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[RESENHA#105] Ilusões — As aventuras de um estudante inseguro, Richard Bach

Não há bênção que não possa se tornar um desastre, e não há desastre que não possa se tornar uma bênção. Do mesmo autor de Fernão Capelo Gaivota e Ilusões. Em seu livro Ilusões, best-seller internacional que se seguiu à publicação do consagrado Fernão Capelo Gaivota, Richard Bach narra uma história fantástica que coloca em cheque nossa visão de mundo, sugerindo que o que chamamos de realidade é, na verdade, uma ilusão criada para nos permitir viver uma vida de aprendizados e diversões. Em O fim das ilusões, Richard Bach narra o diálogo que travou com os personagens mais famosos de seus livros nos meses em que ficou em coma após um acidente aéreo gravíssimo. Durante essa experiência de quase-morte no hospital, enquanto suas criações literárias o ajudavam a curar seu corpo, sua mente e sua alma, ele teve um reencontro com o Messias, que o guiou no caminho da libertação do mundo das ilusões.

O fim das ilusões é o segundo livro da duologia ilusões do autor americano Richard Bach. Após a escrita de Ilusões, o autor não pretendia em momento algum dar ênfase em uma nova escrita ou escrever um segundo livro para série ilusões, porém, houve um acontecimento que o fez mudar de ideia. Em 31 de agosto de 2012, Bach sofre um acidente com seu avião, quando suas rodas de pouso entrelaçam-se em fios de alta tensão, o levando para a "quase morte". "O fim das ilusões", conta-nos a experiência vivida por Richard Bach durante seu estado de coma, e o reencontro com Donald Shimoda e com seus vários personagens de outros livros, que tornaram-se seus alunos, e também, seus professores. 
Não há benção que não possa se tornar um desastre, não há desastre que não possa se tornar uma benção — página 08
Neste livro teremos o prazer de reencontrar um personagem extremamente querido e vivo nos relatos de Bach com a vida, Donald Shimoda. Shimoda é o messias que aparentemente desistiu do cargo celestial pelo simples fato as multidões o procurarem apenas pelo o que ele tinha à oferecer (milagres), e não pelo o que ele tinha à dizer. Também entraremos em contato com outros personagens peculiares nascidos diretamente do enredo de outros livros escrito por Bach, onde ele, insconsciente na cama de um hospital passa a viajar sobre mundos celestiais e encontrar-se com personagens e com o próprio messias, que agora, lhe dá conselhos de como ter uma vida plena e sábia, respondendo sempre ás suas questões com relação à existência, vida e claro, ao acidente. 

Em uma viagem de auto-descoberta, Richard mostra-nos que a felicidade está nas pequenas coisas, e que sim, somos capazes de tudo o que quisermos se pensarmos que somos capazes — esta é talvez a maior mensagem no livro — e que a recuperação do corpo é só um dos processos pelo qual nosso espírito intacto passa, auxiliando-nos para uma vida plena e uma recuperação mortal mais breve.
Nenhuma vida mortal é verdadeira. Elas não passam de imaginações, aparências, ilusões — Página 34
Bach, ainda quando em coma, não sabia ao certo o que havia lhe acontecido, ele não acreditava que houvera algum problema ou falha, ele não se lembrara de absolutamente nada, aliás, não havia nada que pudesse provocar a queda de seu puff, ou havia? Muitas perguntas pairavam sobre sua cabeça, sobretudo: Porque você, e por que agora? Por que você pediu que assim fosse. Este desastre é a chance pela qual você rezou, seu sonho realizado — página 37 
Aquela de cama de hospital era o meu túmulo. Quanto mais permanecesse deitado ali, mais fraco eu me sentiria, até que por fim, eu precisaria usar todas as minhas forças para morrer — página 78

Uma viagem ao íntimo de Bach, que nasceu, conheceu o outro lado da morte e voltou para contar sobre a experiência entre viver, morrer e reconhecer todos os seus caminhos em vida. Uma história que narra recuperação, fé, martírio e força de vontade para vencer.

E uma frase que nunca se ausenta: Você é uma impressão perfeita do amor de Deus. Aqui e agora — página 38 

A  escrita de Richard Bach é exatamente como imaginava que fosse, cativante, envolvente, emocionante. Impossível não chorar com seus relatos e imaginar-se em um estado de coma recebendo a visita do messias e de todos os professores que nos cercam diariamente, personagens criados em nossa mente, nossas vontades, desejos e sobretudo, nossa fé, que nunca se ausenta.

Sentir-se imóvel, com o pensamento voando longe e com a cabeça fora do lugar, é comum durante a leitura e é reconfortante imaginar-se por um momento que um enredo tão emocionante nos levou à ares tão altos e profundos. Tão altos quanto o voo de um avião e tão inusitado quando o mergulho em uma acrobacia, tão emocionante quando a escapada da morte, pós-acidente. 

SOBRE O AUTOR

A principal ocupação de Bach foi como piloto reserva da Força Aérea e praticamente todos os seus livros envolvem o vôo de certa maneira, desde suas primeiras histórias sobre voar em aeronaves até suas últimas onde o vôo é uma complexa metáfora filosófica. Bach alcançou enorme sucesso com Fernão Capelo Gaivota, sucesso este não igualado por seus livros posteriores; entretanto, seu trabalho continua popular entre os leitores. Richard Bach usava a internet no princípio dos anos 90 com sua própria seção na Compuserve, de onde respondia e-mails pessoalmente, até que a enorme demanda o obrigou a largar o passatempo. Ele também mantinha um website, que , a partir de novembro de 2005, passou a apenas possuir uma ligação (em inglês) para a venda do livro "Messiah's Handbook Reminders for the Advanced Soul" (Manual do Messias - Um guia para a alma avançada).

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