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[ENTREVISTA] B.Demetrius — Autor de "Log#1525"

B.Demetrius | Acervo Pessoal | Divulgação

B. Demetrius é autor do livro "Log#1525". B, iniciou no mundo da escrita graças ao seu trabalho como publicitário.  Fãs dos clássicos, Log#1525 nos traz um universo completamente novo daquele com o qual estamos acostumados a lidar na literatura. Sempre muito modesto, o autor ainda não se considera um "autor". Seu livro foi publicado pela editora chiado (Editora de Portugal) e está disponível para compra em diversos outros países. 

E é com este misterioso autor com quem iremos ter dois dedos de prosa e descobrir seus mistérios com a escrita, trabalho, vida e projetos futuros.

1. Como nasceu o seu relacionamento com a escrita?


B.D.: Olá! Bom, acho que tudo começou a ficar mais nítido ainda no final do período jurássico, quando eu ainda estava na antiga 6ª série (o 7º ano de hoje, certo?). 

Sempre gostei de redação na escola e s
empre me esforcei muito para escrever bem. 
Muito disso devo à minha mãe, que era professora de língua portuguesa.

Porém, naquele ano em questão a professora solicitou que criássemos uma redação com um conto fantástico. Bom, foi ali que escrevi o que deu origem, muitos anos mais tarde, ao Log#1525. Me lembro de meus colegas me encherem o saco por me acharem esquisito e por ter escrito uma redação triste e de ficção científica, da qual eu já era fã de carteirinha. Já a professora leu e ficou me olhando com aquela cara de que ou eu era muito problemático ou deveria ter algum talento. Hehehe

É, foi mais ou menos assim. Em suma, sempre escrevi, mas nunca pensando em ser um escritor profissional.


2. Qual foi o primeiro livro que você escreveu? E como surgiu a ideia de escrever um livro?

B.D.: Então, ainda sou um calouro, Log#1525 é oficialmente meu primeiro livro publicado.

Como te disse antes, nunca pensei em escrever um livro. Foi algo que me ocorreu em uma manhã de ócio total. Acontece de eu ser publicitário. Escrevo como parte de meu trabalho, escrita criativa, slogans, textos institucionais, essas coisas. 

Porém, em 2015 eu passei um tempo desempregado. E resolvi literalmente me dar férias super longas e poder focar em projetos pessoais, renovação do meu portfólio e todas essas coisas que criativos de plantão fazem quando não estão trabalhando oficialmente para ninguém. 

Então, no final de 2015, estava eu sentado olhando para as telas brancas do meu monstro (é como eu chamo carinhosamente meu workstation) e totalmente absorto em meus pensamentos. Quando resolvi rever alguns sketches antigos de uma aula de concept de cenários para games. Pronto, lá estava uma pintura digital e a nota de briefing para a turma, tudo baseado naquela antiga redação. Foi naquele momento que parei, olhei em volta e disse. “Ah, que se foda, não tenho nada a perder, vou tentar”. 

E iniciei a escrita do Log#1525.

3. Quais suas principais inspirações literárias?

B.D.:Gosto dos clássicos da ficção científica, suspense e terror. Autores são vários, porém alguns uso como linha guia: Isaac Asimov, Arthur C. Clarke, Stephen King, Carl Sagan, Stephen Hawking e Umberto Eco.
Também me inspiro de outras formas, gosto muito de contos e livros de filosofia oriental. Hagakure, O Livro dos Cinco Anéis e A Arte da Guerra são parte dos textos que compõem minha forma de pensar. Isso sem falar de Platão, Sócrates, Confúcio, Spock e tantos outros.


4. O que você considera mais difícil durante a escrita de uma história?

B.D.:Lutar contra a minha ansiedade, contra o monstro da procrastinação e ficar longe do facebook.

Fora isso, não tenho muitas dificuldades com o processo criativo de escrita. Foram alguns bons anos ensinando outras pessoas a darem sentido ao próprio fluxo criativo, eu apenas tento seguir o que eu muitas vezes ensinei a outros. Claro, raramente funciona bem comigo. É tudo lindo quando estamos ensinando, já fazer é outra história. Heheheehe. Porém, funcionou bem o suficiente para gerar um primeiro livro.

