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[RESENHA#112] Poesia na ponta do lápis — Regiane Nunes

Titulo: Poesia na Ponta do lápis
Autora: Regiane Nunes
Ano:2017/Páginas: 98
Editora: Multifoco

Detentora de uma escrita altamente refinada, Regiane Nunes nos instiga, através do fazer poético, a perscrutar os recônditos mais profundos do caos de nossa existência humana. Esta obra nasce com o intuito de nos tirar as certezas e, com uma inigualável riqueza de subjetividades, revelar as nossas mazelas, o avesso de nosso eu, a antítese da vida e o ambíguo do íntimo não revelado. É um livro que, certamente, demarca a alma com uma inquietude avassaladora, a ponto de fomentar em nós as questões existenciais mais elementares da vida - e porque não da morte? - Quem eu sou? Porque estou aqui? Para onde vou? É nesse sentido que a encantadora sensibilidade expressa em cada palavra do livro Poesias Na Ponta do Lápis é um convite ao autoconhecimento, a recostar-se confortavelmente em sua poltrona, separar sua melhor bebida quente e devorar de forma voraz essa fascinante obra. — Ranyere B Cerqueira

De onde nascem os poemas? Já me perguntaram, e foi isso que me perguntei de onde nascem os poemas de Regiane Nunes nesse seu livro. E não haveria melhor título para descrevê-lo que o que a autora lhe concedeu. E então obtenho a resposta para a minha pergunta. De onde nascem os poemas? Obviamente dos sentimentos descontínuos da poeta, da sua movimentação interior, da sua percepção do mundo e a sua necessidade de explicá-lo, a sua necessidade de explicar-se.

Regiane passeia por toda a sua dimensão e nos apresenta a sua visão de mundo de uma forma simples e rara, sendo ela mesma de alma lavada e coração a pleno vapor.

Em seus poemas é possível ver alguém que que se debruça sobre a janela que dá para si mesma, se olha, se investiga, se admira (narcisa) e que se expõe. Pois esse é o papel, não, não o papel, mas à vontade do poeta. Explicar-se, dizer-se, lírico ou visceral, mas ser. E tudo que a poeta quer, tudo que ela mais almeja em sua completude é

Desmanchar-se,
Abrigar-se no além,
Esse além daqui, além de nós,
Além que um dia vem
Embriaguez misteriosa

Por que Regiane é o tipo de poeta que se senta em um ônibus lotado e que por mais que o seu coração esteja caindo, ou feito em pedaços ela se compadece da dor do outro, e assume o seu papel como poeta de querer ter mil mãos, mil braços, mil bocas, para então abraçar a todos como uma mãe, e beijá-los e niná-los. E revolta-se, pois toda a revolta é lírica, e talvez, por mais que seu primeiro livro tenha sido um texto em prosa, é uma revolta, e como eu já disse, toda revolta é lírica.

A poetisa nos apresenta um mundo que é só seu, não há devir, há apenas uma alma pairando na imensidão do éter, como um anjo negro que adeja sobre as nossas cabeças e nos lança verdades esplêndidas aos olhos.

Mas sabem, uma das coisas que aprendi com a poetisa nesse seu maravilhoso livro foi morrer, por que a morte

A morte é o refúgio dos corpos surrados,
É esse descamar de Peles.

E Regiane também, ela também morre, mas ao morrer está viva em cada um dos seus versos, da sua lírica, por que ela é uma poetisa, e em suas palavras ela mesma nos ensinou que

O poeta naufraga no aquoso itinerário, talvez da sua alma.
Uma paz de aurora
E a vida vai...

Esse livro é um grito, um dos mais lindo e deliciosos gritos poéticos que devem ser apreciados como se se estivesse a admirar tulipas.

Leiam-no, degustem-no, vivam-no!

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