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[RESENHA] A incrível cidade que apodreceu - Christian Petrizi

ISBN-13: 9788568209011
ISBN-10: 8568209017
Ano: 2014 / Páginas: 142
Idioma: português 
Editora: Cultura em Letras Edições

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Na pequena, pacata e florida cidade de Buganvilla do Manancial, há algo estranho que atormenta seus moradores. Um estranho mau cheiro toma conta da cidade, destemperando a paisagem colorida pelas buganvillas. Seus moradores se vêem envolvidos em diversas histórias pessoais, destacando um cotidiano voraz e bastante audacioso para uma cidade simples, mas que de tanto cheirar mal, acaba indo pelos ares.

A incrível cidade que apodreceu narra a vida e acontecimentos de moradores de uma pequena cidadezinha do interior chamada Buganvilla - que recebeu este nome pela quantidade extraordinária de flores buganvilias espalhada pela cidade. Uma cidade aparentemente pacata, onde todos são amigos é tomada por um odor fétido que nunca se dissipa. O odor é tão forte que causa náuseas e dores de cabeças nas pessoas que ali habitam.

O livro do autor Christian Petrizi trás uma  narrativa que envolve uma série de acontecimentos envolvendo os moradores de Buganvilla. No meio de tantos sorrisos "sinceros" e vizinhos "hospitaleiros", a cidade formava um perfeito ninho de cobras, a onde ninguém podia confiar em ninguém e todos querem saber da vida alheia - Típico de cidade de interior.

A narrativa é direta e simples, porém, complexa em sua totalidade. Petrizi nos proporciona uma forte reflexão acerca de como somos no dia-dia com nossos semelhantes. O odor fétido da cidade recebe diversas explicações fundamentadas em conversas populares e especulações aleatórias de casualidades: Um antigo cemitério indígena se encontrava no local da cidade, vazamento de esgoto e o péssimo tratamento da gestão "atual" da cidade para com os habitantes.

Confesso que no início por julgo prévio da capa e nome do livro, poderia jurar que a história fosse um terror com bastante suspenso, porém, por mais que contenha uma dose de horror em suas páginas, a história não foi escrita com este intuito.

O mais incrível em todo o contexto desta obra é a construção dos fatos e personagens neles descritos. A obra possui onze contos que narram a vida de alguns moradores que estão sempre ativos na sociedade. Durante o decorrer do livro, percebemos que, nem mesmo os fatos mais bruscos e violentos conseguem tomar por total a atenção dos moradores de Buganvilla, que se encontram desconcertados pelo odor fétido que toma conta das belas ruas floridas e coloridas de buganvílias.

A construção dos personagens é minuciosa e mostra caráter de precisão - Christian sabia de fato sobre o que iria discorrer em sua obra - narrando e contrastanto entre um cenário e outro, entre problemas e ausência da solução. O livro possui uma pegada séria, porém, a narrativa também possui trechos muito engraçados que valha muito apena compartilhar, sendo um de meus favoritos:
Por incrível que pareça, novamente dona Antonieta descobriu o corpo, numa das suas caminhadas matinais para comprar pão:̶  A senhora, heim, dona Antonieta!  ̶ Exclamou o soldado Felipe. ̶ Espero que nunca encontre comigo logo pela manhã.̶  Acho que vou passar a fazer bolo em casa. Nunca mais quero saber de comer pão. - Lastimou a senhora. (Pag 51)
Enquanto o contraste humorístico ajuda a amenizar as questões maiores do livro, a narrativa segue cativante. O livro aborda questões muito fortes ligadas em todos os aspectos possíveis da sociedade atual, que muita das vezes desprezamos ou fazemos de conta não existir. 

A narrativa de Petrizi é forte e completamente audaciosa, nos fazendo percorrer os olhos por todas as páginas e devorar seus livros em questão de horas. A incrível cidade que apodreceu não é apenas um livro que narra o cotidiano de pessoas com suas vidas limitadas em uma cidade do interior, mais é acima de tudo, uma crítica severa ao comportamento humano perante a sociedade: Fingimento, farsa, desprezo, mentiras, fofocas e falácias. Uma obra tão magnífica quanto Implacável sedução, Inexorável solidão.

O autor:





Originalmente Farmacêutico e Bioquímico de profissão, formado pela UFOP e UFJF, durante a produção da obra exerceu o cargo de Secretário Municipal de Cultura em sua cidade de origem, Patrocínio do Muriaé (MG).

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