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[CRÔNICA] Uma nota sobre a amizade




Gosto de ouvir samba aos sábados à tarde. O sábado é sempre uma promessa. Tudo começa na sexta. Preparamo-nos para o que virá. A sexta já é uma prévia dos sábados. No entanto eu comecei esse texto não para falar sobre o sábado, mas sobre um pensamento que me acometeu num sábado à tarde, neste momento que o chamo de instante, neste de dia que chamo de hoje, agora. A pergunta é simples, por que temos amigos? Por que sentimos essa necessidade de ter alguém para compartilhar o peso da nossa existência? 

Amizade em si é uma espécie de amor, é uma demonstração pura de carinho e afeto, quando não corrompido pelos instintos egoístas do homem. Mas tenho notado que quase sempre uma amizade não rende bons frutos. Nós nos apegamos a pessoas por que de certa forma enxergamos qualidades nelas, qualidades que gostaríamos de ter, ou talvez enxergamos nela reflexos, reflexos de nós mesmos, e somos narcisistas o bastante para não gostar de nada mais que não seja um espelho. É por isso que precisamos dos amigos? Não, não só por isso, precisamos ouvir também que estamos fazendo a coisa certa, precisamos ser elogiados, e nos sentimos melhores, é pra isso que serve a amizade, para nos elevarmos, sermos colocados lá em cima, no topo.

Estamos muito preocupados com o julgamento que fazem sobre nós, e precisamos dos amigos para compartilhar da mesma dor, para juntarmos as forças e seguirmos em frente, e não mais que isso. Não mais que um desejo egoísta de ter alguém que de certa forma lhe faz bem para curar as suas dores, partilhar os momentos de agonia. Uma amizade quase sempre não dá certo, amigos sempre se fazem presente nos momentos de alegria, mas perante as dores, todos se esvaem como fumaça. Por que são humanos e egoístas, e são como crianças, brinquedo bom é brinquedo intacto, é boneca que sorri e não chora, é borboleta que não reclama de que suas asas foram cortadas e de ficar presa numa garrafa plástica. 



Amigos vão, amigos vêm, todos são mais do mesmo, humanos, e a humanidade do homem repousa nos seus instintos. Acho que tenho lido muito Epicuro e Nietzsche e não consigo achar outra explicação para as ações do homem que não o seu egoísmo e o prazer e a dor. O que nós reclamamos em uma amizade, reclamaremos em qualquer outra relação em que tivermos. Eu não queria pensar dessa forma, mas atitudes e fatos me fazem achar assim. Talvez eu esteja errado, e a verdade é que não há verdade absoluta sem contradição. Pois amigos... Acho que precisamos tomar mais uma daquelas doses de altruísmo que não estão à venda nos bares que costumamos beber, e entender que cada qual tem a sua particularidade e que somos todos humanos.


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