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[ENTREVISTA] Michelle Pereira — Autora de "Guardião do Medo"

Acervo Pessoal | Divulgação


Como nasceu o seu relacionamento com a escrita?

Eu sempre gostei muito de ler, de aprender coisas novas. Quando estava com 14 anos comecei a escrever pequenas histórias para eu e algumas amigas lerem, coisa boba que não iria dar em nada. Inclusive, perdi esses textos. 
Um bom tempo depois, quando comecei a trabalhar, os livros se tornaram um passatempo maravilhoso. Mais alguns anos e finalmente tive o start para escrever meu primeiro livro. 

Qual foi o primeiro livro que você escreveu? E como surgiu a ideia de escrever um livro?

Meu primeiro livro foi Guardião do Medo. A ideia veio do álbum conceitual The Black Parade, da banda extinta My Chemical Romance, somado ao meu avô, que estava em tratamento contra o câncer na época que eu estava escrevendo, e ao meu TCC de Comunicação Visual, no qual eu queria preparar um livro. Em toda essa mescla de fatos acontecendo em minha vida surgiu a história de Alexander.

Quais suas principais inspirações literárias?

Eu me inspiro muito na música, que é algo sem o qual não consigo viver, e nos livros que eu leio. O autor que mais me influencia/influenciou foi Neil Gaiman, sem dúvida. A combinação de doçura e loucura que encontro nos livros dele me encanta.

O que você considera mais difícil durante a escrita de uma história?

Ligar os pontos. Na minha cabeça eu tenho a história totalmente estruturada, sei o que precisa acontecer, quais os pontos chaves e como devo conduzir os personagens. Agora, ligar tudo isso para a trajetória caminhar me faz suar. Às vezes eu travo a escrita por não saber como personagem A, vai chegar ao ponto X, onde há uma reviravolta. Consegue entender o dilema? (risos)

Quando decidiu se tornar escritor?

Quando uma amiga leu minha história e acreditou nela. Denise Lage foi de extrema importância para mim nessa carreira. Ela disse que eu podia, eu pude. 
Eu escrevi Guardião, deixei a história descansar e maturar, depois reescrevi e, no ano passado, me tornei escritora de verdade. Acho que esse não é um sonho de infância (eu queria ser desenhista), mas é um sonho que me pegou no meio da estrada da vida e que quero levar comigo até deixar de existir.

Qual de seus personagens você mais gosta?

Indubitavelmente, Alexander. Eu sei que ele é o melhor e o pior ao mesmo tempo, que ele tem o poder de ser o cara mais chato e insuportável que você poderia encontrar em uma história, mas ainda assim, ele consegue ser bom. Eu gosto da evolução dele durante Guardião do Medo, de como o “poder” da modificação o tornou algo novo. 
E claro, ele é meu primogênito. Somos tão parceiros, temos tanta coisa em comum! Ambos sofremos bullying, ambos adoramos desenhar (embora Alexander desenhe melhor do que eu, já que teve mais tempo para treinar) e mais uma coisinha ou outra. 

Como você sente quando recebe um comentário positivo acerca de sua obra?

Em êxtase. É uma sensação muito boa saber que outras pessoas além de mim amam minhas histórias e acham-nas tão boas como eu sonho que sejam. Acho que um comentário positivo, um elogio, um “preciso do próximo livro!” fazem tudo valer a pena. 

Pretende escrever novos livros? Tem algum projeto em mente chegando?

Sempre! Escrever tornou-se uma paixão e não pretendo parar. Mesmo que eu não publique mais nada (e espero que isso não aconteça) quero continuar a escrever para mim mesma, pelo amor que tenho a isso. 
No momento estou trabalhando com a revisão de O demônio no campanário, um romance fantástico (ou seria demoníaco) que publico no Wattpad, mas que em breve será comercializado na Amazon, além de estar escrevendo o segundo livro da série Guardião do Medo.

Qual gênero literário você mais se identifica?

Fantasia. Acho que a fantasia é uma válvula de escape. Ela me permite ser um elfo, um dragão, uma princesa guerreira, e milhares de outras coisas mais. Ela me permite fugir da realidade por um tempo, enquanto viro cada página. 

O que você diria para as pessoas que estão conhecendo tanto você, quanto a sua escrita agora?

Eu diria: Deem uma chance para meus livros e para mim. Deixem-me mostrar um mundo fantástico e poético a vocês através das linhas que escrevo. 

O que as pessoas devem esperar da sua escrita?

Nuno Ferreira, um escritor português, disse uma vez que eu escrevo uma espécie de “prosa poética” e desde então eu tenho notado que existe um quê de poesia e de drama no que eu escrevo. Muito disso está em Guardião do Medo, que conta a história de um paciente com câncer. Já em O demônio no campanário, um romance mais leve a carga emocional é menor, mas ainda assim há resquícios de poesia. 
Acho que em suma, o leitor encontrará um texto leve, com um toque poético e personagens que possuem uma marca própria.

Qual passagem do seu livro te marcou mais? Existe um trecho que você goste mais que os outros?

