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Por que lemos sobre tragédia?

Tragédia 11 de setembro é alvo da narrativa do livro "Plano de ataque" do autor Ivan Sant'Anna. | Google Images

Gostei tanto do texto escrito pela tradutora e editora Daniela Duarte no blog da companhia das letras, que decidi criar uma publicação com o mesmo título. Catalogados dentro do gênero não-ficção ou até mesmo livro-reportagem, os livros que relatam tragédias possuem uma legião incontável de fãs. Pode-se dizer, que estou incluso nesta lista.

Livros de não-ficção são sempre os queridinhos, afinal, são os livros que narram fatos reais, acontecimentos que envolveram uma série de pessoas em um determinado tempo para sucessão de um fato que viralizou, e de alguma forma, se eternizou. Pensando nos livros que li dentro deste aspecto, lembrei-me de "Morte e Vida no K2", escrito pelo autor Graham Bowley e publicado no Brasil pela editora Objetiva. K2 relata a experiência de 24 montanhistas em busca da escalada do segundo monte mais alto do mundo — apenas 244 metros menor que o Everest —, o relato escrito por Graham nos leva para um universo paralelo onde conseguimos sentir o desespero daqueles que sentiram ou presenciaram na pele o cheiro do medo, afinal, a cada quatro montanhistas que conseguem escalar o monte, ao menos um não consegue fazer a volta.

Capa oficial do livro "Morte e vida no k2".
O site GQ da Globo preparou uma análise
completa da obra. Leia aqui.
Em meio á um caminho "sem volta", os aventureiros se veem em desespero extremo ao perceber que a montanha era extremamente suscetível à avalanches, tremores e deslizes de neve. O livro é um dos retratos mais desesperadores já escritos, e talvez, o mais chocante no quesito tragédia. Bowley é um jornalista americano que escreveu o livro baseando-se nos fatos descritos pelos sobreviventes a escalada do monte. O livro possui uma característica e pegada psicológica extremamente forte e uma sucessão de fatos que parece não ter mais fim, uma tragédia atrás da outra. O retrato da tragédia no K2, é talvez, o melhor relato no quesito montanhismo. 

Sentir o desespero das pessoas e imaginar-se no lugar delas é algo comum entre as pessoas, o que eu nunca vou entender é por que as pessoas costumam imaginar-se naquelas situações, afinal, algo que eu jamais gostaria de passar na minha vida, seria uma situação interminável de desespero, medo e fraqueza. Sentir-se o mais próximo da desgraça alheia é o que move o leitor ao sentimento de admiração pela escrita e pelos fatos, não pelo ocorrido. Saber que pessoas sobreviveram a um desastre de tal porte, é o que move a maioria das pessoas, afinal, seria tudo muito pior se ninguém tivesse sobrevivido para contar história.

Outro livro que intriga todo e qualquer leitor amante de narrativas envolvendo fatos verídicos é "Caixa preto", também publicado através da Editora Objetiva pelo jornalista Ivan San'Anna no ano de 2000. Caixa preta é o relato de três grandes desastres aéreos no Brasil.

"Caixa Preta", é apenas um dos vários
Livros escritos pelo autor sobre desastres.
Um jato em chamas, pouco antes de aterrissar em Paris, um louco armado a bordo, com o objetivo de jogar o avião contra o Palácio do Planalto e um Boeing perdido, com pouco combustível que é obrigado a pousar na escuridão da floresta amazônica. Três acidentes em que o medo, a coragem, o sangue-frio, o desespero, o egoísmo e a solidariedade se misturam e compõem as histórias que comoveram o Brasil. Em "Caixa-preta", da editora Objetiva, Ivan Sant`Anna reconstitui a trágica história desses três vôos. Partindo de um amplo trabalho de pesquisa e uma série de entrevistas, faxes, e-mails, telefonemas, cartas, documentos e laudos, o autor reuniu informações inéditas sobre os episódios e traçou, com mestria de ficcionista, os instantes que antecederam os vôos, acompanhando os principais personagens, retratando os momentos de pânico em que cada um viu a própria vida em risco. O resultado é uma narrativa impressionante que conta com informações técnicas das caixas-pretas, processos, opiniões de especialistas e laudos. E mais que isso, traz o relato das pessoas que sentiram na pele o que é viver um acidente de avião. O livro mostra como cada um dos sobreviventes reagiu diante da tragédia e a atitude dos pilotos perante os desastres. É uma verdadeira caixa-preta que revela passo a passo todos os segredos destes vôos.

Dando continuidade ao trabalho efetivado em Caixa Preta, Ivan Sant'Anna promete mais um livro investigativo não ficcional que procure explicar os acontecimentos envolvendo os voos TAM 402, o GOL 1907 e o TAM 3054, que juntos interromperam quase 450 vidas num espaço de dez anos. O autor também escreveu sobre o ataque 11 de setembro, seu livro intitulado "Plano de ataque", narra não somente os fatos do ataque terrorista ao World Trade Center, como também relatos verídicos de vítimas que conseguiram escapar quase que por um milagre do acontecimento, e de parentes e amigos que presenciaram de perto o acontecimento que marcou onze de setembro de dois mil e um.

O fato é que as pessoas gostam de se sentir próximas ao acontecimento e as narrativas verídicas que mostram a verdade por trás da verdade. Os livros de não-ficção, em especial que narram sobre desastres são realmente uma das leituras mais viciantes da atualidade. Ler acerca de assuntos verídicos são uma excelente maneira de pesquisar a fundo o acontecimento, entender como se deu a sucessão dos fatos, e viajar para um universo alternativo e ver de perto, como que se fosse quase uma viagem ao passado, as pessoas correndo, gritando e os pedidos de ajuda e a vontade incessante em ajuda-las. 

Talvez o real motivo para lermos sobre tragédia é entender que pessoas passam por situações desagradáveis e algumas delas são desprovidas de sorte, ou talvez, para entendermos e nos informarmos sobre o ocorrido, seja qual for o motivo pelo qual optamos em ter acesso à determinadas informações, o fato é que são leituras viciantes.

Livros abordados no texto:

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