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Cartografia de corações partidos


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O coração é um mundo, é o que nos mantém de pé, o que nos sustenta, não só em sua idealização sentimental, mas também pela sua função como órgão em nosso corpo. E ah, meu deus, quando um coração se parte é como se mundos inteiros fossem destruídos, atlântidas que antes mostravam pavônicas e exuberantes as suas riquezas e a sua cultura, fossem submergida e só sobrassem em cada canto da cidade baús que guardassem memórias que antes eram um delicioso presente.

Quem nunca sofreu de amor? Há quem use esse sentimento de perda para escrever canções como Adele e Sam Smith, há quem faça os mais belos poemas como Sylvia Plath (que eu amo) e Emily Dinckison. Há quem não suporte a dor da perda de uma amor e morra pura e simplesmente de amor, como Amy Winehouse.

Todos nós estamos sujeitos a dores, a grandes catástrofes interiores. Mas eu, depois de muito sofrer, depois de sangrar por dias e noite inteirinhas por causa de perdas, decidi mapear a minha dor, e fiz de cada uma das minhas tristezas pontos específicos dentro de mim. Fui amadurecendo e sendo senhor de mim construí um mapa-mundi do meu interior e hoje eu tenho a plena convicção de que cada coração é um mundo.

Já dizia A Banda mais bonita da cidade

Coração não é tão simples quanto pensa, nele cabe o que não cabe na dispensa, cabe o meu amor, cabem três vidas inteiras.

E cabe muito mais, cabe milhões de pessoas, cabem sensações muitas, cabem buracos negros que de vez em quando se formam e sugam tudo o que é ruim e deixa aquele vazio que logo vai se preenchendo com coisas boas. Cabe um jardim, jardim esse que devemos cultivar com todas as boas emoções e sentimentos que existem no mundo.


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Eu, inteiramente meu, sabendo o que passei, sabendo o que estamos sujeitos a passar, fiz de mim senhor da minha individualidade e hoje tenho plena certeza e convicção da minha cartografia interior.


E para que não fiquemos apenas nessa discussão, que até parece ser tola e clichê, aqui vai um poema, um doce e verdadeiro poema, e que lhes cheguem como um beijo e lhes inspirem a serem senhores de si e donos do seu próprio aprendizado. Ame-se em primeiro lugar, o que tiver de ser será, a vida sempre te reservará grandes surpresas e os bons ventos, Ah, os bons ventos sempre chegam.



CARTOGRAFIA DE CORAÇÕES PARTIDOS


O teu vazio alfineta a minha loucura.
Desde o dia que dissestes, vou-me embora
um fantasma se instalou no lugar da minha sombra
e me persegue aonde eu vou.
Meu movimento é ritmado
como uma canção de desvelo e saudade.
Quado passeio pelas ruas
miro rostos muitos de homens
que não chegam aos teus pés.
E eu que não acreditava em príncipes,
mas príncipes também ferem,
e qual seria, se não para ferir,
o motivo pelo qual carregam espadas?
O teu reinado em mim foi extenso,
e há pedaços de ti espalhados por todo o meu corpo.
Movimentos sedimentares dentro de mim
deram forma a continentes em minh’alma
dos quais só tu tem conhecimento,
eu estou vivo na cartografia do meu coração partido.
Vivendo e respirando a minha própria morte,
a sorte de ainda poder dizer-te
amo-te com toda a intensidade que ainda 
sobrevive dentro do meu ser.
Guio-me pelo escuro dos meus olhos tropeçando
dentro da minha solidão.
Teus olhos são inesquecíveis
como faróis que nunca se fartam
de iluminar os meus caminhos,
e quando frente a mim
investigativos, desnudam-me.
Nunca estive tão nu em toda a minha vida.
Ás vezes, quando não estás por perto, 
Perco-me dentro da minha própria nudez,
Tu és meu guia, o governante do
Meu principado – a minha epiderme te respira.





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