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Papenado com Christopher Kastensmidt

Christopher Kastensmidt | Acervo Pessoal | Divulgação
Christopher Kastensmidt nasceu nos EUA, mas mora em Porto Alegre desde 2001. É autor de prosa, quadrinhos e poemas publicados em doze países. Sua obra mais conhecida é o mundo ficcional A Bandeira do Elefante e da Arara, cujas histórias renderam para ele o prêmio da revista Realms of Fantasy e uma indicação do prestigioso Prêmio Nebula. Participou da criação de trinta games, totalizando milhões de unidades vendidas, e chegou a ser Diretor Criativo da Ubisoft Brasil. É palestrante frequente em eventos nacionais e internacionais. Leciona na UniRitter, nos cursos de jogos digitais e letras.

1. Como nasceu o seu relacionamento com a escrita?

Na minha infância, antes mesmo de poder escrever de fato, eu gravava histórias em um aparelho de fita cassete. Contar histórias está no sangue! Ao longo dos anos, nunca parei completamente de escrever. Cheguei a submeter uns livros infantis e artigos para publicação, mas só comecei a levar a escrita mais a sério, como possível carreira, em 2004. Desde lá, já publiquei dezenas de contos, poemas, livros, quadrinhos e games em muitos idiomas e países.

2. Qual foi o primeiro livro que você escreveu? E como surgiu a ideia de escrever um livro?

Escrevi uns livros infantis nos anos 90 que nunca foram publicados. Escrevi meu primeiro romance em 2004, um livro de fantasia cômica, com a ideia de realmente entrar no mercado. Quando chegou a hora, porém, não submeti o livro. Comecei a me aprofundar mais na escrita e vi que ainda tive muito a aprender. Comecei a trabalhar com ficção curta, como maneira de melhorar a escrita.

O primeiro livro que cheguei a publicar foi The Faery Taile Project, em 2008, livro de coautoria de Jim C. Hines. Não foi um romance, mas duas histórias ambientadas no mesmo mundo. Ganhei um concurso com a minha história e parte da premiação era para Jim, um autor muito bem conhecido nos Estados Unidos, escrever o espelho da história, de outro ponto de vista.

3. Quais suas principais inspirações literárias?

Na minha infância, li muito Tolkien, Fritz Leiber, Stephen R. Donaldson, Ursula K. LeGuin, Robert E. Howard, Alexandre Dumas e vários outros. Ia toda semana para a biblioteca pública tirar outra pilha de livros.

Também joguei bastante RPG de mesa, que considero uma inspiração literária. O jogo acontece na escrita e na conversa, e como mestre, eu estava sempre lendo e escrevendo aventuras novas. Jogos como Dungeons & Dragons, Middle Earth Roleplaying e Star Frontiers foram algumas das minhas principais inspirações para algum dia se tornar escritor. De fato, as minhas primeiras tentativas de publicação eram histórias e aventuras submetidas para as empresas e revistas de RPG.


4. O que você considera mais difícil durante a escrita de uma história?

A parte de revisão é uma das partes mais demoradas e maçantes, mas ao mesmo tempo, altamente importante. A fase de pesquisa é muito mais demorada, mas também divertida. A história vai ser formando na minha cabeça na fase de pesquisa, raramente faltam ideias quando chegar a hora de escrever mesmo.

5. Quando decidiu se tornar escritor?

Eu comecei a me preparar para a carreira em 2004, enquanto eu ainda trabalhava com jogos digitais na minha antiga empresa, Southlogic Studios. O nosso estúdio foi comprado por Ubisoft e acabei saindo de lá em 2010 para seguir de vez uma carreira em narrativas. Durante este tempo (2004 a 2010), aprimorei bastante a minha escrita e publiquei dezenas de histórias ao redor do mundo. Foi muito importante ter este tempo de transição. Se eu tivesse saído diretamente para a escrita, acho que podia ter sido muito frustrante, por falta de desenvolvimento profissional na área.

6. Qual de seus personagens você mais gosta?

Certamente a dupla de heróis Gerard van Oost e Oludara da minha série A Bandeira do Elefante e da Arara. Já dediquei anos da minha vida a eles. 

7. Como você sente quando recebe um comentário positivo acerca de sua obra?

É sempre um prazer. Estou há mais de uma década publicando e recebendo comentários dos leitores. Ganhei até prêmios internacionais. Mesmo assim, ouvir um novo leitor comentar sobre as minhas obras nunca perde seu valor.

8. Pretende escrever novos livros? Tem algum projeto em mente chegando?

Hoje em dia, estou escrevendo não apenas literatura, mas também para projetos audiovisuais, um RPG de mesa, games e quadrinhos. Ando dividindo meu tempo entre estas áreas. Tenho alguns projetos a sair, inclusive outro romance e uns livros infantis, mas o próximo livro meu a sair provavelmente vai ser algo interativo.

9. Qual gênero literário você mais se identifica?

Fantasia, sem dúvida. É o que mais consumo e mais produzo.

