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[RESENHA] RE+COMEÇAR - Jander Gomez


ISBN-13: 9788566179996
ISBN-10: 8566179994

Ano: 2015 / Páginas: 287

Idioma: português 

Editora: Kazuá
Avaliação: 
Onde comprar: Editora Kazuá | Loja Oficial


A narrativa conta a história de um jovem homossexual em busca de um novo começo. RE+começar traz em seu enredo histórias sensíveis, mesclando situações cotidianas e reflexões sobre a sociedade atual. A história do livro se passa/acontece em cidades diferentes, como duas visões de um mesmo mundo. Toda a trama se desenvolve com a mudança de Roger, de Campo Grande(MS) para Brasília(DF), onde ele conhece o amor e o perde para a morte. Dois anos após o trágico acontecimento que marca a vida do personagem, ele decide reencontrar suas origens, família e amigos de juventude. Em 21 dias Roger entrará em um turbilhão de emoções que o levarão a descobrir sua identidade, seus anseios, e a possibilidade de viver um recomeço. RE+começar é uma história de enfrentamento ao preconceito, de superação e, acima de tudo, de amor.


Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que recebi este livro através de uma parceria firmada com o autor. O livro narra a história de um jovem chamado Roger. Roger vive em Brasília (DF) e vê-se obrigado pela vida à passar um tempo em Campo Grande (MS) após sofrer a perda de seu companheiro Renan. 

Um trecho muito marcante que envolve o casal, destaca-se, este:


  Um dia tudo isso vai acabar, não é? — Não entendi. O que vai acabar?! — Nós! - Ele apontou para ele e em seguida para mim. Senti que ele estava triste pelo jeito como me olhava. Quando ele entristecia, seus olhos ficavam semicerrados e sua voz ficava mais carregada de manhã. — Certamente. A vida é um ciclo. Tudo que tem início, uma hora tem um fim. (Pag.55)

Em Campo Grande, Roger reencontra sua mãe e padrasto, e claro, seu amigo de muitos e muitos anos Carlos. Carlos é o tipo de amigo para todas as horas, a amizade que ele construiu com Roger é linda em todos os sentidos, mesmo tendo um "passado" (ambos já ficaram), possuem uma afinidade incrível, sem falar na forma com a qual os dois se relacionam.

Amigos nós conhecemos pelo olhar. Sabem ler em nossas rugas, o que não vemos em nosso coração. Amigo é o amor infinito para o fluir infinito da cumplicidade com a vida. (Pag. 35)

Os homossexuais atuais fazem bastante o que a amizade de Roger e Carlos faz: Suga toda a negatividade dentro dos nomes que preconceituosos usam para ofender o público LGBT. Carlos sempre se direciona ao amigo com palavras como, veada ou gay. E sabe? Isso é demais.

A narrativa é toda feita por Roger, que narra tudo o que sente dentro de si com respeito ao que ocorreu em Brasília. Roger perdera recentemente seu companheiro, e isso faz com que o mesmo sinta-se deslocado, perdido e emotivo em todos os momentos. É como se o protagonista se sentisse culpado de alguma forma pelo acontecimento, o que o deixa aflito e impede muitas coisas de acontecerem - Ele está em uma prisão de sentimentos construídas pelo passado ainda no início do livro, o que é crucial para desenvolver de toda história.

Um trecho que exprime bem esta premissa:


Acordei de meus pensamentos. As palavras de Renan ecoavam em minha cabeça. Como eu me lembrava dele? Como??? Poderíamos ter feito algo para ser diferente? Será que realmente teria sido diferente? E que diferença teria feito em nós? (Pag. 56)

Roger possui uma mãe MARAVILHOSA, ela é completamente "louca" e a forma com a qual ela trata seu filho, melhor ainda. Para se ter uma breve noção:


 — Vá a merda!Eu amo minha mãe. Amo muito mais quando ela se irrita e diz coisas assim. — Ele é assim como você...Igual você?   Ela se enrolou toda   Digo, diferente?
 — Hã?! - Estava surpreso. Muito surpreso. Fiquei sem reação. — É...Como é que se diz... Boiola?! - E riu... (Pag. 52-53)


Durante a trama, Roger encontra uma amiga de muito, muito, muito tempo depois. Seu nome? Aninha. Aninha vai até a casa de Roger (onde está hospedado, que é a casa de seus pais) e entrega uma carta que ela deveria ter entregue a ele nos tempos da escola, porém, ele guarda essa carta em uma mochila e decide não lê-la. A carta é um papel fundamental para desenvolver de alguns acontecimentos acerca da vida de Roger e de suas superações com relação ao seu antigo relacionamento - Renan.

O livro aborda questões ligadas a homofobia, insegurança, família, mudanças, e passado. Enfim, um pouco de tudo.

O final do livro envolve uma série de acontecimentos: O tempo que Roger passa com Andrey, pesadelos que ele passa a ter diariamente por consta do seu passado, conversas filosóficas que tem com a mãe, excesso de pensamentos, um novo cara que surge em sua vida chamada "Emerson", sua amizade com Carlos, sua vida em Brasília - Todas as arestas são aparadas neste livro. Você irá saber o motivo da morte de Renan, um pouco mais sobre a vida de Andrey e sua família e claro, conhecer Emerson e descobrir qual seu papel nesta história incrível.

Diagramação e detalhes:

A diagramação está impecável. A capa é maravilhosa, porém, é da primeira edição, ou seja, o autor irá lançar uma segunda capa para este livro que você pode conferir clicando aqui.

O autor me surpreendeu em todos os sentidos possíveis com esta obra, e eu não poderia deixar de ceder a avaliação máxima para este livro: 5/5

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