5. Quando decidiu se tornar escritor?


B.D.: Pois é, não me considero um. Mestres como Stephen King, Sagan, Eco e tantos outros são escritores. Eu sou apenas um nerd que, por falta de uma opção melhor, juntou um monte de coisas no papel e essa monte de coisas está aí para ser lido. Não me considero merecedor da alcunha de escritor. Se você me perguntar o que faço da vida te digo que sou publicitário, no máximo, digo que sou redator. Escritor, não. 

6. Qual de seus personagens você mais gosta?


B.D.: Eu gosto muito de um personagem que não aparece no Log#1525, o Cão. Na revisão intermediária do livro eu resolvi cortar a parte que ele era descrito, ficando apenas alguns trechos que o personagem principal o descreve por estar se lembrando dele. 

Vou explicar: É um droid militar de múltiplas funções que foi reparado e teve sua inteligencia artificial alterada para poder ser meio que um amigo, mascote ajudante do Major, personagem do Log#1525. A peculiaridade é que como o serviço foi feito porcamente, resultou em uma personalidade forte, em um droid resmungão e revoltado. Que vai até te servir um café se você pedir, mas ele sairá reclamando para você ouvir e, ao retornar, com certeza vai encontrar um jeito de te maltratar, só por esporte.

Neste sketch que faz parte do kit exclusivo do livro dá para ter uma ideia de como eu o idealizei. Esta é uma das lembranças que o Major tem no livro, uma foto de seu amigo, o Cão.




7. Como você sente quando recebe um comentário positivo acerca de sua obra?


B.D.: Bom, ela ainda nem está no mercado ainda, mas os feedbacks de alguns outros autores e de profissionais que puderam ter acesso ao livro foram muito bons. 
Eu me sinto honrado por ser comparado com escritores mais experientes, alguns até com livros já consagrados. O comentário que mais me deixou feliz foi de um profissional da área que disse que o Log#1525 não deixava nada a desejar em relação a outras ficções me maior calibre. 
Porém, sinceramente, eu prefiro me recolher à minha insignificância e tentar segurar a vibe. Só vou ficar orgulhoso e muito feliz quando e SE o livro realmente vender bem e se os elogios vierem tanto de críticos quanto de leitores de ficção científica.


8. Pretende escrever novos livros? Tem algum projeto em mente chegando?


B.D.: SIM! Então, não posso dar muitos detalhes, mas tenho dois novos livros que já passaram da fase inicial de sketch. Que para mim são os 3 meses que me imponho para redigir o texto conceito de onde vou derivar tudo no livro.

Um deles será no universo do Log#1525, provavelmente para explicar e/ou complicar mais sua história e o outro, um sci-fi totalmente novo.

Ambos só deverão aparecer no mercado após 2018, se tudo correr bem.


9. Qual gênero literário você mais se identifica?


B.D.: Sabe como é, sou um nerd jurássico, ficção científica. Se tiver dinossauros então...


Livro "LOG#1525"
10. O que você diria para as pessoas que estão conhecendo tanto você, quanto a sua escrita agora?


B.D.: Por favor, depois de lerem o log#1525 (que se lê “log quinze vinte e cinco”), por favor, não me batam caso me encontrem no metro ou andando pela rua. Eu já disse que sou faixa preta terceiro Dan de Karatedo?

11. O que as pessoas devem esperar da sua escrita?


B.D.: Bom, tento ser o mais versátil possível. O primeiro livro foi escrito em primeira pessoa, mas foi apenas a forma que julguei melhor para o conto.
Podem esperar uma escrita pesada, ficção nos moldes originais, muitos palavrões e personagens embebidos por sentimentos de revolta, loucura, desespero. Sci-fi escritos de forma que ou você aceita que quer ler o livro ou joga ele no lixo e me manda um e-mail querendo seu dinheiro de volta.


12. Qual passagem do seu livro te marcou mais? Existe um trecho que você goste mais que os outros?


B.D.: Gosto quando o Boris - a inteligência artificial implantada no crânio do Major - resolve que ele é um artigo valioso demais para a companhia para poder morrer. E faz com que ele volte para o abrigo. A máquina precisa cumprir sua missão, é seu único propósito. 

