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Lana Del Rey, à última "beat" viva


LANA DEL REY
IMAGENS DA INTERNET


Elizabeth Woolridge, ou como é conhecida popularmente no mundo Lana Del Rey, é uma cantora norte americana de música pop contemporânea, nascida e criada em Nova Iorque. Dotada de uma beleza decadente, que a remete a antigas estrelas vintages do cinema mudo, Del Rey faz um som quase que experimental dotado de melancolia e de uma espécie de vertigem depressiva.

Suas letras são fortes e carregadas de sensibilidade e uma percepção aprofundada do mundo e de si mesma. Ela passeia por estilos musicais, desde o pop, ao R&B, ao Hip hop, e até mesmo arranjos mais voltados para a música clássica repleta de violinos e violoncelos que aprofundam o seu tom poético suicida.

No entanto, apesar de poder ser considerada por muitos, apenas mais uma cantora pop, que não quer carregar esse título, e que diz querer inovar ou revolucionar a industria musical, Lana tem mais que isso, ela tem um conteúdo poético que a segue, sugerindo influências desde a Walth Whitman à Allan Ginsberg.

Em seu primeiro álbum que fora até agora o seu de maior sucesso, Lana trouxe-nos uma roupagem completamente diferente para o que se tinha ouvido de música até ali. Carregada por sinfonias contagiantes e lúgubres, desde uma Born To Die que afirma categorigamente que a nossa única vocação é morrer, até uma Dark Paradise que fala de um amor doentio, que por mais que a machuque é do que ela precisa.

Todavia, a personalidade poética regada de influências maravilhosas de Lana Del Rey só ganhou destaque a partir do relançamento do seu àlbum com o título de Paradise Edition.

Neste álbum, composto por nove faixas, é possível prestar atenção à uma delas que tem o título Body Electric, que na tradução literal significa Corpo Elétrico.

Para quem é conhecedor das artes e da literatura notar a influência de um grande poeta nesta letra é coisa fácil. Trata-se de Walt Whitman e do seu maravilhoso livro “Folhas de Relva”, nesse livro compostos por poemas gigantescos e de versos livres, quase em prosa, Whtiman faz um investigação mais que aprofundada sobre ele mesmo e o mundo, té que chega há uma parte em que diz “eu canto o corpo elétrico”, que por incrível que pareça é o próprio refrão da música de Del Rey.


I sing the body electric.


Abaixo um trecho do poema de Whitman:



Eu canto o corpo elétrico.
As legiões daqueles a quem amo me envolvem e são por mim envolvidas,
Pois não me largarão enquanto eu não for com eles e atendê-los,
E purificá-los e vigorizá-los inteiramente com o vigor da alma.
Há quem duvide de que todo aquele que perverte o corpo esconde a si mesmo?
E de que todo aquele que profana os vivos seja tão perverso quanto quem profana os mortos?
E se o corpo não valer tanto quanto a alma?
E se o corpo não for a alma, o que será a alma?



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E vocês acham que a Lana para por aí. Como se não bastasse nos maravilhar com o àlbum, foi extraído dele um curta metragem chamado Trópico, que além de trazer referências artísticas de todos os âmbitos, nos levou a perceber quem realmente era Lana Del Rey. Ela é Beat!

A geração ou movimento beat é um termo usado tanto para descrever um grupo de norte-americanos, principalmente escritores e poetas, que vieram a se tornar conhecidos no final da década de 1950 e no começo da década de 1960, quanto ao fenômeno cultural que eles inspiraram.

E é dentro desse cenário extravagante e subversivo que Lana Del Rey, ela própria recita no seu curta metragem “eu canto o corpo elétrico”. Mas isso ainda é pouco para o que vem depois. Lana Uiva!

Howl (uivo) é o principal poema/livro que fez parte do movimento Beat. O cabeça do movimento Allen Ginsberg, que inclusive foi interpretado competentemente por Daniel Heathcliff no filme Kill Your Darlings escreveu o maior poema manifesto que os Estado Unidos um dia sonhou em ter.



IMAGENS DA INTERNET.


Entre streapers sedutoras e falastrões endinheirados, a voz de Lana entoa o delicioso e visceral poema:


"Eu vi os expoentes da minha geração, destruídos pela
loucura, morrendo de fome, histéricos, nus,
arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa,hipsters com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato celestial com o dínamo estrelado da
maquinaria da noite,que pobres esfarrapados e olheiras fundas, viajaram
fumando sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando sobre os tetos das cidades contemplando o jazz,que desnudaram seus cérebros ao céu sob o Elevado e viram anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados das casas de cômodos,que passaram por universidades com olhos frios e
radiantes alucinando Arkansas e tragédias à luz
de Blake entre os estudiosos da guerra,que foram expulsos das universidades por serem loucos & publicarem odes obscenas nas janelas do crânio,que se refugiaram em quartos de paredes de pintura descascada em roupa de baixo queimando seu
dinheiro em cestos de papel escutando o Terror
através da parede,que foram detidos em suas barbas púbicas voltando por Laredo com um cinturão de marihuana para
Nova Iorque,que comeram fogo em hotéis mal pintados ou beberam terebentina em Paradise Alley, morreram ou flagelaram seus torsos noite após noite com som, sonhos, com drogas, com pesadelos na vigília, álcool e caralhos em intermináveis orgias,incomparáveis ruas cegas sem saída de nuvem trêmula, e clarão na mente pulando nos postes dos pólos de
Canadá & Paterson, iluminando completamente o mundo imóvel do Tempo intermediário,solidez de Peiote dos corredores, aurora de fundo de
quintal das verdes árvores do cemitério, porre de vinho nos telhados, fachadas de lojas de subúrbio
na luz cintilante de neon do tráfego na
corrida de cabeça feita do prazer, vibrações de
sol e lua e árvore no tronco de crepúsculo de
inverno de Brooklyn, declamações entre latas
de lixo e a suave soberana luz da mente, 
[…]"


