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[RESENHA] Medo de Palhaço, a enciclopédia definitiva sobre Palhaços Assustadores na Cultura Pop

ISBN-13: 9788584610723
ISBN-10: 8584610723
Ano: 2016 / Páginas: 288
Idioma: português 
Editora: Generale
Avaliação:

Em sua primeira obra, a equipe do Boca do Inferno procura os arrepios por sob as gargalhadas ao adentrar neste aflitivo picadeiro desde os primórdios do circo, buscando explicações na história e na psicologia. Os autores instigam pesadelos em tons rubros ao contar sobre os assustadores carnavalescos bate-bolas, o mito dos palhaços ladrões de órgãos e John Wayne Gacy, o verdadeiro palhaço assassino. Ao todo são mais de cento e cinquenta obras analisadas, entre filmes, séries de TV, desenhos animados, livros e quadrinhos, explorando o medo de palhaços na cultura pop.

Quando eu era criança, um dos meus maiores medos (até os dez anos de idade) era palhaço. Lembro-me como se fosse ontem a primeira vez que fui em um circo. Havia várias atrações que poderiam me fazer feliz facilmente, porém, eu sempre me escondia no colo de quem me acompanhava quando os palhaços entravam em ação. Em determinado momento, o picadeiro se apagava, e o palhaço estava a solta. Um dia ele apareceu do meu lado quando as luzes se acenderam, lembro-me de ter gritado e chorado como nunca, era como se todo o sangue do meu corpo se transformasse em água, senti meu corpo esfriar. O medo durou até que um amigo se fantasiou e me mostrou que eram apenas maquiagens.

Quando solicitei este livro para analisar sua escrita e todo seu conteúdo, eu o fiz por dois motivos básicos: ¹Entender um pouco dessa cultura que por anos tenta transformar uma criatura/ser que traz tanta felicidade à algumas pessoas em um ser fantasmagórico e sobrenatural, e claro, ²pelo fato da equipe mais que incrível do blog "boca do inferno" ser o responsável pela escrita da obra.

O livro medo de palhaço é de fato, uma enciclopédia. Em 288 páginas, a equipe responsável pela publicação — Felipe Falcão, Gabriel Paixão, Marcelo Milici, Matheus Ferraz e Rodrigo Ramos — analisa de forma minuciosa diversas obras que abordam o palhaço como foco principal em um história aterrorizante. Ao todo, mais de cem palhaços dentro da cultura pop foram analisados. 

O livro é INTEIRAMENTE colorido e foi impresso em papel couche fosco 90g.

Para mais detalhes acerca da obra, fiquem com o texto expresso na capa traseira:

Nariz Vermelho, sapatos grandes, roupas folgadas e cabelos coloridos. Senhoras e senhores, os palhaços chegaram! Donos de sorrisos marcantes, eles conseguem facilmente provocar risos em quase todo mundo. No entanto, existe uma parte do público cujo sorriso se desfaz diante dos palhaços, para dar lugar a gritos de medo. E isso não acontece apenas com crianças. Muitos adultos podem até não assumir, mas sofrem de coulrofobia, termo científico para quem tem medo de palhaço.

O cinema de terror costuma trabalhar com uma infinidade de monstros e vilões dos mais variados formatos e origens. E claro que os palhaços logo começaram a estrelar produções do gênero. Esses filmes tanto podem ser aclamados por público e crítica como também podem ser classificados como produções de péssimos resultados.

Pensando nisso, o Boca do Inferno, maior portal de filmes de terror da América Latina, trouxe um compêndio com mais de 100 filmes, séries assustadoras e quadrinhos que reúnem palhaços assustadores na cultura pop. A lista vai desde aqueles que são os astros (ou seriam vilões?) dos filmes, como o famosos Pennywise, de It: Uma obra prima do medo, até  os coadjuvantes. Além disso, o leitor também vai percorrer caminhos tenebrosos sobre a origem do circo e dos primeiros palhaços até tentar compreender por que algumas pessoas entram em pânico diante dessas figuras aparentemente amistosas.

Portanto, respeitável público, ao folhear as páginas deste livro, esteja preparado para rir de diversão ou gritar de horror.

Confira detalhadamente o sumário desta obra:




Fazer uma análise precisa sobre esta temática não é nada fácil, porém, a galera do Boca do Inferno, conseguiu. O livro aborda questões cruciais para que possamos entender o que aconteceu de fato com a cultura popular que conseguiu sem nenhum problema, transformar um personagem colorido, sorridente, de cabelo desgrenhado e mau vestido em um personagem do horror. O livro também explica alguns dos motivos pelos quais o medo de palhaço é extremamente comum e os aponta dentro do campo da ciência, e talvez, uma possível cura para coulrofobia. 

De acordo com a psicóloga Caroline Leonor, nos manuais médicos, onde constam os critérios diagnósticos de transtornos mentais, não há um item específico para coulrofobia. No entanto, existe o diagnóstico de "fobia específica", no qual, estão inclusos medo de coisas específicas, tais como palhaços. As fobias, de um modo geral, são uns dos tipos mais importantes e comuns dos transtornos de ansiedade. Para os transtornos mentais, existem dois manuais: O DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e o CID 10 (Classificação Internacional de Doença). No DSM, os transtornos de ansiedade estão agrupados como transtornos mentais dito "menores", e no CID, as fobias estão classificadas no capítulo da neurose. (Pág. 19)    

E existe cura para essa palhaçada?

