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[ENTREVISTA] Ana Beatriz Manier, autora de "Ó, o Globo - A história de um biscoito"

Ana Beatriz Manier | Reprodução

Ana Beatriz Manier é tradutora, escritora e tipicamente carioca. Ana Beatriz é formada em Administração de empresas, Letras e possui especialização em língua Inglesa, literatura e tradução. Quando começou a trabalhar no mercado editorial como tradutora, decidiu publicar seu primeiro livro. Sua mais recente obra literária narra a típica paixão pelo biscoito "globo" que também é um ícone da culinária carioca. 

Influenciada pelo amor a escrita, ao biscoito e por toda sua história no mercado editorial, Ana nos conta hoje tudo sobre seu mais recente lançamento: Ó, o globo - A história de um biscoito, que terá seu lançamento oficial no dia 03/02 através da editora Valentina. 

Você pode ter acesso a outras informações relacionados à outras obras e ao evento de lançamento do livro em seu website oficial: http://www.anabeatrizmanier.com.br/

Você pode confirmar sua presença clicando aqui.

Como nasceu o seu relacionamento com a escrita?

Apesar de sempre ter sentido facilidade para escrever e de ter tido uma fase de escrita poética durante a adolescência (Quem nunca? Risos), minha relação com a escrita passou a se dar de forma sistemática através da tradução.  Há 15 anos trabalhando como tradutora de romances em língua inglesa, fui percebendo como acontecimentos corriqueiros podem se transformar em boas histórias e como boas histórias devem ser estruturadas para se tornarem textos  interessantes e publicáveis. 

Outra coisa que aconteceu via tradução, foi a vontade de recriar o texto do outro,  ou seja, a vontade de mexer no texto do autor que eu traduzia. Claro que algumas interferências são necessárias na passagem de um idioma para outro, mas eu sentia ímpeto de ir além (o que não é das características mais louváveis em um tradutor...). Então, no meio desse caminho, comecei a escrever num Blog de escrita de colegas da faculdade de Letras. Escrevia contos e crônicas uma a duas vezes por mês e daí não parei mais.

Seu primeiro livro é uma biografia, a biografia do biscoito carioca globo. O que a levou escrever sobre a história do biscoito?

Na verdade, meu primeiro livro foi o infantil Astrobeijo, lançado em 2011 pela editora Cubzac e adotado por algumas escolas. Depois, concluí o romance Mamma: uma história de amor na terceira idade, mas não publicado ainda − já recebi propostas para lançá-lo, mas sabe aquele livro que você custa a considerar pronto? Esse é um deles! Sempre tenho alguma coisa a acrescentar ou tirar. Depois escrevi outro infantil Não fosse um repolho... que saiu apenas em e-book, mas que sairá impresso este ano. E então, finalmente, a biografia do biscoito Globo. 

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O que me levou a escrever a história do biscoito Globo foi uma memória afetiva muito forte. Nasci em Niterói e sempre fui muito ao Rio de barcas. E nessa travessia,   além da beleza da baía da Guanabara,  tinha o Biscoito Globo. Isso, para mim, era quase um ritual: barcas, paisagem, biscoito. Depois, dos seis para os sete anos, me mudei para o Rio Grande do Sul, voltando sempre uma vez ao ano para visitar a família. Quando eu voltava, os pacotinhos de biscoito vendidos pelos ambulantes logo me diziam que eu estava em casa de novo. E isso se repetiu durante anos.

Quais foram suas influências e incentivos para realização desse livro?

Sou leitora de biografias, gosto de ler histórias sobre pessoas e lugares. Senti vontade de fazer o mesmo e me matriculei em um curso rápido sobre a arte da biografia na Estação das Letras (uma escola de literatura no Rio). Lá, ouvindo a experiência do biógrafo, me encantei com o trabalho dele e com a perspectiva de tentar fazer algo do gênero. 

O seu livro possui duas versões: A doce e a salgada, porém, ambos são livros que falam sobre a história do biscoito globo até tornar-se o ícone da culinária carioca. Qual a principal diferença entre um e outro?

Não há diferença nenhuma entre eles, os dois têm o mesmo conteúdo. A (super) ideia de duas capas  foi da  editora Valentina, porque os Biscoitos Globo são vendidos em dois sabores  e têm adeptos e defensores para cada um. Há quase uma rixa entre os apreciadores de um sabor e outro! (Risos)  Uns dizem que o salgado é melhor, outros, indignados, dizem que é o doce. Par agradar gregos e troianos... Salgado e Doce!

Como surgiu a ideia de publicar o livro através da editora Valentina?