ALLEN GINSBERG
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E vocês simplesmente acham que a Lana para por aí? Após o lançamento do curta trópico, ou bem antes. A artista já trabalhava no seu álbum subsequente. Adivinhem o nome, Ultraviolence (Ultraviolência).

Se vocês fizerem uma rápida pesquisa na internet vão descobrir que O termo Ultraviolência foi usado pela primeira vez no livro Laranja Mecânica para se referir a atos de extrema violência totalmente aleatórios e injustificados. Bem, mas vocês acham que parou por aí. Não, não mesmo!

Na música Brooklyn Baby que faz parte do Ultraviolence, Lana Del Rey apenas volta a nos confirmar o que nós já suspeitávamos desde o Paradise Edition, ela é influenciada pelos poetas da geração beat, e ela apenas nos confirma isso dizendo:


Well, my boyfriend’s in a band He plays guitar while I sing Lou Reed I’ve got feathers in my hair I get down to beat poetry


Tradução:

Bom, meu namorado é da banda Ele toca violão enquanto canto Lou Reed Eu coloquei penas do cabelo Eu me acabo nas poesias da geração Beat



O álbum Ultraviolence é uma obra de arte, mas o seu subsequente não fica atrás, O Honeymoon é um marco.

Em vésperas de lançar seu quarto álbum de estúdio, Lana Del Rey veio a nos apresentar uma capa, onde ela aparecia exuberante como uma antiga estrela de cinema de Hollywood. No carro onde ela ostentava toda a sua beleza havia um número de telefone, se você ligasse para esse número ouviria a Lana Del Rey balbuciando alguns versos.



Os versos em questão, que depois se tornou uma interlud do seu álbum pertencem a T. S. Eliot , um dos maiores poetas modernistas do mundo, dono de um fazer poesia só dele. O título do poema é Burt Norton, e abaixo está a tradução literal dele:



"Tempo presente e tempo futuro
São ambos, talvez presente num tempo futuro,
E o tempo futuro contém no tempo, passado.
Se todo tempo é eternamente presente
Todo o tempo é irredimível.
O que poderia ter sido é uma abstração
Remanescendo uma perpétua possibilidade
Apenas no mundo da especulação.
O que poderia ter sido e o que foi
Apontam para o mesmo fim, que é sempre presente
Passadas ecoam na memória
Pelos caminhos que nunca tomamos
Rumo as portas que nunca abrimos
Adentro o jardim de rosas.
Minhas palavras então,
ecoam em sua mente,
Mas para qual propósito
Perturbando terra numa bacia de pétalas de rosas
Não sei.
Outros ecos,
Vivem no jardim. Deveriamos segui-los?
Rápido, disse o pássaro, ache-os, ache-os
Dobrando a esquina, pelo primeiro portão
Adentro do nosso mundo primordial, vamos seguir
A trapaça do sabiá? Adentro nosso mundo primordial.
Lá estavam, dignificados, invisíveis,
Se movimentando sem pressão, sobre as folhas secas,
Na quentura do outono, através do ar vibrante
E o pássaro cantou, em resposta à
música não escutada escondida nos arbustos
E as despercebidas rosas cruzaram a visão
Tinham a aparência de flores que são observadas.
Lá estavam como nossas convidadas, aceitadas e aceitando.
Então movemo-nos, e elas, numa forma moldada,
Ao longo do beco vazio, no canteiro circular
Para olhar abaixo a poça drenar
poça seca, concreto seco, bordas marrom
E a poça estava cheia do brilho aquoso do sol
E flores de lótus ascendiam,calmamente, calmamente
A superfície cintilava do coração da luz,
E estava atrás de nós, refletida na poça
Então uma núvem cruzou, e a poça ficou vazia.
Vá, disse o pássaro, por que as folhas estão cheias de crianças,
Escondidas e empolgadas cheias de risos
Vá, Vá, Vá, disse o pássaro: Seres Humanos
Não conseguem suportar muita realidade.
O que poderia ter sido e o que foi
Apontam para um fim, que é sempre o presente".


Então há ainda dúvida de que Lana Del Rey é uma das melhores artistas da atualidade? Claro que não. E estar conectada com a poesia e a literatura, principalmente esse tipo de literatura à torna uma cantora pop e mulher muito especial.



Assista ao curta metragem "Trópico" completo:


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