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[RESENHA] A moça com olhos de sessão da tarde — Aldo Jr

Titulo: A moça com olhos de sessão da tarde
Autor: Aldo Jr
Editora: Penalux / Ano: 2016
ISBN: 9-788558330428
Páginas: 97
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Avaliação: 10/10 — Favorito

A moça com olhos de sessão da tarde, é dos icônicos livros de poesias publicados pela editora penalux. Aldo Jr, um autor paulista, nos apresenta um universo paralelo ao que conhecemos da realidade dentro das ênfases e dos parâmetros oferecidos pelo coração e pelo sentimento que chamamos de amor. Visceral em cada linha, esta obra não tem a pretensão de sarar-nos, mas de nos rasgar cada vez mais, de dentro para fora e vice-versa.

Permeando entre sentimentos sintéticos, viscerais e obstrutivos relacionados entre a saudade, vontade, desejo e prazer, Aldo Jr nos apresenta uma escrita visceral acerca das contendas diárias das lembranças que corroem, rasgam e nos abrem por inteiro de dentro para fora, sem a menor intenção de nos curar do mal que nos acomete. Um reflexo entre o passado, futuro e presente são constantes, fazendo-nos pensar que talvez ainda falte muito para dominar-nos a arte de nos conter com a realidade do abandono, da desistência, da ausência.

Saudade não é a presença da ausência. Saudade é a presença constante daquilo o que não se pode ter naquele momento [...]

Entre o entrelace das lembranças e o beijo da bebida, podemos notar que o inebriar não invade apenas seu fígado, como também sua alma, coração e todo o seu ser, que agora, encontra-se corrompido, ludibriado e repleto de tudo o que se tem agora — tudo — ou, talvez nada, depende do ponto de vista. O amor quase que platônico que surgiu entre um gozo e outro de cama em cama, de sorriso em sorriso e de encontro em encontro.

Quantos encontros com uma determinada pessoa, causa um desencontro emocional consigo mesmo? Talvez inúmeros, ou talvez um seja o suficiente para perpetuar todas as lembranças para todo o sempre. Aldo Jr possui em si a peculiaridade de escrever entre os cortes causados pela arte do desencontro, desencontrar-se de si, dos momentos e dos reflexos das casualidades que acometem, formam e transformam nosso ser.

Palavras narrando os destemperos, desassossegos e incêndios, de coração vazios à deriva no mar do tempo [...]

A ausência que causa o efeito do ato de contentar-se aos poucos com sua real situação.

Não preciso do seu inteiro para me fazer pela metade [...]

Lembranças que insistem em permanecer:

Achava graça de me ver escrevendo de cueca na sala, mesmo estando só de calcinha me olhando, me chamando pelo nome [...]
Uma viajem entre encontros e desencontros, e a arte de contentar-se em não encontrar-se mais em si, encontrando-se apenas em meio aos desejos e vontades provocados pela ausência da saciedade dos momentos vividos. Amor pela metade, copos inteiramente cheios e pensamentos excedentes.

Aldo Jr escreve com toda à alma e entrega-se desde o primeiro instante aos desejos e vontades pressupostos em saudades e vontades. Uma viagem capaz de nos penetrar e nos rasgar de dentro para fora, e o pior de tudo é que esta escrita não oferece um remédio, apenas noites mau dormidas e sonhos inacabados de vontades fundadas em incertezas.

Visceral, atual, magistral e impecável.

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