Quando me formei tradutora, trabalhei dois anos para a Reader’s Digest, traduzindo artigos, entrevistas, reportagens. Embora eu adorasse a Reader’s, eu queria traduzir romances. O Rafael Goldkorn (hoje Publisher da Valentina, na época Editor  da Bertrand) foi a primeira pessoa para quem traduzi meu primeiro romance (isso aconteceu por volta de 2003). Além do vinculo profissional e de amizade que que se formou entre nós, vi nele o típico editor carioca que toparia lançar a história do BG. Acertei.

O que os leitores que estão conhecendo seu livro neste exato momento devem esperar do livro? E o que não?

Eles devem esperar mais uma história, menos uma biografia. Acho que o termo “biografia” cria expectativas de mais dados, fatos e fotos do que realmente aparecem no livro. A história do Biscoito Globo não tem praticamente nenhum registro formal, exceto a memória de seus donos. E essas memórias precisaram ser exercitadas e checadas o tempo todo, para que tudo saísse dentro de uma ordem cronológica coerente. Ciente disso, a narrativa foi construída de forma leve, descontraída, sem formalidade, unindo a história da família e do produto ao humor carioca daqueles que vendem, compram e amam esse biscoito considerado Patrimônio Cultural Imaterial de uma Cidade.

O lançamento oficial do seu livro acontecerá no dia 3/02 deste ano. Como está sua expectativa em relação o evento?

A expectativa é muito boa, pois  vou contar ao povo carioca  um pouco da história desse xodó que é BG. Claro que rola um pouco de ansiedade também: Vão gostar do livro? Não vão? Com tanta divulgação nas mídias, qual será a expectativa do leitor? Mas isso é normal, e não há, no mundo, trabalho sem risco.

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Já iniciou a pré-venda do seu livro. Você já fez a apresentação da sua obra em grupos literários, reuniões e projetos da editora, ou todas as informações serão divulgadas apenas no dia do lançamento?

Já dei várias entrevistas para revistas,  jornais, rádios  e televisão, e acho até que muita coisa já foi divulgada. Até demais! (Risos) Ainda não falei para grupos literários, o que só vai acontecer depois do lançamento.

O que você mais gostou de ter conhecido durante a execução do seu livro?

Adorei conhecer as histórias das famílias Ponce e Torrão, e teria sido um prazer imenso ter podido me estender mais sobre elas, mas não pude, para não perder o foco do principal, que era o biscoito. A forma que elas têm de gerir a empresa é também muito bacana: é o simples que dá certo. 
Gostei muito também das entrevistas com os vendedores ambulantes e espero conseguir derrubar alguns preconceitos com elas.

O que você diria para os leitores que estão te conhecendo neste momento, e qual a dica você considera valiosa para quem deseja publicar seu primeiro livro?

Para os leitores? Bem, que espero que eles gostem do livro! (Risos) E que vejam como o sucesso de um negócio depende mais de determinação e insistência de seus gestores do que de outros tantos fatores externos. Anos atrás, li no jornal uma frase sobre empreendedorismo que me marcou: “Há mais gente que desiste do que negócios que fracassam.”

Para quem deseja publicar seu primeiro livro? Caramba, vamos lá:

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Não dê asas ao seu ego, isso é um perigo. Livro é como filho, e não há quem não ache o filho lindo. Para não cair nessa armadilha, dê seu original para outras pessoas lerem, mas que essas pessoas sejam críticas e profissionais. Normalmente parentes e amigos tendem a dizer “adorei”, mesmo quando não adoraram ou quando o livro não é bom. É preciso ter uma opinião neutra, de quem entende do assunto, e é preciso saber ouvir críticas. Engula o sapo de críticas negativas e aprenda com elas. São ótimas, pode acreditar. 

Depois do livro considerado pronto por você, submeta-o também a um trabalho de edição e de revisão de português por profissionais competentes, para que seu original fique o melhor possível. Perfeito ele nunca será, porque é impressionante como sempre passa um erro ou outro. É caro? Sim e não. Mas se você tem o sonho de ser escritor, sonhos merecem investimentos.

Certamente o seu primeiro livro (a não ser que você tenha feito um trabalho muito promissor) não será totalmente bancado por uma editora, e não há qualquer problema em relação a isso, desde que o preço cobrado seja um preço justo e que você receba tudo o que foi prometido.  
Mas tome cuidado com a editora que escolher. Há muitas, infindáveis, gráficas travestidas de editoras, que só tirarão dinheiro do escritor e nada farão pelo livro dele.  “Seu livro ficará à venda no site da editora” é o mesmo que nada. Se você é um escritor desconhecido, ninguém vai te buscar no Google ou no catálogo de uma editora. 
Escolha a editora que fizer uma leitura crítica do seu livro e que, junto com qualquer proposta,  te apresente um plano de divulgação: palestras, eventos, feiras.  
Negocie com ela valor, forma de pagamento e porcentagem diferenciada. Algo mais ou menos assim: esforço de venda da editora, porcentagem X para o autor; esforço de venda do autor, porcentagem maior para ele.
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