10. O que você diria para as pessoas que estão conhecendo tanto você, quanto a sua escrita agora?

Primeiro, eu diria para deixar a mente aberta. As histórias de A Bandeira do Elefante e da Arara são ambientadas no Brasil Colônia, com elementos do folclore brasileiro. Li um comentário esta semana onde alguém escreveu: "não acharia nem um pouco interessante uma história com sacis e caiporas". Como assim? Como alguém pode dizer que não acharia interessante uma história que nunca leu?

No caso de A Bandeira, as histórias já ganharam prêmios internacionais e foram traduzidos para inglês, espanhol e até chinês. Editores e leitores ao redor do mundo estão procurando as histórias, mas alguém aqui descarta a obra apenas por ser baseado no folclore nacional. Acha que os leitores gregos descartam Percy Jackson por envolver a mitologia nacional?

Dizendo isso, não são livros para todo mundo. Escrevi estes livros para leitores de ação, fantasia e/ou ficção histórica. Quem gostaria destes gêneros, pode achar a série interessante. Recentemente, o romance foi escolhido entre os 10 melhores livros brasileiros de 2016 pelo site Listas Literárias, sendo o único livro da lista comercializado no gênero de fantasia.

11. O que as pessoas devem esperar da sua escrita?

No mundo de A Bandeira do Elefante e da Arara, tento desenvolver uma boa história, com personagens profundos, humor e bastante ação. Os meus personagens enfrentam perigos, sofrem, perdem e precisam tomar decisões de relevância. Tento escrever um texto limpo e afiado, sem ostentação, que não tira a atenção do leitor da história.

12. Qual passagem do seu livro te marcou mais? Existe um trecho que você goste mais que os outros?

Tem uma conversa que gosto bastante em A Bandeira onde os protagonistas falam:

— Você iria com dois homens, onde outros caminha com medo, com cinquenta?
— Sim, se esses dois formos nós!

Acho que a frase encapsula bem alguns temas do livro: a importância da amizade e a força que um amigo pode nos fornecer em tempos difíceis.

13. Como foi a recepção do público com relação ao seu primeiro livro?

The Faery Taile Project foi um projeto pequeno, com uma tiragem pequena (500 livros). A recepção foi média, alguns gostaram e outros não. É um livro simples, cômico, eu não esperava muito mais que isso. Livros posteriores meus já foram indicados para prêmios importantes. Desenvolver talento e receber reconhecimento é um longo processo.

14. O que te inspira a continuar escrevendo?

Quem adora contar histórias não para nunca. Como mencionei anteriormente, comecei a contar histórias com uma fita cassete. Hoje, conto histórias através de games e quadrinhos. A mídia pode mudar, mas a paixão nunca.

15. O que você diria para alguém que está iniciando a escrita do seu primeiro livro?

Prepare-se para um longo caminho. Muitos autores que conheço escreveram três ou quatro livros antes de conseguir a publicação. Importante é de não parar de escrever. Ao terminar o primeiro livro, não fique esperando o mundo bater à sua porta, é o momento para começar o próximo projeto.

16.Na sua opinião: Qual o pior erro que um autor pode cometer durante a escrita do seu primeiro livro?

Não tem erro. Erro é não escrever o primeiro livro, o segundo livro e adiante. O erro pode ser em sentir a necessidade de publicar o primeiro livro, que, muitas vezes, não chega a um nível publicável. O primeiro livro normalmente é um conjunto de clichés, tecidos das leituras anteriores do autor. Demora para desenvolver estilo e sair dos clichés.

Engavetei o meu primeiro romance e nunca me arrependi. Passei outros anos desenvolvendo a escrita através dos contos antes de colocar qualquer produto no mercado. O autor precisa desenvolver um senso de autocrítica.

17. onde podemos encontrar seus livros para compra? Qual você indica que nossos leitores conheçam primeiro?

A minha obra principal é o romance A Bandeira do Elefante e da Arara. Mais fácil é encontra-lo online na Amazon ou na loja virtual da Devir. 

18: Qual a sua opinião sobre a literatura nacional nos dias de hoje? Acha que é bem divulgada pelos blogs literários e editoras?

Hoje em dia, vejo mais notícias sobre as obras nacionais do que as internacionais, então acho que estamos no caminho certo. Ao mesmo tempo, acho que literatura em geral ganha cada vez menos espaço frente às outras mídias. É muito importante que os leitores também divulguem suas obras prediletas, para incentivar a leitura entre pessoas que não acompanham o cenário nacional.

19. Se você pudesse dar um conselho para os seus amigos escritores por meio desta publicação, o que você diria a eles?

Festeje todas as conquistas, por mínimas que sejam. Escreva pelo prazer e não por nenhuma finalidade específica. As oportunidades aparecerão e o caminho será bem mais prazeroso.

20. Obrigado pela oportunidade de conhecer um pouco mais de seu trabalho. Sucessos! 

Eu que agradeço a oportunidade!
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