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[NTREVISTA] Marcos Welinton Freitas, autor de "epícuro em meu jardim"

Marcos Welinton Freitas | Facebook | Divulgação

Marcos Welinton Freitas é baiano de Bravo/Serra Preta. Escritor, poeta e contista é graduando em Economia pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Participou da antologia de contos eróticos Ponto G (Multifoco – 2013), publicou o livro Poesia Proibida (Multifoco – 2012) e Badalos do Século XXI (Editora Penalux – 2013). Tem participação na revista online Mallamargens, 2014. Apaixonado por Clarice Lispector e Virgínia Wolf, Marcos mantém um extenso diálogo com as obras das autoras e sua paixão pela sondagem psicológica.

1.     Quando você percebeu que seu destino era se tornar um escritor?

Eu escrevo desde que me entendo por gente. Comecei fazendo adaptações de novelas e filmes quando eu tinha dez anos de idade. Comprava cadernos e mais cadernos e enchia-os com histórias diversas. Fiz umas dez versões de Titanic em um deles. Alguns eu ainda guardo em casa. Acho que ali foi o início de tudo. A vontade de ser escritor já era latente. Acho que a gente já nasce com isso e vai amadurecendo durante a nossa caminhada. Até histórias em quadrinhos já fiz, derivadas a partir do meu caderninho. Mas eu soube que queria ser escritor mesmo na quarta série. A professora pediu aos alunos para escreverem um conto, e todos se debateram na hora da produção, e eu fui lá e pimba, escrevi meu primeiro conto, e pasme, era erótico. O nome do conto era a Sedução. Era uma história bem trágica, risos. Envolvia desde sensualidade até um vulcão que aparecia do nada e matava o grande amor da vida da moça. Mas foi aí que soube que queria aquilo para a vida. Escrever, produzir histórias, encantar as pessoas com tramas.

2.     De onde vem os personagens? São frutos de muita imaginação ou são baseados em pessoas reais?

Certa vez eu li um romance de um escritor alemão, que é um dos meus referenciais, Herman Hesse, e ele dizia que nós somos compostos de vários eus. A partir daí eu diria que cada personagem carrega um pouco desses meus vários eus. Talvez eu só use algumas mascaras para narrar as minhas inquietações. Mesmo que as histórias sejam inventadas, acho que elas sempre carregam um fundo de verdade. Alguns dos meus personagens também são baseados em outras pessoas que são próximas minhas. A convivência faz a gente subtrair um pouco do outro.

3.     Quais seus autores favoritos? Estes livros de alguma forma, influenciaram diretamente na sua escrita?

O amor da minha vida é Clarice Lispector, ela é a minha predileta, a minha favorita. Já li  todos os seus livros, e carrego a sua literatura para vida. O seu livro de crônicas A descoberta do mundo é como uma bíblia para mim.
Mas fora ela, existe uma leva e outros autores que eu amo e que eu levo em consideração na hora de escrever, me servindo de inspiração.

Sylvia Plath, Hilda Hilst, Lygia Fagundes, Herman Hesse, Marquês de Sade, Virginia Woolf, Allan Ginsberg, Waly Salomão e Murilo Mendes. Esses são os que mais leio e amo.

4.     Já aconteceu de você conhecer alguém que leu sua obra, ou que estava lendo?

Já sim, algumas pessoas sempre que terminam de ler uma obra e se identificam com ela, procuram uma forma de entrar em contato com o autor. Desses contatos um dos mais interessantes, foi de um leitor que me disse que havia feito sexo, recitando poesias do meu primeiro livro, o Poesia Proibida, que publiquei pela Editora Multifoco em 2012.

5.     Atualmente uma das maiores dificuldades encontradas por autores é publicar o livro no formato físico, até mesmo pelos valores altíssimos cobrados por algumas editoras. Você encontrou alguma outra dificuldade para publicar ou desenvolver sua obra?

