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[RESENHA] O desaparecido — DROR MISHANI

Tradução: Paulo Geiger 
Páginas: 296
Formato: 13.00 x 21.00 cm
Peso: 0.329 kg
Acabamento: Brochura
Lançamento: 07/02/2017
ISBN: 9788535928532
Selo: Companhia das Letras
Quando um adolescente desaparece num pacato subúrbio de Tel Aviv, o detetive Avraham Avraham pensa que tem uma tarefa simples pela frente, como costumam ser os inquéritos na região. Todavia, após uma conversa com o professor do garoto, Avraham se vê embrenhado numa complexa e perigosa investigação, que o fará questionar sua própria ideia de violência. Especialista em literatura policial, Dror Mishani cria neste seu primeiro romance uma memorável aventura — um labirinto de pistas falsas e mentiras que conduzirá Avraham aos cantos mais sombrios da alma humana, e de onde ele não voltará o mesmo.


O que você faria se seu filho sumisse sem deixar vestígios? Talvez você procurasse a polícia de imediato sem antes procurar detalhes, pesquisar com amigos, fotos, vizinhos ou algo do tipo, afinal, a preocupação supera a consciência naqueles momentos.

Quando um jovem adolescente desaparece em uma pacata cidade onde crimes bárbaros não acontecem, sua mãe procura o detetive Avraham Avraham para que as buscas pelo seu filho possam ser iniciadas, ou ao menos, tentar. Aquela não era a primeira denuncia de mães envolvendo filhos naquele dia e já era quase a hora de encerrar o trabalho, porém, aquela mãe estava insistindo como todas as outras, e certamente, deveria ser um caso mais simples do que ele pensava, afinal, naquela cidade sem muita agitação, os suspeitos são sempre pessoas próximas, como parentes e vizinhos, não era de tanta importância assim.

A explicação é sempre a mais simples. O que estou tentando lhe dizer é que a probabilidade de que tenha acontecido alguma coisa a seu filho é muito pequena, e não estou dizendo isso para acalmá-la. É uma questão de estatística, e não temos nenhum indício preocupante de que o caso dele é diferente. Ele vai vol‑ tar para casa em uma hora, ou em três horas, no máximo ama‑ nhã de manhã, estou lhe dizendo isso com a maior responsabi‑ lidade. O problema é que, se eu determinar agora que seu filho desapareceu e que é preciso agir imediatamente, terei de man‑ dar guardas para a rua, para que comecem logo a procurá-lo. Essa é a norma. E eu lhe afirmo, com base em minha experiên‑ cia, que é muito possível que o encontremos numa situação na qual a senhora não gostaria que o encontrássemos. O que vou fazer se ele for encontrado com um cigarro de maconha? Não tenho muitas opções, serei obrigado a fazer o registro e abrir uma pasta criminal no nome dele.

A senhora de estatura baixa estava sentada na cadeira transmitindo toda preocupação e exalando sobre suas narinas um grande complexo de ansiedade por resposta, e ao mesmo tempo, um súbito de insegurança.

Ao dispensar a mãe com a promessa de que entraria em contato consigo pela manhã, Avraham Avraham segue seu percurso normalmente, porém, começa a pensar em todos os casos investigativos em que investigara recentemente, em um deles o caso era parecido com o desaparecimento do filho daquela mulher, sem vestígios. Em um ímpeto de pensamentos, Avraham Avraham começara a imaginar o quarto do garoto desaparecido em sua mente, — já que mãe do garoto havia feito uma breve descrição — em uma investigação mental minuciosa o detetive começara a pensar em todos os detalhes possíveis que poderiam supostamente terem ocorrido naquele dia durante o desaparecimento do garoto de dezesseis anos. E após uma série de reflexões acerca do ocorrido e da notificação recebida pela mãe, ele respira fundo, e percorre seu caminho de volta para casa.

E por algum motivo abriu a cortina de sua imaginação nos quartos de Ofer Sharavi e de seus irmãos. Uma cortina antiga, pesada, de cor creme, assim a viam seus olhos. Ocupou-se principalmente com a questão da diferença de idade entre as crianças. [...]

COMENTÁRIOS

Esta não é uma história comum, nem banal, nem sequer previsível. A escrita de Dror Mishani é minuciosa, ousada, rica em detalhes e completamente envolvente. Não é nenhuma surpresa que o livro tenha uma "carga" de suspense imensa em suas páginas e uma história envolvente em um contexto de investigação policial, já que o autor é extremamente conhecido em seu país de origem (Israel) seu livro foi traduzido em mais de quinze idiomas diferentes. Incrível, não?

Quando pensamos em uma boa história de investigação policial o primeiro detetive que nos vem a cabeça é Sherlock Holmes, talvez seja praxe, e quando se pensa em um autor do gênero, Agatha Christie, porém, Dror Mishani trouxe "O desaparecido" para trazer uma revolução para os livros de investigação policial, o livro que nara a investigação de Avraham Avraham tem tudo para se tornar um marco na literatura e um ícone entre os fãs de literatura policial. Uma história que ninguém em momento algum consegue prever o desfeche ou imaginar a cena seguinte, é uma surpresa atrás da outra. O livro possui uma dosagem fora da medida e surreal quando o assunto é suspense, Mishani é um especialista na criação de diálogos provocantes, envolventes e misteriosos. 

Sobre Avraham Avraham: Alguém que possui um nome e um título tão grande na sociedade e tamanho reconhecimento por seus trabalhos, nunca havia antes encontrado um tralho tão complicado como este de executar, aparentemente, tudo estava muito além do que ele poderia imaginar um dia para aquela pacata cidade. E essa premissa de que talvez nada tenha acontecido é o ponto "x" criado pelo autor para desenvolver e desencadear uma série de acontecimentos repletos de mistério, pistas, depoimentos e sentimentos. Um gênio forte, uma confiança extrema e um sentimentalismo fora do comum (mesmo não se mostrando "nem lá, nem cá", podemos perceber que vira e volta o detetive pensa em quase tudo o que disse, viu, pensou ou tentou fazer), ele age de forma minuciosa e bem pensada, planejada.


O AUTOR






Nasceu em Israel, em 1975. É pesquisador acadêmico especializado em literatura policial. Sua série com o inspetor Avraham Avraham tornou-se um fenômeno no seu país e no mundo, sendo traduzida para mais de 15 línguas.

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