"Existem algumas técnicas pra tratar a fobia" — Afirma, Caroline Leonor. E elas envolvem exposição gradual aos estímulos que causam medo a pessoa e ao pareamento de exposição com pareamento de relaxamento ou outros aspectos que possam ser agradáveis. Contudo, é importante tentar encontrar  as origens desta fobia e se autoquestionar:

O medo é mesmo de palhaço, ou você teme a pessoa por trás da face risonha?
Todos os palhaços e itens relacionados ao assunto, o incomodam? Um bobo da corte, causaria a mesma sensação?
Você teve alguma experiência ruim na infância envolvendo um palhaço ou uma pessoa fantasiada?
Algum filme ou personagem específico, está associado ao seu medo?

Buscar refletir sobre estas perguntas, verificar as causas e ter um contato gradual com o medo, podem destruir a máscara feia do palhaço, e mostrar que não há nada a temer e nem motivo que afaste a graça. Inclusive tem um estudo que demonstra que palhaços tem um efeito benéfico na recuperação de crianças doentes. (Pág 20)

A partir do momento em que o básico do básico é apresentado na introdução do livro, o leitor é levado a uma viagem inesquecível pelo tempo, séries, programas de tv e filmes, a onde inúmeras figuras de palhaços são analisadas. Desde palhaços apresentados em nossa juventude por amigos e conhecidos em lendas urbanas, até os famosos palhaços vendedores de órgãos, bandidos, ladrões, criminosos de alta categoria. 

Esta é uma das análises disponíveis no livro, ela esta disposta na página 173 da obra:

MOTOQUEIRO DA GANGUE DOS PALHAÇOS

         Aparição: Akira (TMS Entertainment, 1988. Dir.: Katsuhiro Otomo, 124 min.)

         Truque na manga: As ruas de Neo Tokyo são dominadas por gangues de motoqueiros, e um dos mais temidos deste grupo, é o dos palhaços. Com suas super motos, a diversão dos palhaços, é desafiar outras gangues. Além do capacete, eles também usam bombas e barras de ferro para derrubarem suas vítimas. O líder da gangue pilota sua moto com os braços cruzados, apenas admirado a paisagem e procurando um adversário à altura.
        O filme:  A animação Akira é baseado na mangá japonês do mesmo nome e lançado em 1982. A versão para o cinema viria anos depois e faria sucesso em todo o mundo. A história se passa em Neo Tokyo, já que a cidade de Tokyo original teria sido destruída na terceira guerra mundial. O filme acompanha uma gangue de palhaços liderada por Kaneda. Um integrante do grupo, Tetsuo, acaba sendo preso pelo exército, que, junto com cientistas, passam a fazer experiências no rapaz. Aparentemente, Tetsuo possui poderes sobre-humanos e sobrenaturais semelhantes ao de Akira, que anos antes, teria destruído a cidade por ter perdido o controle de sua própria força. O público, bem como o mangá, é marco por violência, o que o torna inadequado para o público infantil. O visual da película é um dos principais visuais de destaque, principalmente, para uma produção elaborada na década de 1980. São usadas 327 cores diferentes, sendo que, cinquenta delas foram criadas especialmente para o filme.
      Apesar do lado violento, a trama trata de questões filosóficas, políticas e científicas. A ameaça atômica e o poder militar também estão presentes no filme, o que faz de Akira, uma produção que merece ser conferida. (Pág.173)

Apresentado o prefácio da obra, estudos com relação ao medo e análises, o livro nos mostra um universo ainda mais sombrio envolvendo palhaços: Crimes reais cometidos por essas figuras tão "amigáveis". A gangue dos palhaços, palhaços traficantes de órgãos e outras figuras bastante conhecidas dentro da cultura popular.                                                                                    

DIAGRAMAÇÃO, DETALHES E COMENTÁRIOS

A enciclopédia é maravilhosa para quem deseja se aprofundar dentro do universo dos palhaços. Ricamente ilustrado e com detalhes incríveis, que somente a editora Évora é capaz de proporcionar, o livro é completo em todos os detalhes possíveis.

Quando adquirir esta obra, saiba que você está tendo contato com um material de extrema excelência editorial, e que, foi escrito, diagramado e publicado por uma equipe que entende muito bem do assunto. As análises disponíveis neste livro — em sua grande parte — transformam o livro em um objeto de estudo e uma revista muito maravilhosa para quem quer pesquisar sobre filmes, series e acontecimentos macabros envolvendo estas criaturas/seres.

288 páginas
Formato: 21x28 Cm
Impresso em papel couché 90g
Capa brochura

A diagramação e revisão desta obra, está incrível em todos os sentidos. Nota-se um cuidado e dedicação extrema com a finalização da mesma. Folhas de excelente qualidade, capa muito bem elaborada e revisão impecável. 

OS AUTORES:

Filipe Falcão – Jornalista, mestre em comunicação e pesquisador de cinema de horror. Estuda remakes de horror no doutorado na UFPE. É autor do livro Fronteiras do Medo.
Gabriel Paixão – Profissional de RH pós-graduado em gestão de pessoas, atua no site Boca do Inferno desde 2006. Adora filmes trash, rock clássico e games. Morre de medo de se afogar.
Marcelo Milici – Professor, formado em letras com especialização em horror gótico, é idealizador do site Boca do Inferno e teme aquele que segura a bexiga colorida.
Matheus Ferraz – Mineiro, formado em jornalismo e mestrando em biografia pela University of Buckingham. É autor de livro independente Teorema de Mabel.
Rodrigo Ramos – Designer formado pela Unesp. Fã de filmes de horror e quadrinhos de super-heróis , sempre achou estranho aquele sorriso constante no rosto do palhaço

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