[ISSO É UM SPOILER] Em Guardião do Medo, há uma cena em que um dos personagens, uma criança com câncer, morre. Eu chorei enquanto escrevia essa parte em específico, e continuo a ter aquela dorzinha quando leio. Acho que quando você lê sobre a morte uma criança, de um inocente, alguma coisa dentro de você quebra. 

Como foi a recepção do público com relação ao seu primeiro livro?

Até então tem sido bem positiva. A grande maioria dos leitores me dá um feedback muito bom e isso me deixa feliz. É como uma prova de que o universo que criei em um quarto de hospital é interessante e que Alexander pode cativar o público, mesmo sendo um personagem tão singular. 

O que te inspira a continuar escrevendo?

A vontade de criar meus próprios mundos e o carinho e a positividade que recebo dos leitores. Acho que sempre vou gostar de criar histórias alternativas para eu viver, mil ideias vão surgindo todos os dias e algumas são muito boas. Quero colocá-las no papel. E claro, enquanto as pessoas lerem meus livros e gostarem, continuarei tendo um ótimo incentivo para escrever. 

O que você diria para alguém que está iniciando a escrita do seu primeiro livro?

Em primeiro lugar: não vai ser fácil! Desculpe ser pessimista, mas é isso aí. Existem mil outros escritores por aí... Você terá de lutar para ser visto e para conquistar seu lugar ao sol. Mas a recompensa... vale muito a pena. 
Segundo: escreva sem parar para pensar, sem parar para corrigir tudo, senão, você nunca caminhará em frente. Depois de escrever tudo, volte e leia, releia, reveja e mude tudo quanto for necessário. Deixe a história maturar e depois leia tudo de novo. E tenha um leitor crítico, ele vai te guiar e te mostrar se você está caminhando pelas veredas certas. 

Na sua opinião: Qual o pior erro que um autor pode cometer durante a escrita do seu primeiro livro?

Criar algo que não tenha coerência. O enredo, o cenário, os fatos, os personagens, tudo isso deve ser coerente entre si. É o que acontece em Guardião do Medo, por exemplo, a personalidade de Alexander é coerente com o que ele viveu no passado, e sua evolução é coerente com o andamento na história. Eu não crio soluções mágicas e puff! Alexander muda quem é de uma hora para outra, sem mais nem menos. Ele evolui com o tempo.

Onde podemos encontrar seus livros para compra? Qual você indica que nossos leitores conheçam primeiro?

Guardião do Medo e o conto originado nessa série, O preço do céu, podem ser encontrados na Amazon, sendo que Guardião também possui versão física e pode ser adquirido comigo ou na minha lojinha online. Já O demônio no campanário ainda está em fase de publicação no wattpad, saindo um capítulo por semana, e logo estará na Amazon. 
Indico a leitura de Guardião do Medo que é o único livro que está disponível na versão integral. (Eu indicaria O demônio no campanário, pois todos que leem, gostam mais dele, porém, o livro ainda não está completo no wattpad).

Seguem os links:

Guardião do Medo (físico): michelle-pereira-store.lojaintegrada.com.br
Guardião do Medo (digital): https://goo.gl/IUMj62
O preço do céu – Um conto da série Guardião do Medo  (digital): https://goo.gl/MvwRKT
O demônio no campanário (wattpad): https://www.wattpad.com/story/68938817-o-demnio-no-campanrio

Qual a sua opinião sobre a literatura nacional nos dias de hoje? Acha que é bem divulgada pelos blogs literários e editoras?

A literatura nacional tem muitas histórias e autores excelentes, muitos universos que precisam ser conhecidos. Acho que temos muito potencial, ele só não é o foco do leitor ainda, o que é muito triste. Autores como Thais Lopes, Mari Scotti, Thiago D’Evecque, Juliana Daglio são excelentes, mas ainda pouco conhecidos pelo público. 
Os blogs são uns amores conosco, eles nos ajudam muito! As editoras, como empresas, não têm o foco no autor nacional porque são pouco conhecidos e o retorno é incerto. Eu consigo entendê-las, mas é difícil aceitar essa realidade. Nós temos potencial, mas as casas editorias são um pouco fechadas ainda. Mas não sei, uma parcela da culpa é da nossa cultura, de achar que o que vem de fora é melhor do que o que é produzido aqui no país. Enquanto esse pensamento, que está enraizado em nossas mentes, e principalmente, na mente do leitor, for padrão, não teremos toda a visibilidade que poderíamos ter. 

Se você pudesse dar um conselho para os seus amigos escritores por meio desta publicação, o que você diria a eles?

Em primeiro lugar, não desistam de seus sonhos! Sempre haverá alguém que acredita neles!
Segundo, tenham a humildade como um valor importante em seus corações. 

Obrigado pela oportunidade de conhecer um pouco mais de seu trabalho. Sucessos!
Eu é que agradeço pela oportunidade que vocês me deram de mostrar um pouco mais sobre meu trabalho para o leitor, para o mundo.

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