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Exposição de poemas destaca novos nomes da literatura brasileira

(Foto Paulo Uras Neto/Divulgação)

Novos versos chegaram à terra de Gregório de Matos e Castro Alves. No início deste mês (dia 14/03) as cidades baianas tiveram o prazer de receber a inauguração da exposição interativa de Poesia Agora, que reúne exatas 379 poemas, de diferentes autores de todos os estados do Brasil. A exposição conta com sarau de poesia e participação ativa de poetas do estado.

Poesia Agora faz um mapeamento do cenário poético contemporâneo nas diferentes regiões do país. Segundo o curador da mostra, o carioca Lucas Viriato, a exposição traz desde poetas com uma carreira consolidada  até aqueles que nunca publicaram. “O nosso recorte foi simples: pessoas vivas que, de algum modo, se consideram poetas e fazem dessa escrita uma forma de atuação no mundo”, diz. 
Como o próprio nome já informa, a mostra não deixa de destacar quem está despontando na poesia brasileira agora. Nomes como Alice Sant’anna, Ricardo Silvestrin e Alexandre Guarnieri, este último ganhador do Prêmio Jabuti de Literatura em 2015, compõe o rol dos 30 destaques contemporâneos da exposição. A exposição ainda inclui poemas de escritores de outros países de língua portuguesa, como Portugal, Angola e Cabo Verde. 
Dentro da mostra, o tema predominante é a própria poesia, mas nem tudo é tão metalinguístico assim. “Tem poetas  que falam do seu local de origem, do amor, da morte, mas também inclui muito humor e leveza”, explica  Lucas.

Lucas Viriato é carioca, formado em Letras pela Puc do Rio, e curador da mostra

Baianos na mostra

Cerca de 24 poetas baianos participaram do Poesia Agora. Autores  como Thiago Lobão, Saulo Dourado, Laura Castro, Paulo Lisérgico e Kátia Barros integram o time de 18 baianos que estarão no Sarau de Poesias, que abre a mostra amanhã. Junto com eles também estarão poetas de outros estados, como Germana Zanettini (RS), Antonio Campos (PE), João Moura Fernandes, Yasmin Barros, Yassu Noguchi e o curador Lucas Viriato (RJ).

Outro grupo de escritores baianos, formado Gabriel Pardal, Thiago Mourão, Letícia Simões, Mariana Paiva, Marcio Junqueira e Dimme Roots terão suas poesias expostas na mostra durante toda a temporada. “Boa parte dos poetas que estão nessa exposição são os mesmos que estavam na que fizemos no Museu da Língua, em São Paulo. O que a gente fez desta vez foi incluir alguns poetas locais”, afirmou Lucas. “A ideia sempre foi ter todos os estados do Brasil representados. Como não conheço a cena poética de todos, peço indicações a poetas mais renomados”.
Para ler e escrever
Poesia Agora, que tem cenografia assinada pelo mineiro André Cortez, é dividida em seis alas, com espaços interativos. Na sala Scriptorium, livros com palavras escritas nas lombadas convidam o público a reordená-los, formando novas poesias. “Na primeira exposição tínhamos 50 livros, aqui temos 51 porque queríamos acrescentar a palavra axé”, informa Lucas. 
Dentro de cada livro estão escritas quatro poemas e o resto são folhas em branco para que os visitantes possam escrever. “Eu aguardo esses livros porque ali tenho um acervo do que é poesia para o brasileiro. Não há nenhum tipo de censura, se a pessoa quiser rabiscar, escrever palavrão ou falar mal de político, pode”, detalha.
(Foto Paulo Uras Neto/Divulgação)
Ainda nesta mesma sala, o espectador (ou leitor), é convidado a participar do desafio poético, onde deve escrever uma poesia sem usar uma das vogais. “Já imaginou escrever uma poesia sem a letra A? Já não da para falar de amor”, brinca Lucas. “Enquanto o livro é a liberdade total, o desafio convida a pessoa a sair do automático. Todo mundo pode escrever poemas e os poemas típicos das pessoas, em geral, levam aos mesmos lugares. A liberdade não é tão criativa. Quando você impõe uma fórmula, vai ter que pensar mais e fugir desse lugar”.
Uma parte da mostra é dedicada à poesia de rua, onde são expostas fotos com diversas expressões poéticas como grafites, cartazes e escritas, entre outras. “A ideia é fugir de frases consagradas. Não queremos Fernando Pessoa ou Leminski, queremos intervenções autônomas,  individuais e contemporâneas”. As imagens podem ser enviadas pelo e-mail  participepoesiagora@gmail.com ou usando a hashtag #PoesiaAgora em redes sociais desbloqueadas.
Poesia Agora estreou há dois anos no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. Salvador é a primeira cidade a receber a mostra depois de sua estreia. “Depois que a temporada encerrou lá, não tínhamos onde abrigar o material e acabou indo tudo para o lixo. Na época surgiu uma proposta da Fundação Gregório de Matos para virmos para Bahia, mas acabou não dando certo.
Para a exposição na Caixa, tudo foi refeito do zero”, contou o curador. Hoje, Lucas vai  lançar os livros Nepal Legal e Índia Derradeira,  de sua autoria,  no espaço Nossa - Casa Colaborativa, no Rio Vermelho, às 19h.  Publicados pela OrganoGrama Livros, as  coletâneas  poéticas são fruto de suas viagens ao Oriente. O valor de cada livro é  R$ 39,90.

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