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[RESENHA#111] Soltando o tempo — Ercilia Pollice

Titulo: Soltando o tempo
Autora: Ercilia Pollice
ISBN: 978-85-5833-102-6
Editora: Penalux
Ano: 2016/Páginas: 204
Compre: Loja Penalux

A transparência e a lucidez dos fatos apresentados acerca da personagem principal não são meras lembranças, são tão vivas que parecem ser atuais. Podemos dizer que esta narrativa irá nos cativar de tal forma, que o ontem de Lena, Leninha ou Elena, será o nosso dia de hoje. 

Soltando o tempo foi escrito pela escritora Ercília Pollice e publicado pela Editora Penalux. Lançado em novembro de 2016, todo o fervor das lembranças de Lena — ou Ercília — misturam-se visceralmente, cativando-nos a ponto de apaixonarmos por um enredo rico em detalhes, momentos, memórias e lembranças que jamais foram esquecidas pela protagonista.

Hoje ela sabe que sua infância foi a coisa mais decisiva de sua vida — página 45

A história transita entre passado e presente da personagem principal — Elena — entre memórias, lembranças e ensinamentos. A história começa a ganhar vida quando começamos a conhecer um pouco da felicidade de Elena, ela contentava-se com pouco, ou melhor dizendo, com o que tinha, podemos dizer que mãe era dotada dos mesmos aspectos. Leninha — apelido carinhoso de infância — era uma criança que via em todos os momentos o lado bom e as boas coisas que todos tinham à oferecer. Sua mãe era habituada e muito ligada ao local onde moravam, por estar próximo da família e de amigos, é uma mulher extremamente batalhadora e guerreira, um exemplo de mulher, porém, seu mundo cai após saber que a família necessitaria se mudar de onde estava para Itanhaém (SP), levando-a para longe de tudo ao qual estava habituada. Seu pai fizera algumas más escolhas políticas, o que acabou lhe rendendo o fechamento do local onde trabalhara, forçando sua transferência para o litoral sul — ante o mar — o que despertava ainda mais o medo e a insegurança na mãe, porém, era necessária a mudança e Leninha encontrava-se feliz com a novidade, com a viagem, aliás, tudo a encantava.

O pai tinha 34 anos e possuía suas incertezas acerca da mudança, porém, procurava pensar positivo, afinal, tinha uma mulher grávida e três filhas para cuidar, e o local onde iria fazer isso não importava. Era médico dos bons, e isso, ninguém poderia negar, e iria fazer o possível para ser reconhecido onde estava e continuar com a vida que sua família possuía antes da mudança.

[...] O Brasil colonial a encantava ou quem sabe o encanto que sente pelos casarios, pelos móveis do Brasil colônia, seja influência do tempo de sua infância — página 42

O espaço em que se narra a história é transversal entre passado e presente. A história da jovem Lena, contada de forma tão cativante, que quase soa como poesia em nossos ouvidos. As perdas, à vida, os momentos deliciosos de infância, as pessoas que vieram para somar, tudo ao mesmo tempo de uma forma visceral, narrando a vida de quem teve o melhor para aproveitar em todos os momentos.

Ercilia Pollice apresenta-nos uma escrita esclarecedora acerca da vida, nos trazendo para uma realidade acerca daquilo o que desejamos para nós mesmos — ficar bem — sob uma visão puritana sobre a vida de Elena, tão pura quanto sua inocência de criança, e tão suave quando seu amadurecimento. Um romance que permeia entre vontades, desejos e sentimentos que despertam em nós a alegria de viver intensamente conforme os dias se sucedem, sempre sendo grato pelo o que temos, e não pelo o que teríamos ter.

A escrita é tão fascinante que é impossível não chorar. Teve momentos que eu me imaginei como Lena, no meio da turbulência procurando enxergar o lado bom de todas as coisas, com sua inocência e sua visão de garota, de menina. Esta ai uma coisa que falta em todos nós: Inocência. Eu sinto tanta falta de sentir o que eu sentia quando tinha nove anos, que relatos, contos e histórias como esta, me cativam tão facilmente, tão incrivelmente que eu não consigo não chorar. A escrita de Ercilia é graciosa, pura e tão transparente quanto sua narrativa, simplesmente um livro que prende-nos e nos leva à viajar em um túnel do tempo, entre o ontem, o hoje e o amanhã.

Um pano de fundo é usado durante as características visões e narrativas dentro do texto — uma guerra na qual o Brasil vê-se no meio, ameaçado — mesmo com motivos para sentir medo, Lena era feliz e contagiava sua mãe — Guerreira, batalhadora, insistente — que mostrava a todo momento, ser uma mãe carinhosa e preocupada com o bem estar da família e de todos aqueles que circundam seu redor.

O cheiro da areia, a alegria de ter por perto mãe, pai, primos, tias, tios, areia, sol, mar, o vento batendo nos cabelos, as aventuras com as pessoas que mais se amam. As recordações vivas e lúcidas das ruas, dos becos, das árvores, da sensação térmica, das visitas aos amigos.

Narrativa que mais parece  uma expressão de confissão, como se a autora pudesse nos dizer: Eu vivi tudo isso, eu sou Lena. Este é o livro que seu ano precisa para ir para frente, por que vivemos tantas tribulações, tantos momentos ruins, que a visão inocente de uma criança irá com toda certeza ajudar-nos alcançar a plenitude que desejamos.


COMENTÁRIOS PESSOAIS

Não banalizem este livro. Esta é uma das publicações que vocês mais irão valorizar na vida quando finalizarem-na. A linha tênue entre as memórias que atravessam a vida de Lena e se intensificam em nós no decorrer da leitura, mostra-nos uma série de fatores que podem ajudar-nos à colocar nossa vida setorial (os setores da vida) no lugar — sentimental, valorizar as pequenas coisas, valorizar as lembranças, se contentar com o que se tem —. Ercilia Pollice e toda equipe responsável pela publicação deste livro trabalhou arduamente para entregar um material incrível em todos os aspectos possíveis acerca da vida de Lena e das pessoas que atravessavam sua vida. 

Não se sinta culpado por chorar com este livro, sinta-se aliviado por ter compreendido que o melhor da vida está nas pequenas coisas.

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