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Mulheres que inspiram: Virginia Woolf


Mês de março é mês das mulheres, e é também o mês em que nossa linha editorial destina-se a falar sobre mulheres que inspiram, que transbordam e que transformam, e ninguém transformou tanto a literatura quando Virginia Woolf. 

Adeline Virginia Woolf foi uma escritora, ensaísta e editora britânica, conhecida como uma das mais proeminentes figuras do modernismo. Woolf era membro do Grupo de Bloomsbury e desempenhava um papel de significância dentro da sociedade literária londrina durante o período entre guerras. Seus trabalhos mais famosos incluem os romances "Mrs. Dollaoway", Ao Farol e Orlando, assim como o livro-ensaio "um teto todo seu", onde encontra-se a famosa citação "Uma mulher deve ter dinheiro eum teto todo seu se ela quiser escrever ficção".

Os livros de Virginia possuem características peculiares que de uma forma ou de outra, refletem sua realidade, um exemplo que podemos citar é o romance "Mr. Dolloway" escrito no ano de 1925, onde um dos personagens de Virginia decide se suicidar pulando de uma janela após ter sido indicado para uma internação em um hospital psiquiátrico, refletindo diretamente na vida da escritora que anos depois, mas precisamente no ano de 1941, comete suicídio.


Suas reflexões sobre a arte literária - da liberdade de criação ao prazer da leitura - baseadas em obras-primas de Conrad, Defoe, Dostoievski, Jane Austen, Joyce, Montaigne, Tolstoi, Tchekov, Sterne, entre outros clássicos, foram reunidos em dois volumes publicados pela Hogarth Press em 1925 e 1932 sob o título de The Common Reader - O Leitor Comum, homenagem explícita da autora àquele que, livre de qualquer tipo de obrigação, lê para seu próprio desfrute pessoal.
Uma seleta destes ensaios, reveladores da busca de Virginia Woolf por uma estética não só do texto mas de sua percepção, foi reunida em língua portuguesa em 2007 pela Graphia Editorial, com tradução de Luciana Viegas Hack.
Sou dona da minha Alma é o livro publicado
pela bertrand editora que possui uma seleção
de cartas, poemas e confissões de Virginia.
Em 1915 surge o primeiro livro de Woolf, intitulado "A viagem", ao qual foi publicado pela editora do seu meio-irmão, a editora Geral Duckworth and Company Ltd. A partir da publicação de seu primeiro livro, Woolf tornou-se uma forte figura de influência em jornais e revistas enquanto escrevia crônicas e ensaios para uma coluna semanal no jornal da cidade. Atualmente, Virginia é considerada uma das maiores romancistas do século vinte e uma das principais modernistas revolucionárias, por tratar em suas obras questões emocionais, psicológicas e de âmbito social.
Orlando (1928) é um dos romances mais leves de Virginia Woolf. Uma biografia paródica de um jovem nobre que vive por três séculos sem envelhecer mais do que trinta anos (mas que abruptamente transforma-se em uma mulher), o livro é em parte um retrato da amante de Woolf, Vita Sackville-West. Tencionava inicialmente consolar Vita pela perda de sua mansão ancestral, apesar de retratar também de forma satírica Vita e a sua obra. Em Orlando, as técnicas de historiadores biógrafos são ridicularizadas; o personagem de um biógrafo pomposo é assumido para que ele seja debochado.
As Ondas (1931) apresenta um grupo de seis amigos cujas reflexões, que estão mais próximas de recitativos que solilóquios, criam uma atmosfera parecida com uma onda, o que faz com que o livro pareça-se mais um poema em prosa do que um romance com um enredo.
Flush: Uma Biografia (1933) é em parte ficção, em parte a biografia do cocker spaniel pertencente à poeta vitoriana Elizabeth Barrett Browning. O livro foi escrito do ponto de vista do cachorro. Woolf foi inspirada a escrever este livro após o sucesso da peça de Rudolf Bessier, The Barretts of Wimpole Street. Na peça, Flush está no palco na maior parte das cenas. A peça foi produzida pela primeira vez em 1932 pela atriz Katharine Cornell.
No ano de 1941, com o estopim da Segunda Guerra Mundial, a destruição da sua casa em Londres durante o Blitz e a fria recepção da crítica à sua biografia do seu amigo Roger Fry, Virginia Woolf foi condicionada ao impedimento da sua escrita e caiu em uma depressão semelhante às que sofreu durante a juventude.



Em 28 de março de 1941, Woolf colocou seu casaco, encheu os seus bolsos com pedras, caminhou em direção ao Rio Ouse, perto de sua casa, e se afogou. Seu corpo foi encontrado somente três semanas mais tarde, em 18 de abril de 1941, por um grupo de crianças perto da ponte de Southease.
Em seu último bilhete para o marido, Leonard Woolf, Virginia escreveu:

Querido,Tenho certeza de que enlouquecerei novamente. Sinto que não podemos passar por outro daqueles tempos terríveis. E, desta vez, não vou me recuperar. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Por isso estou fazendo o que me parece ser a melhor coisa a fazer. Você tem me dado a maior felicidade possível. Você tem sido, em todos os aspectos, tudo o que alguém poderia ser. Não acho que duas pessoas poderiam ter sido mais felizes, até a chegada dessa terrível doença. Não consigo mais lutar. Sei que estou estragando a sua vida, que sem mim você poderia trabalhar. E você vai, eu sei. Veja que nem sequer consigo escrever isso apropriadamente. Não consigo ler. O que quero dizer é que devo toda a felicidade da minha vida a você. Você tem sido inteiramente paciente comigo e incrivelmente bom. Quero dizer que – todo mundo sabe disso. Se alguém pudesse me salvar teria sido você. Tudo se foi para mim, menos a certeza da sua bondade. Não posso continuar a estragar a sua vida. Não creio que duas pessoas poderiam ter sido mais felizes do que nós.
V.


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