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Panorama erótico pornográfico da literatura e da hipocrisia humana


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Imagem usada na capa do livro A casa dos Budas Ditosos de João baldo Ribeiro



Limitados pela moral nos esquecemos que vivemos a margem da nossa animalidade e a nossa propensão ao prazer. Somos atraídos pelo nosso egoísmo a tudo aquilo que nos arrebatará um suspiro mais profundo, uma satisfação extrema, ou como diriam os economistas, a maximização do nosso bem estar. É assim com a nossa vida profissional, nossas relações interpessoais, e assertivamente quando nos debruçamos a falar sobre sexo.

Mas, não estamos aqui para falar sobre a relação comportamental do homem com a sua sexualidade e a sua propensão ao prazer, mas como a limitação a que nos submetem moralmente interferem em dois conceitos que na verdade são divididos por uma linha tênue quase inexistente: erotismo e pornografia.

Para o dicionário de língua portuguesa erotismo é o estado de excitação sexual. Já pornografia é tudo o que se relaciona à devassidão sexual; obscenidade, licenciosidade; indecência. 

Mas, em se tratando de literatura o que viria a tornar um texto erótico ou pornográfico. Há quem diga que erotismo é uma veia mais útil da literatura em que há a exploração da sensualidade, mas o sexo não é explicitado em cenas demoradas, e o uso de palavrões não é comum. A pornografia seria então os textos em que há mais pesar tanto na utilização de palavrões, como em descrições mais ousadas, e obscenas da interação entre personagens e descrições sexuais.

Esse pensamento é o que me leva a citar três nomes da literatura que passeiam tanto pela obscenidade da pornografia, quanto pela sutileza do erotismo: Marquês de Sade, Hilda Hilst e João Ubaldo Ribeiro.

No entanto antes que eu comece a dizer qualquer coisa sobre eles é preciso pensar que a palavra erotismo, talvez, ou melhor a sua definição esteja ligada a um disfarce hipócrita de moralismo. Não há sutileza no sexo. e talvez seja por isso que a literatura que se desfaz de moralismo para mostra a verdade nua e crua seja desprezada. Primeiro a sociedade em si é composta por regras que delimitam a liberdade individual do homem. Muitas dessas regras, que de certa forma são necessárias para manter a ordem, são de cunho moral, e quase todas elas tem relação com sexo sexualidade.

É por isso então que se torna mais fácil ler um livro cheio de clichês, ou como dizem por aí, pornôs para virgenzinhas, como "Cinquenta Tons de Cinza", que se debruçar sobre uma obra que desmistifica o erotismo e o torna obsceno, pornográfico como "Os 120 dias em Saló" de Marquês de Sade.




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Cena do filme Saló os 120 dias em Sodoma



Em um dos seus livros, talvez não tanto conhecidos pelos leitores, A Filosofia na Alcova, Marquês de Sade dá uma aula sobre iniciação sexual e a libertinagem. Nesse livro, que é escrito como se fosse uma peça teatral, quatro pessoas, dois homens e duas mulheres, uma delas uma moça virgem que será iniciada sexualmente, se reúnem em uma alcova para discutirem questões sexuais, religiosas e filosóficas, e também para fazerem sexo.

O livro é como um almanaque sobre a perversão e investiga desde os instintos animais e egoísticos do homem a sua compulsão pelo prazer e a sua hipocrisia. 

Logo no inicio do diálogo entre dois personagens um deles diz a seguinte frase:

Quiméricos projetos, meu amigo, os prazeres de que desejava me privar pareceram-me ainda mais tentadores e me apercebi de que, quando se nasceu para a libertinagem, é inútil querer dominar-se: os fogosos desejos irrompem com mais força. 

Generalizando, o homem é uma animal sexual e como diria Jack Morin em seu livro de psicologia comportamental " A mente erótica" todos os atos são válidos a serem encenados no reino do eros.

Chegado a esse ponto, quem nunca ouviu falar no polêmico romance de Hilda Hilst, O caderno rosa de Lory Lambi? Uma menina de oito anos que é prostituía pelos pais e que adora fazer isso. 

Talvez esse não seja o melhor livro para se iniciar uma leitura erótica e talvez o cunho do livro em si, não seja erótico ou pornográfico, e qual seria então a necessidade de escrever um livro com essa temática, repleto de palavrões e sem nenhuma sutilidade?

Para a nossa hipocrisia é muito mais cômodo ler "Lolita" de Vladimir Nabockov do quê qualquer livro pornô de Hilda Hilst, desde Lory Lambi ao "Diário de um sedutor". É extremamente mais cômodo para nossa hipocrisia a leitura de algo como "Toda Sua" da Sylvia Day que "A casa dos Budas Ditosos" do João Ubaldo Ribeiro. Simplesmente por quê temos medo da nossa sexualidade e a sociedade nos ensinou assim.



Hilda Hilst
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Sade, por exemplo usava da sua subversão para romper com os dogmas cristãos da sociedade onde vivia. Não era pura e simplesmente um erotismo barato para vender, era uma forma de querer fazer com que o homem enxergasse o que ele realmente era, homem, um animal racional, mas ainda assim um animal. As cenas de Saló, as mais bizarras, as cenas de "Justine", as mais terríveis, são apenas uma forma de exteriorizar o que somos capaz de fazer pelo nosso prazer. Até mesmo a senhorita E. L. James trás um pouco da subversão, de uma forma mais branda para a sua obra, e de certa forma, fora isso que lhe deu certa notoriedade. Pois, por mais que Anastácia seja uma moça que carrega em si todos os esteriótipos de heroína romântica, ela em determinado momento se rende a sua obscenidade, a sua subversão, ao seu desejo. 

E é isso que torna a linha entre o erotismo e a pornografia tênue. Ou será mesmo que eles são coisas diferentes? 

Bem, para Arnaldo Jabor em sua música Amor e Sexo, que foi cantada por Rita Lee e aplaudida pelo público de música popular brasileira.

Sexo é uma selva de epiléticos.

Será então necessário definir a sexualidade sendo ela erótica ou pornográfica ou apenas pensar que o homem é um animal, movido por instintos, guiado pelo prazer e o que o limita é a moral?



Pense bem e me responda nos comentários.



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