Há muitas dificuldades em publicar um livro, não só achar uma editora adequada, como ganhar público. E acho que a maior dificuldade ainda seja essa: ganhar público. Ser lido. Publicar, todo mundo publica, mas vender, aí é outra história. Ser escritor e ganhar a atenção dos leitores é uma batalha, é certo que há ferramentas hoje que ajudam você a ter uma certa notoriedade, mas a concorrência com  preferência pelos autores de fora também é desleal. Contudo a gente vai andando, um dia chegamos lá.

Leia a resenha de Epícuro em meu Jardim

6.     Você costuma recorrer á opiniões de terceiros durante o processo de escrita de um livro? Se sim, por que?

Quando estava escrevendo esse romance que publiquei recentemente, o Epicuro em meu jardim, contei com a ajuda de uma equipe de betas. Se não me enganam foram dez, eles liam, diziam o que achavam e eu ia anotando para rever as considerações feitas por eles, assim que eu começasse a revisar o livro. Depois desse processo, pedi a um amigo escritor que também lesse o livro e me desse um parecer. Graças aos deuses todos gostaram. Apesar de concordar com Bukowisk que para a gente ser um escritor de verdade tem que apenas escrever e se dar sem medo do que digam, das críticas em geral, acho sempre bom ter uma opinião amiga e uma crítica construtiva.

7.     Quanto tempo demorou até que seu livro estivesse finalmente finalizado?

O primeiro capítulo de Epicuro em meu jardim foi escrito há dois anos atrás. Porém, após ter decidido terminar realmente o livro, demorei apenas um mês para finalizá-lo.

8.     Pretende escrever outros livros dentro do gênero do primeiro livro?

Acho que a gente sempre carrega um pouco dos primeiros livros nos outros. Mas no meu caso, acho que o drama e o erotismo sempre serão meus gêneros favoritos, aliás eu venho escrevendo sobre isso desde a quarta série. Risos.

9.     Qual o pior inimigo de um autor?

Ele mesmo.
Acho que a gente estando bem com o que a gente escreve, sentindo completude no ato da nossa escrita, a gente não se importa tanto com determinados pormenores.
Todavia há também uma coisa chamada bloqueio criativo, que é de lascar. Risos. Mas fora isso, existem aqueles probleminhas de sempre, como falta de investimento por parte das editoras, a preferências dos leitores por autores estrangeiros, e por fim a falta de altruísmo de alguns colegas. Mas nada que não possa ser resolvido com algumas doses de amor-próprio.

10.  O que você faz quando uma ideia maravilhosa surge enquanto você está fora de casa e precisa registrar aquela ideia?

Vivo ela, como se vivesse um filme. Se tiver caneta e papel na mão, ou celular, anoto pontos que gostaria de lembrar depois. Se tiver algum amigo próximo eu conto para ele a ideia, internalizando e colocando para fora é mais difícil de esquecer.

11.  Você acha que escrever enquanto se ouve uma trilha sonora de fundo, dá inspiração ou atrapalha?

Não, por deus não. O primeiro capítulo de Epicuro em meu jardim surgiu enquanto eu ouvia músicas da Nelly Furtado. Trilhas sonoras ajudam muito.

12.  De tudo o que você já escreveu, tem algo em especial que se orgulhe? Algum trecho, personagem ou terra?

Eu amo a personagem do meu livro. Hedonê, ela é incrível. É forte, determinada, um pouco reclusa e dramática, mas ela é fluida, como eu gostaria de ser pelo resto dos meus dias.

13.  Como foi a recepção do seu público com relação à sua escrita? Você acha que se surgisse a oportunidade de vendê-lo para fora do país, a recepção seria mesma?

Até então tem sido boa, tenho recebido feedbacks maravilhosos. Essa semana mesmo descobri que meu livro tem sido muito bem falado entre a roda dos blogueiros literários e leitores. Isso é um sonho. Não sei se meu livro fosse vendido fora do país a recepção seria a mesma, talvez melhor, ou pior. Não sei. Sempre acho que os franceses e ingleses gostariam do meu tipo de literatura, acho que isso se dá pelo sonho de ser traduzido e afinidade que tenho com escritores desses países.
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