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Desigualdade de gênero na literatura


Todo dia é dia do homem dentro de uma sociedade heteronormativa e machista. O direito igualitário entre homens e mulheres em todos os setores da sociedade, ainda não foi alcançado. Podemos perceber isso claramente quando descobrimos que em 115 anos de nobel de literatura, apenas 13 mulheres foram laureadas. O nobel de literatura é dado à todo escritor (a) que contribui de forma significativa para a sociedade, são avaliados diferentes critérios, como estilo próprio, filosofia, escrita e reflexão acerca de moral, ética e profundidade, porém, parece que apenas homens conseguem obter tal êxito. Estranho isso não? Porém não estou aqui para criticar o nobel, mas toda uma cultura que tem usufruído da figura da mulher como um ser menos qualificado que os demais.

No Prêmio Camões, que é concedido por Brasil e Portugal a escritores lusófonos, apenas seis mulheres foram homenageadas em 28 anos. No prêmio Jabuti, premiação literária mais importante da literatura brasileira, apenas 12 mulheres receberam o prêmio desde 1959 na categoria "Romance".

Nota-se a desigualdade também  no contexto histórico, e acredite, fiquei pasmo quando descobri como era a visão de algumas pessoas com relação à mulher no contexto histórico literário, a maioria delas sentiu-se extasiada ao compactuarem dos mesmos sentimentos de surpresa durante as reflexões sobre alguns tópicos selecionados por nós previamente. O dia da mulher no mundo é lembrado em sua maioria pela conquista de direitos — que desde sempre dá-se a entender que todos sempre tiveram, porém, sabemos que não é assim que a banda toca — pela desigualdade e palas inúmeras violências sofridas por diferentes mulheres em diferentes épocas, e isso é trágico.

Como alguém consegue sentir-se bem consigo mesmo quando dá-se conta de que de alguma forma — mesmo que  de forma inconsciente — contribui para uma sociedade menos justa com relação ao talento expresso pelas mulheres? Será que a sociedade esqueceu-se dos grandes nomes femininos da literatura, das vitórias que não vieram carregadas de dores, tragédias ou sentimentos amargos? Mulheres possuem tanta história para contar quanto qualquer homem. O papel deste texto não é fazê-lo acreditar ou pensar que estamos de alguma forma desmerecendo os homens no meio literário, apenas estamos procurando entender por que as mulheres continuam sendo excluídas em um meio onde as maiores recordistas de vendas de livros são mulheres. Vamos passar a mudar a cara do feriado das mulheres e começar a comemora-lo pelo fato de ser dedicado às mulheres, independente da época, da cor, do passado ou do presente. 

Uma forma de mudarmos a realidade atual acerca da realidade enfrentada pelas mulheres — principalmente no meio literário — é deixarmos de lado o preconceito de que mulher só escreve romance ou clichê e deixar-nos levar por uma escrita suave e surreal, acredite, as prateleiras estão repletas de escritoras fantásticas. 

Apesar do pouco reconhecimento, ainda existem militantes que "botam a cara no sol" e escrevem e descrevem fatos, histórias e contextos reais, trágicos e que ainda precisam ser moldados e mostrados para o mundo, principalmente pelo fato de apresentar-nos a história da mulher na história e na literatura, desde seus primórdios.

Algumas escritoras fantásticas foram citadas abaixo, porém, gostaria de citar minhas incríveis fontes de inspiração diárias. Muito obrigado as autoras, Juliana Daglio, Danka Maia, Adriana Rocha, Carol Bonacim, Juliana Leite e claro, Michelle Paranhos

CLARICE LISPECTOR

Ao mesmo tempo que ousava desvelar as profundezas de sua alma em seus escritos, Clarice Lispector costumava evitar declarações excessivamente íntimas nas entrevistas que concedia, tendo afirmado mais de uma vez que jamais escreveria uma autobiografia. Contudo, nas crônicas que publicou no Jornal do Brasil entre 1967 e 1973, deixou escapar de tempos em tempos confissões que, devidamente pinçadas, permitem compor um auto-retrato bastante acurado, ainda que parcial. Isto porque Clarice por inteiro só os verdadeiramente íntimos conheceram e, ainda assim, com detalhes ciosamente protegidos por zonas de sombra. A verdade é que a escritora, que reconhecia com espanto ser um mistério para si mesma, continuará sendo um mistério para seus admiradores, ainda que os textos confessionais aqui coligidos possibilitem reveladores vislumbres de sua densa personalidade.

GABRIELA MISTRAL

Primeira mulher da América Latina a receber um Prêmio Nobel de Literatura, Gabriela Mistral (pseudônimo do seu verdadeiro nome, Lucila Godoy Alcayaga) nasceu no Chile, em 1889. Defensora da democracia e dos direitos das mulheres, ela recebeu o prêmio em 1945. Seus poemas abordam a natureza, traição, amor, tristeza e recuperação, além da questão da identidade latino-americana. É dela o retrato que ilustra a nota de 5 mil pesos chilenos. 

CECÍLIA MEIRELES

Cecília Meireles (1901-1964) foi poetisa, professora, jornalista e pintora brasileira. Foi a primeira voz feminina de grande expressão na literatura brasileira, com mais de 50 obras publicadas. Com 18 anos estreia na literatura com o livro "Espectros". Participou do grupo literário da Revista Festa, grupo católico, conservador e anti modernista. Dessa vinculação herdou a tendência espiritualista que percorre seus trabalhos com frequência.

HILDA HILST

Hilda de Almeida Prado Hilst foi a única filha do fazendeiro de café, jornalista, poeta e ensaísta Apolônio de Almeida Prado Hilst, filho de Eduardo Hilst, imigrante originário da Alsácia-Lorena, e de Maria do Carmo Ferraz de Almeida Prado. Sua mãe, Bedecilda Vaz Cardoso, era filha de imigrantes portugueses. Em 1932, seus pais se separaram. Em plena Revolução Constitucionalista, Bedecilda mudou-se para Santos, com Hilda e Ruy Vaz Cardoso, filho do seu primeiro casamento. Em 1935, Apolônio foi diagnosticado com esquizofrenia paranoide.

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