13. Como foi a recepção do público com relação ao seu primeiro livro?


B.D.: Bom, como te disse, ainda não foi lançado aqui no Brasil. Isso deve acontecer lá para Março. Bom eu espero que seja em Março, é meu aniversário, seria um presente legal de mim para mim.
Agora, os testes de mercado feitos com público de amostra (como te disse, sou publicitário :p ) resultou em uma recepção excelente. Quem leu gostou. Teve quem quisesse me bater também, o que eu considero um ponto positivo.

14. O que te inspira a continuar escrevendo?


B.D.: Bom, isso é muito sério.
Eu tenho um amigo que é artista, escultor, o Sr. Marco Aurélio Guimarães.
Bom, em uma de nossas conversas sobre escultura ele me disse que o propósito de um artista (e o dele) era deixar resíduo. Sua vida não fará o menor sentido se você se for sem deixar um resíduo, algo que possa ser apreciado, nem que seja pelos seus descendentes e que eles possam dizer: “Nossa! Que bosta isso”. Porém seu resíduo está lá, você continua existindo naquele resíduo. 

Eu escrevo por isso. É o meu resíduo.

15. O que você diria para alguém que está iniciando a escrita do seu primeiro livro?


B.D.: Estude, estude, estude, estude e estude. Principalmente gramática. Se possível, estude também técnica de escrita criativa. Querer escrever muita gente quer, mas fazer isso bem requer estudo e prática.


16.Na sua opinião: Qual o pior erro que um autor pode cometer durante a escrita do seu primeiro livro?


B.D.: Não que eu possa realmente aconselhar ninguém, sou um calouro nisso tudo. Porém, tenho uma opinião.
Acho que é a presunção.

Achar que por escrever para si desde os 10 anos de idade é um autor de verdade e que pode se colocar no mesmo patamar de profissionais. 
Vejo muitos textos que demonstram o quão verdes alguns aspirantes a escritor estão para o que estão depositando nas páginas e, mesmo assim, se julgam os novos Umberto Eco, porém sem oportunidade de mostrar como são grandiosos. E assim se revoltam com o mercado, com outros profissionais e com tudo o que aparecer pela frente.


17. onde podemos encontrar seus livros para compra? Qual você indica que nossos leitores conheçam primeiro?

B.D.: O Log#1525 estará disponível em todas as grandes redes de livrarias do Brasil e Portugal, provavelmente para compra online primeiro e ao longo deste semestre os livros físicos virão para decorar as lojas.
Basicamente, na Fnac, Leitura, Cultura e Saraiva e no site da Chiado Editora.

18: Qual a sua opinião sobre a literatura nacional nos dias de hoje? Acha que é bem divulgada pelos blogs literários e editoras?

B.D.: Olha, acredito no esforço que se faz, mas o problema é o mercado como um todo. O brasileiro lê pouco e escrever raramente pode ser o ganha pão de um autor. Acredito que estamos caminhando bem, a passos de tartaruga, mas estamos caminhando.
Acredito muito também no trabalho feito pela blogosfera como um todo. Tanto, que a maior parte da divulgação do “quinze vinte e cinco” é feita assim. Inclusive, já vou deixar certo aqui contigo: Teremos kits especiais para seus seguidores para você poder sortear ok? Edição exclusiva com marcador de páginas e artes feitas pelo autor. ;)


19. Se você pudesse dar um conselho para os seus amigos escritores por meio desta publicação, o que você diria a eles?

B.D.: Não importa como vocês vão fazer isso, mas tenham sempre dois revisores gramaticais [professores de português de preferência] trabalhando em redundância com seus textos e um leitor/revisor crítico. Não adianta reclamar! (sei que, agora mesmo, estão reclamando que isso é caro e que não precisam disso) Acreditem, vocês precisam. ;)


20. Obrigado pela oportunidade de conhecer um pouco mais de seu trabalho. Sucessos! 

B.D.: Eu que te agradeço demais. Sucesso para todos nós!

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