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[RESENHA] O papel de parede amarelo — Charlotte Perkins Gilman

ISBN-13: 9788503012720

ISBN-10: 8503012723
Ano: 2016 / Páginas: 112
Idioma: português 
Editora: José Olympio
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Este clássico da literatura feminista foi publicado originalmente em 1892, mas continua atual em suas questões. Escrito pela norte-americana Charlotte Perkins Gilman, ele narra, em primeira pessoa, a história de uma mulher forçada ao confinamento por seu marido e médico, que pretende curá-la de uma depressão nervosa passageira. Proibida de fazer qualquer esforço físico e mental, a protagonista fica obcecada pela estampa do papel de parede do seu quarto e acaba enlouquecendo de vez. Charlotte Perkins Gilman participou ativamente da luta pelos direitos das mulheres em sua época e é a autora do clássico tratado Women and Economics, uma das bíblias no movimento feminista. Esta edição de O papel de parede amarelo, que chega às livrarias pela José Olympio, traz prefácio da filósofa Marcia Tiburi.

Publicado originalmente no ano de 1982, o enredo escrito por Charlotte Perkins continua tão atual como nunca. Com questões existenciais acerca dos direitos e da vida e liberdade, Charlotte nos apresenta uma escrita em primeira pessoa que possivelmente está passando por problemas de depressão nervosa (muito comum em sua época), seu marido que é médico, decide então manter a mulher em cativeiro, sem direito a fazer absolutamente nada, nem sequer reivindicar seus direitos. Enquanto mantida em cativeiro, a mulher começa a sofrer de alucinações e de uma obsessão sem precedentes com o papel de parede do quarto onde está, a cor intrigante à remete a reflexões de extrema complexabilidade capaz de provocar pensamentos acerca de tópicos nunca pensados antes. As questões reflexivas abordas no contexto deste livro continuam tão atuais como nunca.

Charlotte era uma forte combatente na igualdade de gênero. Seu livro foi redescoberto pelo movimento feminista na década de 70, desde então, começou a perpetuar-se pelo mundo, até se tornar um clássico na luta pelos direitos das mulheres, o livro encontra-se em toda e qualquer lista de "livros para quem deseja compreender melhor o feminismo".

Como dito anteriormente, o livro é narrado em primeira pessoa e mostra-nos a ficção da personagem pela cor do papel de parede do quarto onde está em cativeiro. Suas reflexões são simples, porém, complexas. A cor de uma parede causou toda uma série de lutas atuais acerca do empoderamento, dos direitos igualitários e da posição da mulher na sociedade.

O livro apresenta um prefacio muito bem elaborado por Márcia Tiburi, o que nos proporciona uma melhor visão e compreensão acerca do conto.  

John (marido da protagonista) é médico e diagnostica a mulher com uma doença depressiva de grau leve, e decide interna-la em uma casa alugada dentro de um quarto, para que sua participação na sociedade seja nula.

"Há coisas nesse papel que ninguém, senão eu, sabe ou virá a saber." (Pág. 21)

Em um dos aposentados da casa, o quarto que o casal ocupará há um papel de parede amarelo, descrito como feio, padrões irregulares e exagerados, cor repulsiva, quase revoltante, com curvas imperfeitas e duvidosas. No posfácio compreendemos as metáforas empregadas na narrativa e o que vem a ser o papel de parede amarelo na vida do SER mulher em uma sociedade, principalmente no período em que as relações "homem-mulher, marido-esposa" são analisadas.

Os trabalhos de Gilman tiveram e são de relevância para análise socioeconômica das mulheres. Um historiador afirmou que ela foi "a principal liderança intelectual no movimento das mulheres nos Estados Unidos." O conto é excelente, o posfácio tão quanto. Elaine R. Hedges estudou por anos a contribuição de mulheres americanas nas artes e apresenta informações chaves para continuarmos adentrarmos na obra de Charlotte Perkins Gilman.

Contudo no decorrer da trama vamos percebendo alguns fatos, a esposa “adoentada” ama escrever, porém isso lhe é impedido e por vezes ela escreve escondido do marido e da cunhada que julgam esse comportamento inadequado, afinal para a época o que se esperava de uma mulher não era um dom tão intelectual, ela deveria apenas cuidar da casa, do marido e dos filhos, algo que para muitas mulheres talvez não fosse suficiente e que possivelmente as afetava e tornava infelizes aquelas que não se adequavam a tal realidade.

O mistério do papel de parede persegue o leitor do início ao fim do livro. Cor extremamente forte, cortes irregulares, parâmetros defeituosos, colagem inadequada e um cheiro horrível. Era o pior quarto para se estar naquele momento de recuperação, porém, suas reclamações não são acatadas pelo seu marido, que claro, considera tudo tolice.

O papel de parede possui uma representatividade de grau importantíssimo, afinal, não é atoa que ele é o cenário escolhido pela autora para suas reflexões. A ausência de poder do próprio corpo por parte da mulher naquele tempo, era demasiada, tanto quanto sua liberdade de expressão. Cada página, cada sarcasmo, cada metáfora é uma alusão a luta pelos direitos.

"Este papel olha para mim como se soubesse da terrível influência que exerce!" (Pág. 13)


COMENTÁRIOS

Esta versão é uma revisão do clássico, publicado pela Editora José Olympio (pertencente ao Grupo Editorial Record), e trás uma linguagem contemporânea, simples e direta com uma revisão e diagramação impecável. Por se tratar se um livro um tanto complexo, o livro tornou-se mais completo com os comentários feitos por Márcia Tiburi no prefácio.

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