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[RESENHA] A Redoma de Vidro — Sylvia Plath

ISBN-13: 9788525057945
ISBN-10: 8525057940
Ano: 2014 / Páginas: 280
Idioma: português 
Editora: Biblioteca Azul

Dos subúrbios de Boston para uma prestigiosa universidade para moças. Do campus para um estágio em Nova York. O mundo parecia estar se abrindo para Esther Greenwood, entre o trabalho na redação de uma revista feminina e uma intensa vida social. No entanto, um verão aparentemente promissor é o gatilho da crise que levaria a jovem do glamour da Madison Avenue a uma clinica psiquiátrica.


A Biblioteca Azul lança uma nova edição de A redoma de vidro, único romance da poeta americana Sylvia Plath. O título retorna às livrarias com tradução do escritor Chico Mattoso 51 anos depois da primeira publicação e do suicídio da autora, em 1963. 

Lançado semanas antes da morte da poeta, o livro é repleto de referências autobiográficas. A narrativa é inspirada nos acontecimentos do verão de 1952, quando Silvia Plath tentou o suicídio e foi internada em uma clínica psiquiátrica. A obra foi publicada na Inglaterra sob o pseudônimo Victoria Lucas, para preservar as pessoas que inspiraram seus personagens.

Assim como a protagonista, a autora foi uma estudante com um histórico exemplar que sofreu uma grave depressão. Muitas questões de Esther retratam as preocupações de uma geração pré-revolução sexual, em que as mulheres ainda precisavam escolher se priorizavam a profissão ou a família, mas A redoma de vidro segue atual. Além da elegância da prosa de Plath, o livro extrai sua força da forma corajosa como trata a doença mental. 

Sutilmente, a autora apresenta ao leitor o ponto de vista de quem vivencia o colapso. Esther tem uma visão muito crítica, às vezes ácida, da sociedade e de si mesma, mas aos poucos a indiferença se instaura, distanciando a moça do mundo à sua volta. Me sentia muito calma e muito vazia, do jeito que o olho de um tornado deve se sentir, movendo-se pacatamente em meio ao turbilhão que o rodeia.

Ao lidar com sua depressão, Esther também realiza a transição de menina para uma jovem mulher. Mais que um relato sobre problemas mentais, A redoma de vidro é uma narrativa singular acerca das dores do amadurecimento.



COMENTÁRIOS

Poucas pessoas escrevem como Sylvia Plath. Sylvia foi uma das grandes escritoras inglesas mais influentes no século XX, conhecida por sua obra poética, chegou a escrever um romance "semi-autobiográfico" intitulado "A redoma de Vidro", apesar de nunca admitir que o enredo de seu romance aborda questões ligadas á sua própria vida, após uma série de estudos, foi comprovado que a história de Esther Greenwood, nada mais é do que a história de Sylvia Plath.

A Redoma de Vidro narra a vida de uma jovem peculiar e bem interessante, chamada Esther Greenwood. Esther é uma jovem tão peculiar quando Sylvia, tudo começou quando ingressou na Madison Avenue, onde iria focar nos estudos e desenvolver seu talento para a escrita, porém, após um certo período de tempo, Esther vê-se com um forte bloqueio criativo que a leva das paredes luxuosas da universidade para uma clínica psiquiátrica.

“O silêncio me deprimia. Não era o silêncio do silêncio. Era o meu próprio silêncio"

Com características simples, Esther é uma personagem muito bem construída e elaborada. Sylvia consegue transmitir ao leitor toda sua mensagem de uma forma simples e regular, ou seja, tudo acontece naturalmente, Esther vai ficando deprimida e entrando em um estado de depressão, tudo flui naturalmente com pensamentos poéticos e linhas de escrita sublime.

Como Esther trabalhava com a escrita e era apaixonada pelo o que fazia, seus pensamentos acerca do bloqueio criativo e desejos com relação ao que estava acontecendo era constante, inclusive, quando busca ajuda no hospital psiquiátrico.

“Quis dizer a ela que seria bom ter algo de errado no meu corpo, que antes ter o corpo doente do que a cabeça, mas a ideia me pareceu tão complicada e tediosa que não falei nada.”

Com diversos problemas ocorrendo em sua vida, Esther vê-se sem saída: Seus pais querem que ela se case, as pessoas esperam demasiadamente resultados positivos de sua pessoa e suas dúvidas com relação ao futuro começam a atormenta-la de um jeito indescritível, com o tempo, os problemas começam a mexer com o emocional da personagem, que vê-se em um sério bloqueio criativo que impedia de fazer aquilo que era a única coisa que dava sentido a sua vida, a escrita.

O livro é uma narrativa "semi-verídica" e foi inspirada nos acontecimentos do versão de 1952, quando Sylvia Plath tentou o suicídio e foi internada em uma clínica psiquiátrica, onde foi submetida à uma série de eletrochoques, assim como Esther. Após esse período, Sylvia conseguiu reconstruir sua vida, na medida do possível. chegando a ser uma autora publicada, além de ter casado e ter dois filhos. Na manhã de 11/02/1963, Plath veda completamente o quarto das crianças com toalhas molhadas e roupas, deixando leite e pão perto das camas, tendo ainda o cuidado de abrir as janelas do quarto, ainda que em meio a uma forte nevasca. Em seguida, toma uma grande quantidade de narcóticos, deitando logo após a cabeça sobre uma toalha no interior de um forno com o gás ligado, morrendo passado pouco tempo.

Parecia haver fumaça saindo dos meus nervos, como aquela que saia das churrasqueiras e da estrada. Toda a paisagem — praia, encosta, mar e pedras — tremia diante dos meus olhos como a cortina de um palco.
COMENTÁRIOS

A narrativa de Sylvia plath é impecável do começo ao fim. Dotada de um grande dom poético, Sylvia nos apresenta um universo paralelo onde os problemas e as questões físicas e psicológicas são apresentadas como linhas de um sublime poema. Cheia de atitude e ousadia, a escrita nos remete à pensamentos acerca dos problemas enfrentados pela personagem Esther Greenwood e sobre todos os problemas que à cercam do começo ao fim [...]

Um livro que pode ser usado para viajar sem sair do lugar, para refletir e até mesmo para encarar a realidade através de uma nova ótica, com uma nova visão de um mesmo problema que todos estão sujeitos: A solidão como sendo a consequência do dia-a-dia e a depressão como sendo o efeito das causas cotidianas.  

O livro foi publicado pela editora Biblioteca Azul, que é um dos selos mais conceituados e aclamados do editorial Globo. 

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