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Sobre um certo Antônio Brasileiro


Coluna - Memória musical

Não há no mundo melhor coincidência que o grande maestro da musica popular brasileira, tivesse o sobrenome brasileiro.  Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, ou simplesmente Tom Jobim.

Durante a vida, caminhou com sutileza e desenhou com clareza as mais singelas notas musicais que o fizeram alçar voos internacionais.Quis o destino que Tom, carioca de corpo e alma, houvesse nascido justamente no dia do aniversario da cidade de São Paulo. Nascido em 25 de janeiro de 1927, faria 90 anos, se o mundo não o houvesse perdido, ainda cedo, em dezembro de 1994. Tom era um homem a frente de seu tempo, artista revolucionário, um arranjador impecável e compositor de alma cristalina. Nas palavras de João Gilberto, seu parceiro de bossa, Tom era “divertido, inteligente, tão cheio de sensibilidade”.  Da infância na Tijuca a Ipanema, a todo canto do rio de janeiro e ao mundo, Tom declarou seu amor pelo Rio de Janeiro e pelo Brasil. A imensidão de sua obra cruzou todas as barreiras possíveis e o pianista das noites de Copacabana, que fazia arranjos para artistas como Dalva de Oliveira e tantos outros nomes importantes da musica nos anos 50, se tornou o grande artista do dia que ganhou o mundo.

Na bossa nova tudo passou por Tom. Mesmo quando esteve ausente, ele esteva presente na construção desse que foi o principal veiculo de inovação da musica popular brasileira. Tom queria ser arquiteto, iniciou os estudos na faculdade de arquitetura do Rio de janeiro, trabalhou em um escritório por um tempo, mas o amor pela musica falou mais alto e Tom abandonou a faculdade após o primeiro ano. Sempre bem humorado, suas frases sempre geram reflexões positivas sobre o entendimento da musica.

“Dediquei minha vida à música brasileira, porque já tem francês para escrever música francesa, americano para escrever música americana.” – Tom Jobim
Tom Jobim é considerado o principal continuador do trabalho de Villa-Lobos, de quem era um grande fã e demonstrava enorme respeito pelo maestro. A complexidade presente em sua harmonia expressa em toda essência, a sua capacidade de inovação. Os ritmos criados por Tom exaltam toda a brasilidade de suas composições.

Com Vinicius de Moraes e João Gilberto, revolucionou a música brasileira. Da amizade com o diplomata Vinicius de Moraes, nasceu uma parceria de sucesso. Tom e Vinicius pareciam ser uma só coisa. A harmonia entre duas mentes geniais resultou em um ritmo novo, puramente brasileiro. O marco da bossa nova, a canção Chega de Saudade, nasce da letra maravilhosa de Vinicius, o arranjo primoroso de Tom e a sutileza do violinista João Gilberto, interpretada pela divina Elizeth Cardoso em 1958.

O legado de Jobim é de extremo bom gosto. Com romantismo e sofisticação ele escreveu seu nome na história da musica popular brasileira. A essência de Jobim o fez romper as barreiras musicais e se tornar um artista mundial, reconhecido nos quatro cantos do planeta. A poesia em forma de notas no piano, o fizeram permanecer até o fim da vida com sua pastinha de partituras embaixo do braço. Cantando e encantando por todos os lugares onde passou.
Acima de tudo amava o Brasil e a música brasileira. Entre tantas frases marcantes que disse durante sua vida inteira, a mais recorrente foi uma frase que ele ouviu do escritor Mario de Andrade, ainda no inicio da carreira e que Tom carregava quase como um mantra para toda a vida.
''Se você for medíocre, faça música brasileira. Se você for mais ou menos, faça música brasileira. Se você for um talento, faça música brasileira. Se você for um gênio, faça música brasileira!''


Tom Jobim partiu antes mesmo de chegar aos 70, um pouco mais de um mês antes de seu aniversário. E de todo o legado que ele nos deixou, fica a imagem de um homem apaixonado pelo Brasil e apaixonado pela sua música. Cabe a ele, um homem de frases maravilhosas, uma que disse sobre a partida do velho amigo Vinicius. “Devia ter vivido mais, pois ainda tinha muito a nos dar.”

@Igor Alexandre

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