você já tinha uma linha de pensamento traçada acerca dos acontecimentos, ou você simplesmente foi escrevendo e foi acontecendo naturalmente com o desenvolver?

Jander: Bem, primeiro obrigado pela oportunidade em responder a entrevista. RE+começar surgiu da necessidade de externar os medos de muitas pessoas em relação a si próprio e ao meio que a cerca. Esses pensamentos em sua grande maioria nasceram no decorrer da escrita e muitos eu tinha em cadernos rabiscados. 

ACERVO PESSOAL/JANDER GOMEZ
Redação: O livro é completamente fictício, alguns dos fatos descritos em seu enredo são verídicos? ou melhor dizendo, inspirados na realidade? 

Jander: Eu sempre respondo essa pergunta levantando uma questão: O que é realidade e o que é ficção para um autor de romances? Eu me baseei em algumas das situações apresentadas, no nosso dia a dia; em especial a do Andrey. Mas se colocarmos em números, o livro é 80% história irreal.

Redação: A escrita aborda um tema muito recorrente nos dias atuais que é a homofobia, porém, do início ao fim do livro a intensidade do assunto se intensifica de personagem para personagem, não tornando a escrita banal ou previsível. Essa é uma proeza das grandes se tratando de um livro LGBT. A necessidade da escrita acerca deste tópico nasceu apenas nos rascunhos ou de experienciais reais? 

Jander: Eu não tive o descontentamento de passar por experiências homofóbicas e se passei, ignorei a pobreza de espírito de quem me menosprezou por ser gay. Contudo eu tive amigos e conhecidos que passaram por isso e que essas experiências resultaram ou em tratamentos intensos a base de medicamentos ou, como foi em um dos casos, em suicídio. A necessidade de falarmos sobre homofobia é latente em uma sociedade que a cada dia que passa perde seus valores humanos, amorosos e empáticos. Esse foi o motivo essencial do livro. Levantar esse debate de que a homofobia existe, é real e precisa ser tratada.

Redação: Uma qualidade excepcional na sua escrita é o lado gay que as pessoas fazem de conta não existir, "o lado normal". Você mostra com clareza o cotidiano dos personagens além de sua sexualidade, e isso é maravilhoso e transformador.

Jander: Obrigado pelo elogio. Mas ser gay é isso mesmo. Ser quem você é. Nós não somos e nem temos nada de diferente de ninguém. Somos normais. A homossexualidade é natural do ser humano. Só os humanos que ainda não entenderam isso.

Redação: Quando começou a escrita, qual era o real intento com o livro? E que experiências você a escrita trouxe para sua vida?Existe alguma mensagem nas entrelinhas entre o relacionamento do protagonista (Roger) e sua mãe? 

Jander: O livro me ensinou que nem todo mundo está preparado para entender o amor. Eu notei isso em muitas críticas que recebi ao longo de um ano com o livro. Foram comentários que em alguns momentos eu repensei a necessidade da pessoa ter dito. Isso só provou que ele é necessário para aqueles que ainda não entenderam e nem sequer quiseram entender nossas diferenças humanas. Prova disso é exatamente a mãe do Roger. Ela é aquela mãe que entende e ama acima de tudo. E se há uma mensagem nessas entrelinhas, é exatamente essa: Mãe é incondicional.

Redação: Pretende usar a mesma linha de raciocínio para um projeto futuro?

Jander: Ponto Cego tem o mesmo estilo de escrita. Para outros projetos não tenho certeza. A única certeza que tenho é que sempre levantarei essa bandeira.

Redação:O enredo descreve a decisão de Roger de sair de Campo Grande para residir em Brasília por medo de represália dos pais por sua condição sexual, porém, narra também um abuso sofrido pelo mesmo quando mais jovem. Por que optou por este caminho para desenvolver a história do personagem principal?

Jander: Por ser a realidade dentro de muitas famílias. Sabemos a todo instante de casos de jovens que optam por abandonar o conforto de seus lares para evitar conflitos e represálias contra si. Roger é um desses jovens que por mais que tivesse uma estrutura familiar boa – uma vez que ele descobre isso mais tarde – ele se isenta desse risco. Sem contar que ele buscava a sua liberdade, ser quem ele era de verdade.

Redação:Tanto o personagem quanto você autor, residem em Brasília, Esta informação teve influência baseada em sua vida?

Jander: Como eu já disse em algumas entrevistas, preferi me basear em lugares que eu conheço e que posso falar com propriedade a imaginar cenários de locais que nem sequer passei ou conheci. Por exemplo, eu acho desnecessário quando o autor tem tantas belezas para escrever sobre sua localidade, mas prefere escrever sobre uma região, cidade ou país que nunca sequer colocou os pés. Por isso, escrevi sobre Campo Grande e Brasília.



Redação: O livro ganhou uma segunda edição com uma capa melhorada. Qual o motivo de alterar a capa? O que o levou a tomar essa decisão? Ambas as versões estarão disponíveis para compra?

Jander: Vamos por partes, igual o Jack. Penso que a capa da primeira versão não foi condizente com a história do livro. Acredito que poderia ter sido melhor. Porém, por uma questão contratual não tive como opinar na criação. Quanto a nova versão, tive como opinar e trabalhei com o criador, Pablo Luiz, em todas as etapas. Sem contar que o miolo do livro tá muito mais bonito. E não, a primeira versão de capa, não será mais comercializada.

Redação: A sinopse/resumo do livro só está disponível na orelha do livro, a capa leva um comentário feito por um jornalista, o que deixa o livro ainda mais misterioso. Qual o motivo que o levou a substituir uma sinopse que seria mais objetiva pelo comentário de um jornalista?

Jander: Na versão nova só há na contracapa a sinopse do livro. Nas orelhas uma minibiografia e o comentário jornalístico. A substituição deu-se para deixar o livro mais comercial e menos restrito. Afinal, ele é um livro comercial.

Redação: De todas as pessoas que leram a obra, quantas REALMENTE entenderam o enredo? Teve algum feedback em especial que o motivou a continuar escrevendo?

Jander: RE+começar é um livro que se realmente você não sentar com calma você não entende as entrelinhas. Eu tive mais de mil leitores – mais de mil pessoas felizes – e precisar esse número seria descortês. Mas algumas dentre eles não entenderam. Quanto aos elogios, é esse o único combustível que nós autores brasileiros temos. Não é financeiro nosso retorno, porque isso no Brasil não temos mesmo; ainda mais quando iniciantes num mercado que empurra qualquer gororoba gringa fantasiada de caviar. Então o que nos resta é a boa vontade de nossos leitores com incentivos. O primeiro elogio a gente nunca esquece, mas em especial mesmo foi da minha mãe.

Redação: Você nos dias de HOJE, mudaria algo dentro do que escreveu?
Jander: Absolutamente NADA.

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Informações sobre como adquirir a obra, entrar em contato com o autor ou obter mais informações estão disponíveis em nossa resenha citada no início desta matéria.

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